Os IncríBeis. Fui correr uma das provas mais bonitas do mundo

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17.06.2019
provas mais bonitas do mundo

Há tempos, contei-vos que juntamente com alguns dos meus IncríBeis estava pronta para correr uma das provas mais bonitas do mundo — recordem o artigo aqui. Finalmente esse dia chegou e na manhã de 26 de maio corri, pela primeira vez, os 21 quilómetros da EDP Meia Maratona do Douro Vinhateiro, que está incluída no conceito das Running Wonders.

As Running Wonders são meias maratonas que nos dão a possibilidade de corrermos com algumas das paisagens mais bonitas que possam imaginar. Além desta prova, há corridas em Guimarães, no Dão, em Coimbra, Évora e Portimão, regiões cheias de história, com paisagens lindas, monumentos inacreditáveis e classificadas como Património da UNESCO.

Nunca tinha tido a oportunidade de correr uma destas provas mais bonitas do mundo, embora estivesse há três anos para participar. De todas, a que mais tinha vontade de correr era esta mesmo, na região demarcada do Douro Vinhateiro, que começa na Barragem de Bagaúste e termina no Peso da Régua. O percurso de 21 km é feito sempre à beira do Douro, com uma paisagem impressionante.

Esta prova deu-me também a possibilidade de regressar às minhas origens, ao meu Norte, que eu tanto amo, e tudo isto foi possível com a melhor das energias, a da EDP. E posso dizer-vos que foi um fim de semana maravilhoso. Conheci pessoas novas, reencontrei amigos e tive o privilégio de estar novamente com a minha querida amiga Aurora Cunha, uma grande atleta portuguesa de quem já tinha muitas saudades. A Aurora é daquelas pessoas com uma energia muito especial, com um sentido de humor único, uma honestidade e uma boa disposição fora de série. De facto, ela também é a alma destas Running Wonders, muito pelo apoio e energia que dá a todos os corredores.

Corri esta meia maratona na desportiva. Ia sem objetivo a nível de tempo, até porque ainda não tinha passado um mês desde que tinha corrido a Maratona de Londres e queria desfrutar da prova ao máximo, sem demasiado esforço. Para isso, criei uma estratégia que me permitiu curtir cada momento. E assim foi.

Embora seja quase totalmente plana, esta que é uma das provas mais bonitas do mundo acabou por ser desafiante, muito por culpa do calor que se fez sentir. Só para terem uma ideia, quando partimos estavam mais de 30 graus, e são muitas as zonas do percurso em que não há sombras. Fiz os primeiros 15 quilómetros a um ritmo de 4’30’’ por minuto. A ideia era se me sentisse bem, aumentava progressivamente o ritmo para terminar a 4’20’’ ou 4’15’’.

A prova foi mesmo muito especial para mim, não só por tudo isto que referi mas também porque aqui foi onde mais senti o espírito de equipa e de ajuda enquanto corria. Logo ali, no quilómetro 3 e 4, juntou-se um grupo de pessoas à minha volta com quem corri, sempre ao mesmo ritmo. Houve inclusive um senhor e uma senhora que me perguntaram: “Isabelinha, vai manter este ritmo?”. Disse-lhes que sim, e lá fomos, lado a lado, praticamente sem falar mas a ajudar-nos, uns aos outros, fosse a dar abastecimentos ou simplesmente estando ali, em silêncio.

Percebem porque é que as corridas são mágicas? É isto. É saber que estamos em competição connosco, estamos a correr para nós, na nossa jornada, mas ao mesmo tempo sabemos que todas aquelas pessoas que estão à nossa volta têm o mesmo objetivo: cruzar a meta e cumprir com o que tínhamos prometido.

