Roteiro de 9 dias: passar uma semana no Gerês é desligar totalmente do mundo

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30.06.2022
geres

Queridos seguidores,

hoje vamos viajar “para fora cá dentro”! E o destino é o Gerês.

Uma das minhas amigas que mais admiro está neste momento a fazer uma volta ao Mundo, imaginem só! Juntou dinheiro e preparou-se mental e emocionalmente para largar todas as suas rotinas – deixar o trabalho, por exemplo – e partir à aventura com o namorado. Aconselho-vos a acompanharem, através do seu instagram, os locais por onde ela está a passar e que experiências ela está a retirar.

Pela pessoa que é e pelo tipo de viagens que gostava de fazer, desafiei-a, em tempos, a escrever um artigo para a DoBem sobre a sua última viagem em Portugal. A Joana fez um roteiro IncríBel de 9 dias no Gerês que agora está disponível para vocês. Quem sabe se, por sua influência, esta não será a vossa próxima viagem?

Leiam e desfrutem de todas as dicas que ela nos deixou.


Realizei finalmente o desejo de voltar ao Gerês. Já lá tinha estado em miúda, mas tão miúda que me lembrava de pouco mais para além da paisagem verde. Por isso mesmo, há quatro anos que sonhava com o regresso. 

Moro em Lisboa, o que significa uma distância de mais de 400 quilómetros até ao Parque Nacional de Peneda-Gerês. Ainda é uma viagem longa, e talvez tenha sido isso que me tenha feito esperar tanto tempo. É que se é para fazer uma viagem tão longa, que seja com tempo. Não faz sentido de outra forma. Ir a correr, de passagem, sempre esteve fora de questão. Por isso, sempre fui adiando.

Com a pandemia da COVID-19 instalada, acabei por ter de cancelar duas viagens que já tinha compradas para este ano. Mas, lá está, há sempre um lado bom, como em tudo na vida. E, neste caso, o cancelamento das viagens acabou por ser uma boa oportunidade para reunir uns dias e desbravar esta zona do País. Quem diria que a pandemia acabaria por me dar umas férias incríveis? 

Confesso que planeei tudo em cima da hora, mas acredito que tenha sido essa falta de planeamento prévio a responsável por tornar esta experiência ainda mais inesquecível. Não pensei muito sobre o que me esperava, e deixei-me levar pela viagem. As surpresas foram tantas e tão boas que, ainda agora, e ainda só passaram alguns dias desde o regresso, já faço planos para voltar em breve. 

Por esta ser uma zona que se tornou tão especial para mim, e por saber que este ano, para muitos de nós, as férias serão passadas em Portugal, deixo-vos o meu roteiro para uma semana no Gerês. Assim, também vocês podem deliciar-se com esta relíquia, uma das maiores que o nosso País tem para oferecer. 

Dia 1

A viagem ainda é longa, por isso, decidimos não seguir diretamente até ao Gerês e passar uma noite algures no percurso. Saímos de Lisboa pelas 18 horas, e escolhemos parar em Amarante, onde chegámos já perto da hora de jantar. No caminho, marcámos mesa no Restaurante Zé da Calçada, onde nos deliciámos com filetes de polvo e com um bolo de bolacha à sobremesa. 

Infelizmente não havia mesa lá fora, mas deu para aproveitar a noite quente na mesma, dando um passeio a pé a seguir ao jantar antes de rumar ao hotel. 

Decidimos fazer esta paragem para a viagem não custar tanto. Afinal, ainda são mais de quatro horas de viagem, segundo o Google Maps. Os mais corajosos podem aventurar-se e fazer a viagem completa num dia, mas contem com isso: é um dia perdido. É difícil arranjar disposição para andar a passear depois de uma viagem de quase quatro horas de carro, especialmente se não fizerem grandes paragens. Mas é tudo uma questão de perspetiva. Esta foi a nossa escolha.

