Ser Zero, sem stresse

Leia este artigo em: 5 mins
11.08.2022

Gostava muito que lessem o artigo que a querida Eunice Maia, mentora da DoBem e fundadora da primeira loja Zero Waste em Portugal, escreveu sobre o significado e importância de não sofrermos de ecoansiedade. Podem ler o artigo aqui. E o que tem a ver com o “Ser Zero, sem stresse”? Tudo!

Porque foi exatamente esse sentimento que eu tive quando decidi abraçar o desafio que ela me lançou em Julho de 2020 – recusar, durante 30 dias, o plástico de utilização única. 

Aceitei o desafio por duas razões: sair da minha zona de conforto e ganhar consciência da quantidade de plástico que eu, inconscientemente, usava no meu dia a dia. 

Podia ser pior, mas existia e ainda existe muita margem para melhorar. 

Usar sacos de pano e frascos para ir ao supermercado já fazia parte do meu dia a dia; ter em casa água alcalina e mineralizada para não ter de comprar garrafas de plástico também não era novidade para mim. Mas recordo-me perfeitamente de, nas minhas marmitas, não levar talheres ou guardanapos de pano e de pedir cafés que acabavam por ser servidos em copos de plástico. Mas o pior foi perceber a quantidade de “brindes” que, por vezes, aceitava quando, pensando bem, eu não lhes ia dar o uso devido. 

E aí foi imperativo colocar a seguinte questão (antes do impulso falar mais alto): “Preciso realmente disto?”

Comecei a ficar tão atenta a todas as minhas escolhas que, por momentos, já não queria aceitar nada!

Foi aí que a Eunice me disse: “Não quero que sofras de ecoansiedade. O importante é que estes 30 dias te despertem consciência e para uma mudança sim, mas dentro das tuas circunstancias fazendo tu o melhor que podes.

E esta mensagem ressoou em mim. 

As mudanças fazem-se uma de cada vez e devem ter espaço para serem implementadas nas nossas rotinas e, muito importante, de acordo com as nossas necessidades (identificar o que que queremos mudar em primeiro lugar). É termos em conta que a vida se faz de “baby steps” e centrar a nossa energia no que é possível e, de uma forma positiva. 

Como diz Anne-Marie Bonneau: “Não queremos uma mãe cheia de pessoas a serem 100% Zero Waste, mas de milhares de pessoas imperfeitas com vontade de evoluir”. 

Eu gosto muito desta ideia, deste propósito da vida. Perceber que tudo o que fazemos connosco e com os outros tem uma consequência direta na nossa saúde e na saúde do Planeta. E porque acredito que todos estamos aqui para nos sentirmos bem a fazer o Bem, agrada-me ir implementando pequenas mudanças diárias, sentir o impacto delas na minha vida e assim sucessivamente ir acrescentando outras.

E há um tempo certo para tudo. Da mesma forma que a garrafa de plástico não faz parte do meu dia a dia, também não deixa de ser verdade que já bebi e comprei várias garrafas de plástico em situações específicas: não ter mais água e ter muita sede, esquecer-me da minha garrafa em casa, entre outras situações. 

Tenho toalhitas para me desmaquilhar, mas por vezes uso esferas de algodão, sobretudo quando estou em reportagem fora de casa,

Também já tentei compostar em casa e não resultou. Ainda não resultou. Preciso de me dedicar mais e estar mais centrada. Mas enquanto isso vou consolidando o que já faço e tentar mudar outros maus hábitos. 

COMO SER MAIS SUSTENTAVEL/CUIDADOR NO MEU DIA A DIA ?

  • COMO COMO?
  • COMO ME VISTO?
  • COMO ME MOVO?

Gosto muito deste ponto de partida. No meu caso, despertei para esta consciência com a alimentação. E neste ponto não falo apenas nas compras que faço a granel e os sacos de pano que uso ao invés dos sacos de plástico. Falo sobretudo da atitude cuidadora que devemos ter com a nossa saúde. Cuidar hoje, para não comprometer o amanha. Faz-vos sentido? 

E isso passa simplesmente por comer bem, de uma forma nutritiva e saborosa, porém simples, sazonal e se possível local. Quando a matéria prima é boa os condimentos são apenas… complementos. O sabor de uma rúcula ou tomate que cresceram livremente e de uma forma natural é incríBel. 