Quando entrei na zona do Peso da Régua aumentei o ritmo, e fui para os 4’15’’. E esta é a parte mais motivante. Vamos vários quilómetros em silêncio, só connosco, a curtir a prova, a contemplar aquela paisagem única, e depois entramos na Régua e o silêncio acaba, o público junta-se e começa a puxar por nós. O último quilómetro é quase todo assim, com muito apoio. É a partir daqui que encontramos uma quantidade imensa de pessoas que gritam pelos corredores, sorriem e aplaudem. Há também muita música e muita animação. Muitas vezes esta motivação é o melhor gel que podemos encontrar nos últimos quilómetros de prova. É isto que nos ajuda a cortar a meta em grande e com um sorriso no rosto.

Quando terminei aquela que é uma das provas mais bonitas do mundo, abracei o meu grupo, aquela malta que veio ali comigo quase o tempo todo. Nunca tinha visto aquelas pessoas mas, de repente, sem falarmos, ficámos família. Foi fantástico por tudo isto mas também porque, no final, corri a minha segunda maratona: a dos beijinhos, dos abraços e das fotografias. Conheci pessoas incríBeis no Douro e, vejam bem, descobri que há um grupo de corridas chamado “Os Isabelinhas”, um grupo cheio de pessoas bem dispostas e a quem prometi que, em breve, levo os meus IncríBeis para correrem com eles.

Ainda encontrei algumas das pessoas a quem tinha oferecido dorsais no treino dos IncríBeis e conheci pessoas que tinham corrido uma meia maratona pela primeira vez. Foi maravilhoso e muito intenso, de tal forma que, depois de ter estado a correr durante 1h33 minutos, ainda passei duas horas a fazer aquilo que tanto adoro: partilhas, abraçar, beijar e estar com aqueles que cuidam de mim.

Claro que a família do costume veio comigo. O João Catalão, o Rui Geraldes e o Ricardo Martins Pereira, os resistentes que ficaram à minha espera. Depois de tudo isto, lá fomos a pé até ao hotel tomar um bom banho e fazer aquilo que toda a gente adora fazer depois de uma prova: uma grande almoçarada.

Encontrámos um restaurante muito giro chamado A Nossa Taberna, que abriu de propósito para nós. Já estavam fechados, mas liguei para lá e a senhora deu-nos almoço. Maia: ainda nos fez um prato vegetariano de Couscous com legumes.

Não tenho palavras suficientes para agradecer toda esta hospitalidade das pessoas do Norte, é indescritível. Esta é uma prova a repetir, certamente, e que recomendo a toda a gente porque, de facto, o nosso Portugal é mesmo incríBel.

Eu, Isabel

A Isabel nasceu a 8 de maio de 1986 e é natural de Santa Maria de Lamas. Licenciou-se em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa, e fez uma pós-graduação em Cinema e Televisão pela Universidade Católica. Fez um curso de Rádio e Televisão no Cenjor e foi o seu trabalho como jornalista e produtora de conteúdos na Panavídeo que a levou para a televisão, em 2011. Durante 10 anos apresentou programas de entretenimento e, de forma intuitiva e natural, percebeu que aquilo que a move é a criação de conteúdos que inspirem, motivem e levem os outros a agir. Tem uma paixão enorme por comunicar e tudo o que comunica está intimamente ligado a uma vida natural carregada de energia, alegria e simplicidade.

É autora dos livros “O Meu Plano do Bem”, “A Comida que me Faz Brilhar”, “Eu sei como ser Feliz” e da coleção de livros infantis “Vamos fazer o Bem”.

Descobriu a paixão pela corrida em 2015, em particular pela distância da Maratona – 42.195m. Tem o desejo de completar a “World Marathon Majors” que inclui as 6 maiores Maratonas do Mundo. Já correu Londres, Boston, Nova Iorque e Berlim.

Esta vontade de gerar um impacto positivo nos outros levou-a a criar novas áreas de negócio, como um ginásio de eletroestimulação – o Efit Isabel Silva – uma marca de snacks saudáveis e a VOA.

A 14 de Dezembro de 2016 lançou o blogue Iam Isabel e que hoje, numa versão mais madura, mas igualmente alegre e enérgica, é o canal DoBem.