Dia 2

Ficámos alojados no Hostel des Arts, que custa a partir de 60€ por noite e de que gostámos muito. Fica no centro de Amarante, muito perto de tudo. Nesta altura não estão a servir pequenos-almoços, por isso fomos até à Padaria Pardal comer um croissant com queijo, acompanhado de um cappucinno. Não é um pequeno-almoço de hotel de luxo, mas é delicioso e valeu muito a pena.

Apesar do calor imenso, mantivemo-nos fiéis ao plano de conhecer Amarante. É uma cidade com um ar antigo e, poderia até dizer, pitoresco, o que a torna encantadora à sua maneira. 

Passear pelas ruas de Amarante é, por momentos, esquecer que estamos em 2020 e voltar ao século XVI ou XVII, onde havia rei, rainhas, cortes e palácios. Não é que estivesse numa feira medieval com pessoas vestidas à época, mas o aspeto daquele espaço fez-me recordar alguns cenários de filmes e livros. Foi como voltar atrás, a um tempo onde nunca vivi. 

A ponte de São Gonçalo fica no coração da cidade e é uma das maiores atrações turísticas da cidade. Fica sobre o Tio Tâmega e é um dos locais onde os turistas mais gostam de tirar fotografias. Confesso que me senti como uma verdadeira turista por momentos. Tudo é bonito demais para não estar a apreciar e a desfrutar com toda a calma, serenidade e silêncio. Esta é daquelas cidades onde a arquitetura surpreende, mas a natureza também. Vale a pena explorar a zona ribeirinha da cidade, e fazer um picnic à sombra, se tiverem tempo.

Mas Amarante também é uma cidade de cultura, e não nos deixa esquecê-lo. É que a cada recanto há qualquer obra artística que nos faz parar para apreciar, como é o caso do Museu Amadeo de Souza Cardoso (a entrada custa 1€ por pessoa). Foi lá que nos rendemos por umas horas à exposição “Fuck Art, Let’s Eat”, onde se faz uma reflexão sobre a ligação entre a arte e a gastronomia, que na verdade sempre existiu. 

Depois deste dia, foi hora de rumar ao Gerês, onde fizemos check in no Dobau Village que custa entre 70 e 90€, consoante a época. Foi lá também que acabámos por jantar.

Dia 3

No terceiro dia fizemos finalmente o Trilho das Sete Lagoas. São 6 quilómetros para cada lado o que dá cerca de três horas de trilho num dia. A parte boa é que grande parte do percurso é plano e em terra batida, por isso, até se faz bem a andar. Talvez o mais desafiante seja mesmo o calor, porque não há grandes zonas de abrigo à sombra, então grande parte da viagem é feita com o sol a bater-nos no corpo. Por isso, é importante levar sempre garrafas de água. Levámos uma grande para cada pessoa, e ainda bem que o fizemos. 

Por ser um percurso onde sabemos, à partida, que vamos apanhar bastante calor, aconselho também a que partam cedo, por volta das 8 horas da manhã. Além de a esta hora o sol estar suportável, vão ter a oportunidade de conhecer as lagoas com muito menos gente, até porque a maioria das pessoas só começa a chegar a partir das 10 horas.

Este trilho começa no Xertelo, e é essa a localização que devem colocar no Google Maps para lá chegar e começar a viagem. Antes disso, passem em Ruivães, uma zona no caminho e onde podem tomar café e abastecer-se de tudo o que precisam no minimercado. Água, fruta fresca e até alguns snacks são sempre uma boa ideia. Além disso, ainda apoiam o comércio local.

Se forem de carro, o estacionamento é muito fácil na zona de Xertelo. O Bar Sete Lagoas, que podem conhecer através do Facebook, é um salva vidas para quem não sabe bem no que se está a meter. Eles disponibilizam o mapa do trilho completo através da página deles, onde indica o caminho que devem fazer. Descarreguem-no antes de começarem o percurso, porque há várias  falhas de rede e, assim, têm a garantia de que já têm o mapa e não se enganam no caminho. 

