Mais um treino: não foi um dia perfeito, mas esteve perto disso!

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27.04.2019

Sábado, 23 de março, 7h30 da manhã. Estava tudo pronto para começar o meu dia com um treino longo. Tinha 32 quilómetros pela frente. O João Catalão estava ao meu lado e ia ser, mais uma vez, o meu parceiro nesta aventura. Partimos do Café In, em Belém, em direção à Fortaleza do Guincho e com objetivos muito bem delineados.

E com isto vocês pensam que é só enfiar as sapatilhas e começar a correr, mas, malta, um treino longo é bem mais do que isso, acreditem. Foi por isso que quis filmar este vídeo e, por isso, pedi ao Samuel e à Ana que estivessem connosco tanto neste dia como na véspera, para que vocês possam perceber como tudo aconteceu, desde o primeiro momento.

A véspera

Já há alguns dias que andava a sentir as pernas ligeiramente mais pesadas do que o normal. Não estava a perceber bem o que se passava e falei do assunto a várias pessoas e todas pensaram no mesmo: retenção de líquidos. Sabem aquela fase antes do período, a chamada TPM, em que começam a sentir-se mais inchadas e com umas sensações um bocado estranha no corpo? Era assim que eu estava. A própria Ana, que veio ter comigo mais cedo, olhou para as minhas pernas e perguntou “Belinha, mas que trambolhos são esses?”

A questão aqui é que, na verdade, não estava com a menstruação, e comecei a pensar que isto poderia ser outro problema qualquer. Nessa noite, antes de jantar, calcei as minhas meias de descanso a ver se ficava melhor. Mas eu tenho um problema pessoal, é que fico a remoer estes assuntos e até cheguei a dizer à minha grupeta que sabia que estava a falar demasiado nisto, mas estava mesmo preocupada, ainda por cima quando já tinha uma estratégia bem definida para o treino.

Bem, mas antes de vos contar como é que correu o meu treino, tenho de partilhar como foi a noite anterior. É que, como vos disse, tudo isto passa por muita estratégia e planeamento. Já tinha falado com o João e decidimos que, desta vez, íamos fazer um treino sem retorno, ou seja, partíamos num sítio e acabávamos noutro. Mas tudo isto envolve logística, claro, e aqui, como podem ver no vídeo que gravámos nessa noite, foi preciso estudar tudo muito bem.

Metemo-nos no carro e, depois de jantarmos no Alecrim aos Molhos, fomos meter águas em quatro pontos estratégicos: no Passeio Marítimo de Algés (onde fazem o NOS Alive), em Carcavelos, ali no estacionamento da Praia do Moinho, e depois da Casa da Guia.

Isto foi também uma forma de a Ana e o Samuel perceberem o nosso percurso e saberem onde é que deviam estar à nossa espera, porque a ideia era mesmo essa, eles estarem sempre por lá para nos darem águas. No entanto, se alguma coisa falhasse, as águas já lá estavam à nossa espera.

Depois, foi hora de voltar a casa, fazer o meu saco com a muda de roupa, a minha toalha (para depois do mergulho no mar, já lá vamos), a minha proteína, os meus géis e todas as outras coisas que vos mostro no vídeo.

Tudo pronto, estava na hora de dormir. Com tudo isto, acabei por me deitar um pouco mais tarde, o que não devia acontecer, mas nos dias antes consegui dormir as horas necessárias. Às vezes, no meu caso, sinto que dormir bem no dia anterior é importante e foi o que aconteceu.

A manhã

Acordámos eram 5h10, porque, como o treino começava às 7h30, tinha de garantir que tomava o pequeno-almoço duas horas antes. Assim, sabia que tinha tempo para ir, pelo menos, duas vezes à casa de banho, porque eu gosto de correr cheia de power, mas com a tripa limpinha.

Tomei um dos meus pequenos-almoços vencedores, como este que partilhei aqui no blog há tempos, e que também podem ver no vídeo abaixo. E como estas coisas nunca correm como queremos, tive um problema de última hora. É que na noite anterior tinha comprado bebida vegetal para fazer estas papas de arroz integral, mas deixei-a no carro do João. Tive de fazer tudo com água, mas ficou ótimo à mesma.

Depois, lá fui passear o Caju e beber o meu cafézinho, que é um ritual que cumpro sempre antes do treino, até mesmo antes de me encontrar com os meus IncríBeis. Café tomado, Caju passeado, estava na hora de rumar a Belém, e assim foi.

Assim que chegámos, comecei a notar que estava com vontade de ir à casa de banho, usando uma expressão lá do Norte, mudar a água às azeitonas. Não fui, embora tivéssemos parado uns minutos antes para ir, mas achava que conseguia aguentar o treino todo. Má ideia, Isabel Silva. Mas é assim que se aprende, não é verdade?

Parámos ao pé do Café In, equipei-me, calcei as minhas sapatilhas, amarrei o cabelo, sem esquecer da colocar vaselina na zona da axila, no peito e na virilha, para não assar. Começámos o aquecimento e, às 7h30, partimos junto ao rio. Eram 32 quilómetros, e estava tudo muito bem estudado na minha mente.

O treino

Como já vos disse, sentia as pernas um bocado pesadas e isso estava-me a preocupar, principalmente porque tinha a estratégia bem delineada. Queria ir a 4”45 nos primeiros 25 quilómetros e, a partir daí, fazer slipt negativo e it baixando gradualmente para os 4”30, 4”20, até aos 4”15.

Claro que isto me estava a stressar, mas se há coisa que aprendi enquanto corredora e maratonista, nas 6 maratonas que já corri, é que tenho de escutar o meu corpo. Uma coisa é saber que algo é psicológico, outra totalmente diferente é o corpo pedir-me para abrandar.