Comer para nutrir e proteger é ser sustentável com a nossa saúde. Comer de acordo com o que a terra nos dá e perceber que a solução não passa por comer todos os dias (e várias vezes ao dia) proteína animal pode ser uma lufada de ar fresco para a nossa sustentabilidade financeira também. 

Podemos comer de tudo. Mas é o equilíbrio que nos vai centrar. 

A forma como nos vestimos também é um bom começo para a mudança. Não estou a dizer que não devemos comprar. Mas mais importante do que comprar mais…é comprar melhor e menos vezes; saber de onde vem e como foi produzida aquela peça também ajuda – quanto mais não seja para nos criar consciência do valor das coisas. 

Tenho uma pergunta que faco a mim mesma quando estou no ato da compra e sinto que estou impulsiva:

Vou usar esta peça mais do que 30 vezes ao ano?

A resposta que derem vai definir a vossa compra. A mim ajuda-me imeeenso. 

E pensar na forma como nos movemos também é uma bela ajuda. E não estou a falar simplesmente da mobilidade elétrica, mas sim na forma como pensamos sempre que nos queremos deslocar. Ás vezes chamamos um Uber e a distância é pouco mais de 1Km. Outras, podemos abdicar de um elevador e subir umas escadas quando sabemos que a nossa vida é muito sedentária; sabe tão bem ir a pé até ao metro e saber que quando chegamos não temos o “stresse” do estacionamento.

Por vezes, é só antecipar, mudar o mindset e alterar pequenas rotinas. Se o fizermos repetidamente algo vai ativar dentro de nós. Mas como em tudo na vida, é acertando que vamos aprendendo e vice-versa.


A LÓGICA DOS 5 R’S

  • RECUSAR o que não preciso
  • REDUZIR o que preciso
  • REUTILIZAR o que consumo
  • RECILAR o que já não recuso, reduzo e reutilizo
  • COMPOSTAR é também reciclar

Agradeço todos os dias à Eunice por esta mensagem. Pensar nesta lógica ajuda a materializar. 

O que pretendo com este vídeo e com este texto é sobretudo dizer-vos que não há uma formula mágica. É dentro de nós que esta o caminho, dentro das nossas possibilidade, da nossa vontade. E está tudo certo se nada é perfeito. O que conta é a genuína vontade de querermos ser melhores em prol do Bem em geral e do nosso em particular.

NÃO HÁ FORMULA MÁGICA.  É dentro de nós que está o caminho. É em nós que está a revolução. 

Eu, Isabel

A Isabel nasceu a 8 de maio de 1986 e é natural de Santa Maria de Lamas. Licenciou-se em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa, e fez uma pós-graduação em Cinema e Televisão pela Universidade Católica. Fez um curso de Rádio e Televisão no Cenjor e foi o seu trabalho como jornalista e produtora de conteúdos na Panavídeo que a levou para a televisão, em 2011. Durante 10 anos apresentou programas de entretenimento e, de forma intuitiva e natural, percebeu que aquilo que a move é a criação de conteúdos que inspirem, motivem e levem os outros a agir. Tem uma paixão enorme por comunicar e tudo o que comunica está intimamente ligado a uma vida natural carregada de energia, alegria e simplicidade.

É autora dos livros “O Meu Plano do Bem”, “A Comida que me Faz Brilhar”, “Eu sei como ser Feliz” e da coleção de livros infantis “Vamos fazer o Bem”.

Descobriu a paixão pela corrida em 2015, em particular pela distância da Maratona – 42.195m. Tem o desejo de completar a “World Marathon Majors” que inclui as 6 maiores Maratonas do Mundo. Já correu Londres, Boston, Nova Iorque e Berlim.

Esta vontade de gerar um impacto positivo nos outros levou-a a criar novas áreas de negócio, como um ginásio de eletroestimulação – o Efit Isabel Silva – uma marca de snacks saudáveis, a IncríBel e a VOA.

A 14 de Dezembro de 2016 lançou o blogue Iam Isabel e que hoje, numa versão mais madura, mas igualmente alegre e enérgica, é o canal DoBem.