O caminho é maravilhoso pelo silêncio e pela paisagem que parece não ter fim. Só se vê verde, verde e mais verde. Ah, e preparem-se para encontrar alguns bois que aparecem de repente pelo caminho. Não são assustadores nem chateiam, mas impõem algum respeito. Durante o percurso, se precisarem de se refrescar, prestem atenção ao caminho do lado direito. É lá que vão encontrar uma fonte onde podem aproveitar para descansar alguns minutos.

Chegar ao fim do trilho faz qualquer pessoa ficar sem palavras. É inacreditável e realmente único de ver a natureza assim. A sensação de frescura assim que mergulhamos é indiscritível, e o barulho das cascatas a todo o momento é do mais relaxante que há. Compensa, definitivamente, as três horas que andamos a caminhar para lá chegar. São estes pequenos momentos que fazem valer a pena.

Ao fim do dia, jantámos no restaurante Lurdes Capela, que fica no centro do Gerês. Pedimos a posta à Lurdes que acompanhámos com vinho branco da casa, e estava tudo delicioso. Comida mesmo caseira e tradicional, daquela que já é tão difícil encontrar no meio das grandes cidades. Para sobremesa não fomos capazes de resistir ao bolo de bolacha, mas a verdade é que ser dobem. também é, por vezes, comer o que nos faz feliz. Depois de 12 quilómetros nas pernas, sentimos que merecíamos aquele doce.

Dia 4

Acordámos cansados do dia anterior, por isso, optámos por ter uma manhã mais calma neste dia. Em vez de voltar a fazer uma grande caminhada, fomos até ao Miradouro da Pedra Bela, onde ficámos durante algum tempo. Também vale a pena parar para aproveitar a vista. 

O Gerês tem esta particularidade de surpreender a cada recanto. É daqueles sítios onde nos convencemos de que não podemos ser surpreendidos novamente, e quando achamos que já percebemos a dimensão da beleza da vila, somos novamente surpreendidos.

Almoçámos no Cantinho do Antigamente, que fica numa terra chamada Covide, porque mais adequado à época não podia ser, certo? Comi aqui as pataniscas mais saborosas de toda a minha vida, e acreditem que já experimentei várias, não fosse este um dos meus pratos preferidos. Gostei tanto que trouxe as sobras, porque mesmo em viagem, continuo a fazer parte de uma equipa que não acredita no desperdício alimentar.

Depois de almoço seguimos até à Quinta dos Carqueijais, outro dos alojamentos que escolhemos para estes dias. Fomos recebidos com muito carinho pela Inês e o Fábio, o casal que está a gerir a quinta há três anos. Assim que chegámos fizeram-nos um roteiro muito completo para os dias seguintes, com dicas incríveis de quem conhece esta zona de cor.

Nada do que eu vos possa dizer sobre a Quinta irá fazer jus ao que realmente é. Este foi, sem dúvida, o sítio onde mais gostei de estar nos últimos anos. É um lugar místico que me lembrou a Quinta da Regaleira e, ao mesmo tempo, um vale encantado. Por momentos, achei que estava no cenário de “Alice no País das Maravilhas”. 

Este é o sítio certo para descansar, que era exatamente o que procurávamos. O quarto tem uma kitchenet toda equipada, o que para nós foi muito prático. Acabámos por jantar aqui duas vezes e assim poupámos tempo e algum dinheiro ao cozinhar as refeições em casa. Se estiverem numa de poupar, esta é sem dúvida a escolha certa. Uma noite, consoante a época, custa a partir de 95€.

