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O meu amor pela corrida renasceu. E esta foi a razão principal

Depois de mais de um mês sem correr, estes 10 quilómetros pelas ruas de Lisboa fizeram-me perceber o quanto esta é uma parte fundamental da minha vida.

Se leram este texto que escrevi há tempos sobre a Maratona de Nova Iorque sabem que aquela experiência teve um grande impacto para mim. A forma como via e sentia a corrida mudou, e durante algum tempo quis parar. Parar para refletir e perceber que tinha de mudar algumas coisas na minha vida.

Sem perceber bem como, passou mais de um mês até voltar a correr. Fiz um ou outro treino, mas a verdade é que tinha mesmo de ser assim. E tudo isto mudou quando voltei às ruas de Lisboa para correr os 10 quilómetros do EDP Grande Prémio de Natal.

Mais do que saberem como foi a minha prova, quero que percebam o quanto eu gostei deste momento e o que ele significou para mim. Mas, para isso, vão ter de recordar aqui o último parágrafo da minha Maratona de Nova Iorque.

Esta foi a primeira prova oficial que fiz depois disso, e foi muito especial perceber que tinha saudades de voltar a correr. Ajudou muito que esta minha primeira prova tenha sido o EDP Grande Prémio de Natal, por tudo aquilo que esta prova representa para mim. E agora vocês perguntam: “Mas o que é que há assim de tão espetacular numa prova de 10 quilómetros no centro da tua cidade?” Muita coisa, e eu vou explicar-vos o quê.

Primeiro, começar por dizer que quem me conhece sabe que sou muito simples na corrida. Pego num calção, um top e umas sapatilhas e lá vou eu. Qual não é o meu espanto quando me vejo a camisola oficial do EDP Grande Prémio de Natal e me apaixono completamente por ela. É irreverente, é certo, e até gerou alguma polémica, mas tento em conta o que esta prova representa, que apela ao espírito natalício e de camaradagem tinha imensa vontade de correr com ela.

Por outro lado, o facto de ir sem objetivo também ajudou muito. Foi a minha primeira prova depois da Maratona, como já vos disse, por isso tinha a cabeça descansada, só queria desfrutar e rolar, daí não ter levado o relógio. Ajudou também ter-me juntado ao meu colega Rui Geraldes, que é ótimo para fazer corridas mais descontraídas. Até costumamos dizer, antes de partir, “hoje é para bater recordes ou espalhar magia?”, e nesse dia estávamos claramente num mood de espalhar magia.

Depois há também o facto de ser uma prova de 10 quilómetros no centro de Lisboa, com muita animação pelas ruas. É uma excelente prova para quem nunca correu 10 quilómetros fazer o seu batismo, porque há sempre muita gente a correr, a dar apoio e muita animação, por isso a pessoa nunca está sozinha.

Outro dos motivos que tornaram esta prova especial foi ter pessoas tão importantes na minha vida ao correr esta prova ao meu lado. Uma dessas pessoas foi a Rebeca, uma das pessoas que trabalha comigo e que se tornou numa grande amiga. Para este ano, ela tinha um objetivo: correr uma prova de 10 km, e conseguiu concretizar esse desejo no EDP Grande Prémio de Natal. Partimos juntas e esperei por ela no final da corrida. Foi maravilhoso vê-la cortar a meta com um grande sorriso nos lábios pela superação e, sobretudo, porque ela se preparou e conseguiu curtir a prova.

Fiquei muito contente por ela. A vida é feita de objetivos, não só pessoais e profissionais, mas também desportivos, e praticar desporto é cuidar da nossa saúde. Ver a Rebeca cortar aquela meta fez-me lembrar de todas as vezes que corri maratonas e meias-maratonas e terminei com o mesmo sorriso.

Foi também uma prova em que aproveitei para conviver com a comunidade de corredores. Vi muitas pessoas, como a Rebeca, a cortarem a meta e a superarem-se, a correrem uma prova pela primeira vez, vi também pessoas com lesões e outras que, tal como eu, vieram apenas para desfrutar deste momento. Como estão a ver, é daquelas provas em que, acima de tudo, está o convívio.

Claro que digo isto falando para os corredores recreativos, porque os de elite lá terão, certamente, os seus objetivos. Ainda se lembram de como foi aqui que bati um dos meus records pessoais? Recordem aqui esse momento. Mas, este ano, muito mais do que bater o record o mais importante foi correr e sentir-me bem e, na fase da minha vida em que estava, o Grande Prémio de Natal fez renascer aquela vontade que tinha de correr.

Correr sem objetivo, sem relógio e simplesmente a escutar as sensações do corpo. Foi um bom dia para correr. Não estava muito frio nem vento, o céu estava cinzento, mas pelo meio lá apareciam umas nuvens, e vocês não conseguem perceber as saudades que eu já tinha de correr na rua e ficar bronzeada, que fiquei. Todos estes pormenores fizeram renascer a vontade de correr.

Foi muito bom cortar a meta e perceber que, de facto, amo correr. A sensação de liberdade que a corrida me provoca é única, e adoro correr rodeada de pessoas e partilhar esta minha paixão com os outros. Claro que isto só foi possível com a melhor energia, a da EDP. Que venham mais provas, porque cá estarei para as correr.