Comer sazonal: tudo o que é “da época” é certo, afinal.

Leia este artigo em: 3 mins
16.08.2022

O “poder” de consumir fora de época é mais um daqueles poderzinhos que o homem insiste em manter. E não é mais do que isso. Um poderzinho.

“Eu quero comer morangos em Dezembro”!

A única razão que consigo descortinar para esta assunção de autoridade é mesmo o facto do homem estar convencido de que consegue controlar a natureza.

Puro engano.

A natureza também tem o seu quê de perversa! Não mostra descontentamento na primeira agressão, nem na segunda, nem na terceira … por alguma razão, a paciência é uma das suas principais características. Vai deixando andar até atingir o limite de saturação e aí, sem aviso prévio, põe o homem na linha.

Mas não é só por uma questão de consideração pela natureza que devemos respeitar a época dos alimentos. É também por respeito pela nossa saúde. Uma alimentação saudável tem como base o consumo de produtos na sua época.

Porquê?

  1. Primeiro, porque a distribuição das frutas e legumes pelas estações do ano é incrivelmente perfeita. Aliás como tudo o que a natureza faz. As vitaminas e minerais de que precisamos em cada estação fazem parte da composição dos produtos que nascem em cada uma delas.
  2. Segundo, porque é na sua época que os produtos estão no seu auge, tanto no sabor como nas propriedades.
  3. Terceiro, porque têm muito mais capacidade de conservação.
  4. Quarto, porque é quando o custo é mais baixo tanto para o produtor como para o consumidor.
  5. Por último porque forçar culturas fora de época obriga a gastar recursos que são definitivamente limitados. Caprichos como por exemplo poder comprar tomate em Dezembro implica gastar energia para aquecer estufas. Que sentido tem isto?

Mas voltando ao que a natureza nos reserva em cada uma das estações do ano vamos perceber o sábia que é e a falta de senso que mostra quem não a ouve.

Se nas estações frias precisamos de nos proteger das gripes e constipações então nada melhor do que termos à nossa disposição produtos ricos em vitamina C. E não é que é mesmo assim? Todos sabemos que é no inverno que chegam todos os citrinos, mas também as couves. Sabias que as couves são também uma super fonte de vitamina C? Pois é verdade. E lá estão elas à nossa espera no Inverno.

Já no verão é o oposto. Querem-se é produtos frescos, que se possam comer crus, que tenham sumo e cor. E é assim que eles nos chegam. Por isso a maior parte deles são frutos. Sabias que todos os produtos da horta que têm sementes são frutos? Sejam o tomate, o pimento, as beringelas, a courgette, a abóbora …. podemos concluir que 80% os produtos da horta de verão são frutos.

Então, assim seja. 

Os produtos e as frutas de outono começam a preparar-nos para o Inverno. Começam a ser mais quentes, mais substanciais, mais calóricos. É um adeus à frescura dos produtos de Verão que ajuda a suportar o calor e um aconchego aos dias mais frescos. É altura da abóbora, da batata doce, dos diospiros, das maçãs, das nozes, das romãs …

O contrário acontece na primavera com um “olá” ao verão dado pelas ervilhas, favas e espargos …, pelas cerejas, nêsperas e ameixas …

Enfim, tudo no seu tempo e a seu tempo.

Nós só temos que nos deixar levar e respeitar. Ficamos todos a ganhar.

E não se esqueçam: há mil e uma formas de conservar produtos de uma estação para a outra.

Produtos frescos só na época. Produtos conservados todo o ano. 

Luísa Almeida

A Luísa não consegue viver sem criar e tem uma enorme capacidade de resiliência: é raro haver alguma coisa que a faça baixar os braços. Os desafios são o seu combustível.

O melhor convite que lhe podes fazer é para um jantar com um bom vinho ou uma viagem pelo mundo à procura de quintas biológicas – o seu vício.

Há dias em que se sente a dona do mundo, outros em que o mundo lhe cai em cima. Há quem diga, que a Luísa é uma pessoa fria e, por vezes, bruta. Ela tende a discordar: é a emotividade à flor da pele e chora de emoção, se o estiver a sentir.

Só há um assunto que lhe tira o sono: as “tristezas” dos seus filhos.