Uma das coisas boas de ficar num turismo rural, especialmente se for num local mais caseiro, é que há um cuidado e atenção redobrada para com os hóspedes. O pequeno-almoço, por exemplo, é-nos deixado todas as manhãs à porta numa cesta. Um gesto acolhedor, mas também clean & safe, porque em época de pandemia, todo o cuidado é pouco. Tudo o que temos de fazer é abrir a porta do quarto, tirar a comida da cesta e desfrutar ao ar livre, em silêncio. 

Os quartos da quinta são muito espaçados entre si, por isso acabamos por não nos cruzar com outras pessoas. Ou seja, há mesmo muita privacidade e sentimo-nos em casa. A piscina só está a uns passos do quarto, o que é ótimo, mas também não está próxima ao ponto de ouvirmos o que se passa lá. 

Partilhámos a piscina com outros dois quartos, o que significa que se, por acaso, estivéssemos todos na piscina ao mesmo tempo seríamos, no máximo, seis pessoas. Isso nem chegou a acontecer, e em grande parte da nossa estadia tivemos a piscina só para nós. Gostámos tanto da ideia que foi só isso que fizemos o resto deste nosso dia no Gerês. E sendo este um sítio tão calmo, é o ideal para relaxar, descansar, e recuperar energias para os dias seguintes.

Dia 5

Não resistimos a passar mais este dia na quinta a descansar. Há dias e sítios assim, onde nos sentimos tão bem que acabamos por nem querer fazer mais nada. Sabem?

Aproveitámos a piscina e passámos pelo centro do Gerês para almoçarmos no restaurante Petiscos da Bó Gusta. Foi um almoço rápido e leve, que deu para nos deliciarmos com uns pimentos padrón, embora também haja muitos outros petiscos para provar. É uma ótima opção para quem quer comer qualquer coisa rápida e não muito pesada. E sabe sempre bem comer alguns petiscos como estes no verão.

Nessa tarde, visitámos as bancas de comércio local que estavam mesmo em frente ao restaurante e aproveitámos para comprar algumas coisas, como uns sacos de linho que, por minha vontade, até tinha comprado em maior quantidade. São práticos e podem ser usados para muita coisa no dia a dia, até mesmo para fazer compras, se quisermos.

Dia 6

Começámos este dia no Fojo do Lobo de Fafião. É considerado um dos mais bem preservados da Península Ibérica e representa um símbolo da  história e cultura da comunidade local e das lutas entre homens e lobos. Dizem as lendas da região que esta zona funcionava como armadilha para apanhar os lobos que ameaçavam os rebanhos dos pastores de toda a aldeia.

Perto do Fojo está o Miradouro de Fafião, um sítio que nos surpreendeu muito e onde, mais uma vez, passámos algum tempo. Estava completamente vazio quando chegámos, por isso, aproveitámos estes minutos para ouvir a natureza, à qual se juntaram a certo ponto os sinos das igrejas que tocavam ao longe. Acreditem, é difícil descrever um momento como este em palavras. Só mesmo quem já lá esteve sabe como é. 

A vista é de cortar a respiração, e a ponte pode ser um desafio para quem tem medo de alturas, mas vale mesmo a pena atravessá-la. É uma experiência única. O calor é muito e não há sombra, mas ao mesmo tempo sente-se uma aragem quente que, apesar de tudo, refresca. 

Almoçámos uma sandes à sombra junto ao carro e seguimos até à Cascata do Tahiti, sim, aquela que toda a gente conhece, mas que na verdade se chama Cascatas de Fecha de Barjas. É fácil chegar lá perto de carro, mas a descida até à cascata não é assim tão simples. Tem vários socalcos e é muito escorregadia, por isso optem pelo caminho de terra até lá. Não está marcado, por isso não é muito evidente, mas conseguem reconhecê-lo. Por aqui é possível descer até à parte mais baixa da cascata de forma segura e evitam acidentes pelo caminho.