Neste dia, estava na dúvida, por isso achei melhor começar com uma cadência mais lenta, para ver como o corpo reagia. Se estivesse tudo bem, fazia aquilo que estava no meu plano. Caso contrário, tinha de mudar de estratégia. Estão a ver, malta? É preciso muito foco e força nessa hora.

Quando comecei a correr decidi também que não ia olhar para o relógio. Cada vez mais percebo que ir controlando tudo me desconcentra e, por consequência, a forma como corro. Percorri os primeiros dois quilómetros sem olhar, só mesmo a escutar o corpo, e a verdade é que, quando olhei, já perto do 3.º quilómetro, estava a 4”45, dentro do tempo que tinha estabelecido.

Aí deu-se o click. Isto é tudo psicológico. Estava a sentir-me bem, confortável, apesar das pernas inchadas, e estava ao ritmo que tinha de estar. Então, continuei com o meu plano, e lá fui, sempre super focada.

Claro que, nestas coisas, há sempre uma aventura. Lembram-se de ter dito que devia ter ido à casa de banho? Pois que, chegando à Praia do Moinho, ali em Carcavelos, tive de parar para ir fazer o meu xixi. Mas levei isto com muita calma e tranquilidade. Nada de stresse, cheguei, fui à casa de banho, ainda bebi água e continuei o meu caminho. Uma das coisas que me lembrei foi que, quando acordei, tinha bebido dois copos de água. Se calhar o melhor é começar a beber só um, para não ter estes deslizes. Estamos sempre a aprender.

O treino correu lindamente, passei por dois momentos mais desafiantes, o primeiro ali na zona da Baía de Cascais, onde há uma subida, e depois outra na Boca do Inferno. Mais uma vez, senti-me bem, e o importante nestes casos é não tentar acelerar, manter sempre o ritmo e respeitar o corpo.

Uma das coisas boas foi saber que em certos quilómetros tinha o Samuel e a Ana à minha espera, o que foi um grande incentivo para mim. Também tenho de agradecer a todos os ciclistas que passavam por mim, já me vão conhecendo dos treinos naquela zona e davam sempre uma força. Às vezes até me dizem, a brincar: “Isso está muito lento, Belinha”, como que a dar-me um boost de energia. É bom saber que se forma esta espécie de família e que, apesar de não praticarmos todos os mesmos desportos, temos em comum a energia que o treino na natureza nos dá.

Quando terminei, e podem ver esse momento no vídeo, sentia-me tão bem que achava que podia correr mais dois ou três quilómetros aquele ritmo. Nesta fase da preparação para a Maratona de Londres, que está quase aí, isto é ótimo para mim.

Depois do treino

Assim que cheguei, quis logo ir dar o meu mergulho no mar. Fomos até ao carro, rumámos a uma praia ali perto e entrei na água, sozinha, porque o João ia fazer uma massagem desportiva a seguir.

Desta vez demorei mais uns minutos e até cheguei a dizer ao Samuel que estava a entrar à patinho, mas foi ótimo para regenerar as minhas pernas, que tanto precisavam. E sabem que mais, malta? Não há nada melhor nesta vida do que acabar um treino, mergulhar no mar, alongar e sentar-me na areia a falar com o meu parceiro de corridas sobre tudo o que este treino significou para mim.

Falámos sobre o que correu bem, o que temos de melhorar, o que não podemos repetir e, no final, agradecer ao universo por este dia lindo, praticamente sem vento — coisa rara ali na zona do Guincho —e por me sentir saudável e com saúde.

No final de contas, e apesar de ter estado tão preocupada, estou muito feliz com este treino. Obrigada ao Samuel e à Ana por terem estado connosco neste momento. Obrigada ao João Catalão, meu parceiro nesta aventura e, acima de tudo, obrigada ao Universo, por me dar oportunidades tão únicas e especiais como esta e me dar saúde para continuar a partilhar com o mundo esta loucura saudável que sinto, que me alimenta e me faz querer continuar a viver feliz até ser bem velhinha.

Imagem e edição

Samuel Costa

Eu, Isabel

A Isabel nasceu a 8 de maio de 1986 e é natural de Santa Maria de Lamas. Licenciou-se em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa, e fez uma pós-graduação em Cinema e Televisão pela Universidade Católica. Fez um curso de Rádio e Televisão no Cenjor e foi o seu trabalho como jornalista e produtora de conteúdos na Panavídeo que a levou para a televisão, em 2011. Durante 10 anos apresentou programas de entretenimento e, de forma intuitiva e natural, percebeu que aquilo que a move é a criação de conteúdos que inspirem, motivem e levem os outros a agir. Tem uma paixão enorme por comunicar e tudo o que comunica está intimamente ligado a uma vida natural carregada de energia, alegria e simplicidade.

É autora dos livros “O Meu Plano do Bem”, “A Comida que me Faz Brilhar”, “Eu sei como ser Feliz” e da coleção de livros infantis “Vamos fazer o Bem”.

Descobriu a paixão pela corrida em 2015, em particular pela distância da Maratona – 42.195m. Tem o desejo de completar a “World Marathon Majors” que inclui as 6 maiores Maratonas do Mundo. Já correu Londres, Boston, Nova Iorque e Berlim.

Esta vontade de gerar um impacto positivo nos outros levou-a a criar novas áreas de negócio, como um ginásio de eletroestimulação – o Efit Isabel Silva – uma marca de snacks saudáveis, a IncríBel e a VOA.

A 14 de Dezembro de 2016 lançou o blogue Iam Isabel e que hoje, numa versão mais madura, mas igualmente alegre e enérgica, é o canal DoBem.