Tivemos a sorte de arranjar um cantinho que não tinha mais ninguém. Ou seja, de repente estávamos numa espécie de piscina privada deslumbrante e, melhor do que tudo, a custo zero. Ah, é possível que se cruzem com umas cobras de água no Gerês que até podem impor respeito, mas são inofensivas. Atentem também nas libelinhas azuis, que parecem ter sido desenhadas. 

O nosso plano para este dia incluía passarmos também na Cascata do Arado e na Cascata da Portela do Homem, mas gostámos tanto do Tahiti que nos deixámos ficar por aqui sem horas contadas. Para quem quiser visitar mais pontos turísticos, juntem estas duas à lista, porque também são de fácil acesso para quem está de carro.

Ao fim da tarde pusemo-nos a caminho do restaurante O Abocanhado. O caminho até lá implica  passar pela Mata da Albergaria que é um dos bosques mais importantes do Parque Nacional da Peneda-Gerês com um ecossistema muito rico e variado. Aqui, vale a pena abrir a janela, respirar este ar tão puro e observar os ramos e folhas verdes que envolvem todo o percurso. 

Marcámos mesa lá fora, a tempo de ver o pôr-do-sol e aproveitar a vista. Escolhemos uma dose de bacalhau com migas acompanhada de uma sangria branca e, para sobremesa, optámos pela sugestão do restaurante: o Segredo de Família. Não, não é uma opção saudável nem nada que se pareça, mas lá está, às vezes também é bom comer coisas que nos fazem sentir bem.

Como fomos jantar cedo, regressámos cedo à Quinta dos Carqueijais e, para nosso espanto, tínhamos uma surpresa no quarto. A Inês e o Fábio deixaram uma garrafa de vinho rosé da Quinta D’Amares no frigorífico. Viemos bebê-lo no quintal, com vista para a piscina iluminada e também para o céu estrelado. Outra das vantagens de estar no campo: não há poluição visual, e o céu fica tão cheio de estrelas que quase não é preciso luz artificial. Se passarem por aqui, aconselho a que aproveitem as noites para apreciar a beleza do céu. 

Dia 7

Decidimos seguir o conselho da Inês e passar este dia inteiro a fazer river trecking. Esta é uma das atividades do Gerês Aventura, mais uma das valências da Quinta dos Carqueijais. A Quinta dá prioridade a hóspedes, mas também recebe pessoas que não estejam lá hospedadas, por isso, qualquer pessoa pode ligar para se inscrever numa atividade.

O Armando foi o nosso guia, e tivemos o privilégio de viver esta aventura só com ele. Começou por nos apanhar na Quinta às 09h30 e levou-nos de jipe até às Sete Lagoas. Já tínhamos feito este percurso no primeiro dia, por isso, não perdemos tempo, mas a ideia é chegar até lá a pé. Assim que chegámos, vestimos os fatos, colocámos o capacete e demos início a esta aventura.

É essencial levar uns ténis que se possam sujar porque todo o percurso é feito com eles calçados, mesmo quando se mergulha. O Armando conhece de cor o Gerês, por isso não só nos leva a lugares que ninguém conhece e que estão desertos, como conta inúmeras histórias sobre a vila ao longo do percurso. O passeio é muito completo e vale cada segundo, tanto pela experiência em si, quanto pelo que temos a aprender com o guia. O percurso inclui vários saltos radicais das rochas para as lagoas, por isso talvez não seja o mais indicado para quem tenha algum receio de desportos mais radicais, mas há sempre a opção de fazer uma viagem mais soft.

Voltámos à Quinta pelas 19 horas e optámos pelo restaurante O Encontro para jantar. Mais uma vez, optámos pela comida caseira, feita por uma família que se divide entre a agricultura e as refeições que ali serve. Por momentos, e pela forma como fomos recebidos, voltei a estar em casa da minha avó rodeada por toda a família.

Dia 8

O penúltimo dia no Gerês começou com uma subida até à Aldeia do Lindoso, que fica a mais ou menos uma hora do Gerês. Aqui fica também o castelo de Lindoso e o maior conjunto de espigueiros da Península Ibérica. Continuava a estar muito calor, por isso, a viagem foi só de passagem, sem grandes demoras. Na realidade, nem deu tempo para explorar bem a aldeia, que merece uma visita com mais tempo. No nosso caso, a promessa já está feita.

Perto do Lindoso fica o Soajo, onde nos recomendaram o restaurante Saber ao Borralho para o almoço. Por sorte, conseguimos uma mesa neste restaurante rústico e à antiga, onde tivemos oportunidade de experimentar a famosa carne de Cachena. Confesso que não sou a maior apreciadora de carnes, mas reconheço que esta é realmente saborosa e tenra. É importante ligarem antes a marcar. Podem fazê-lo pelo 963 708 986.

Depois de almoço, a vontade de conhecer o Soajo era muita, aliás, o plano era fazer uma caminhada pela zona mas, mais uma vez, o calor fez-nos mudar de planos. Não era possível passar uma manhã ou uma tarde a andar com aquele tempo. Ainda assim, deu para assimilar a paz daquela zona, onde reinava o silêncio.

Seguimos então para o Miradouro do Vale da Peneda, onde vale a pena parar para desfrutar da vista panorâmica do Gerês. O último ponto turístico do dia foi o Santuário de Nossa Senhora da Peneda, um lugar histórico e um dos santuários mais famosos do Norte de Portugal que vale mesmo a pena visitar pela carga história. Se forem de lembranças, ali perto encontram algumas bancas de artesanato onde podem comprar presentes para a família e amigos.

Dia 9

É sempre difícil regressar depois de uma experiência tão bonita. E este último dia chegou com um misto de saudades de casa e de um Gerês que ainda nem tínhamos deixado. Antes de vir embora, e a passar por Braga, passámos pelo Arcoense para almoçar. Mais um restaurante com comida tradicional portuguesa onde é difícil resistir às tentações da comida típica. 

Uma coisa é certa, o Gerês deixa saudades. E se tudo correr como previsto, em outubro estaremos de volta a esta vila imensa, onde ficou tanto por conhecer, mas que já ocupa um lugar tão especial no nosso coração. Desconfio que este seja um sentimento comum a todos os que por ali passam, certo?

Roteiro, texto e sentir de Joana Pereira

Eu, Isabel

A Isabel nasceu a 8 de maio de 1986 e é natural de Santa Maria de Lamas. Licenciou-se em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa, e fez uma pós-graduação em Cinema e Televisão pela Universidade Católica. Fez um curso de Rádio e Televisão no Cenjor e foi o seu trabalho como jornalista e produtora de conteúdos na Panavídeo que a levou para a televisão, em 2011. Durante 10 anos apresentou programas de entretenimento e, de forma intuitiva e natural, percebeu que aquilo que a move é a criação de conteúdos que inspirem, motivem e levem os outros a agir. Tem uma paixão enorme por comunicar e tudo o que comunica está intimamente ligado a uma vida natural carregada de energia, alegria e simplicidade.

É autora dos livros “O Meu Plano do Bem”, “A Comida que me Faz Brilhar”, “Eu sei como ser Feliz” e da coleção de livros infantis “Vamos fazer o Bem”.

Descobriu a paixão pela corrida em 2015, em particular pela distância da Maratona – 42.195m. Tem o desejo de completar a “World Marathon Majors” que inclui as 6 maiores Maratonas do Mundo. Já correu Londres, Boston, Nova Iorque e Berlim.

Esta vontade de gerar um impacto positivo nos outros levou-a a criar novas áreas de negócio, como um ginásio de eletroestimulação – o Efit Isabel Silva – uma marca de snacks saudáveis, a IncríBel e a VOA.

A 14 de Dezembro de 2016 lançou o blogue Iam Isabel e que hoje, numa versão mais madura, mas igualmente alegre e enérgica, é o canal DoBem.