Roteiro de 5 dias em Estocolmo

Quanto custou viajar para Estocolmo? Onde é que ficámos a dormir? E como é que são os suecos? Vou responder a todas estas tuas questões com o meu roteiro para 5 dias em Estocolmo.
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28.01.2020

Enquanto estive na Suécia fui partilhando, através do meu Instagram, algumas das coisas que mais me fascinaram na cidade. Como já vos disse noutros artigos sobre este tema, a ideia de viajar para Estocolmo era explorar, explorar e explorar. Quando viajo, gosto mesmo de mergulhar na cultura de um país é tentar conhecê-lo da melhor forma possível.

Durante estes dias mostrei-vos vários sítios por onde passei com a Mentora Marta Candeias. Museus, cafés e restaurantes onde comemos, a casa onde ficámos e muitas outras coisas que me fizeram apaixonar por Estocolmo. Posso até dizer-vos que um dia quero regressar a esta cidade. Há muitas outras que ainda quero conhecer, claro, mas a verdade é que Estocolmo já tem um lugar muito especial no meu coração

Depois de vos ter falado sobre o porquê de ter ido viajar com a Marta e de ter partilhado alguns dos restaurantes que mais gostámos, quis partilhar algumas coisas que toda a gente gostaria de saber sobre viajar para Estocolmo. Não estou a falar daqueles típicos guias que encontram se fizerem uma pesquisa na Internet, mas sim daquelas coisas que adorei fazer e que, por isso, quero partilhar convosco.

Deixo-vos também algumas dicas que podem ajudar a planear o vosso roteiro do bem que, na verdade, não tem de ser igual ao que eu e a Marta fizemos, mas a ideia aqui foi partilhar a nossa experiência para, quem sabe, vocês se sentirem inspirados a fazer o vosso próprio roteiro e descobrir a cidade do vosso jeito, como nós descobrimos do nosso.

 

O voo e a casa da Ronja

A nossa aventura de viajar para Estocolmo começa com um voo da TAP, a nossa companhia aérea, que voa diretamente de Lisboa para Estocolmo. A Marta marcou a viagem com alguma antecedência e, na verdade, se fizerem uma pesquisa e estiverem atentos ao site das companhias aéreas até conseguem encontrar alguns voos com desconto.

Como fomos só durante cinco dias, bastou levarmos apenas as malas de cabine e, logo aí, conseguimos poupar na de porão. Cada voo, de ida e volta, ficou a menos de 300€. Não é dos mais baratos que podem encontrar, mas valeu muito a pena.

Quanto a alojamento, optámos por ficar num Airbnb. Mais uma vez, foi a minha querida Marta que tratou de tudo nesta parte. Estocolmo é uma cidade cara e ficar num hotel ia ser uma despesa muito grande. Temos outros regalias, claro, mas com uma boa pesquisa encontram-se boas casas na Airbnb.

Aquela onde ficámos era um bocadinho mais afastada do centro da cidade, na zona de Lidingö, mas nada de especial, cerca de 20 a 25 minutos de autocarro e metro. Claro que ao evitarmos o centro conseguimos logo que a casa ficasse muito mais barata. Além disso, optámos por ficar num quarto em vez de arranjarmos um apartamento para as duas.

Ficámos em casa da Ronja, uma rapariga muito prestável e simpática que, assim que chegámos, nos mostrou tudo o que precisávamos e deu algumas dicas de coisas que devíamos fazer enquanto estivéssemos em Estocolmo. Gostei muito da casinha dela, muito arrumada, limpa e clean, em tons de branco e cinzento. A cozinha então era um sonho. Quando lhe perguntei se as casas eram todas assim, ela explicou-me que sim. Como sabem a IKEA é uma marca sueca, portanto todas as casas são assim mais ou menos como se vê nos catálogos.

A maioria de vocês podem preferir ficar mais próximos do centro da cidade, mas a verdade é que gostei muito de ficar mais afastada. É que assim consegui ver e sentir uma realidade diferente, mais de periferia e de zona residencial onde as pessoas são mais autênticas e genuínas. Mas sobre os suecos e o seu modo de vida já voltamos a falar.

 

Transportes em Estocolmo

Uma das coisas que reparámos ao viajar para Estocolmo, assim que chegámos, foi que tudo estava muito bem sinalizado. Ao chegar o aeroporto não foi difícil encontrar a indicação do sítio onde podíamos encontrar os bilhetes de autocarro que nos iam levar até ao centro da cidade.

A verdade é que não vos posso falar muito dos transportes na Suécia por um motivo muito simples: raramente os usávamos. Aliás, posso até dizer-vos que só usávamos os autocarros ou o metro para ir do Airbnb para o centro da cidade de manhã e fazer a viagem de regresso. As viagens custam 4,20€, não são as mais baratas, mas se fizerem um passe de uma semana fica mais em conta — custa cerca de 33€.

A cidade é muito pequena, por isso tudo se faz bem a pé à exceção da tal viagem de ida e volta para o centro, que já seria bem mais longa. Posso até dizer-vos que preferimos andar, porque além de conseguimos mesmo absorver toda a cultura e modo de vida de Estocolmo e dos suecos, somos pessoas de movimento e que gostamos de gastar as nossas energias desta forma. Já para não falar que andar era a melhor forma de nos mantermos protegidas do frio.

 

O tempo — e a falta dele — em Estocolmo

No primeiro artigo em que vos falei do porquê de termos escolhido viajar para Estocolmo, expliquei que sabíamos à partida que ia estar muito frio. E não nos enganámos. As máximas andavam sempre entre os 4º e os 7º e chegámos apanhar dias e noites com temperaturas negativas. Nada que se compare a outros países mais a norte, mas estava realmente frio.

Um conselho que vos posso dar é que levem roupa quente, mas vão sempre vestidos em camadas. Tal como acontece noutros países, está muito frio na rua mas dentro dos espaços está quente. Levem um bom casaco de inverno e nunca se esqueçam de proteger bem as extremidades: mãos, pés e até as orelhas, de que muitas vezes nos esquecemos. Como podem ver pelas fotos, andei sempre com um gorro para me resguardar.

Estávamos prontas para enfrentar o frio, mas se houve algo que nos surpreendeu foi a falta de tempo na Suécia. No dia em que chegámos, qual nos foi o nosso espanto quando entramos no autocarro a caminho do centro às 15h30 e ainda era de dia, mas aquele dia em que já parece que são 19 horas, entendem? Fomos ver na aplicação da meteorologia a que horas é que o sol nascia e se punha. Agora imaginem quando descobrimos que só teríamos sol entre as 7h30 e as 15h30. Oito horas. Tínhamos de aproveitar o dia ao máximo.

Quando estiverem a planear viajar para Estocolmo, tenham sempre isto em conta. Os suecos vivem muito em função das horas de sol e, como vos expliquei no artigo dos restaurantes, os espaços fecham muito cedo porque não há gente na rua a partir das 19/20 horas. E isso incluí também museus e outros espaços que queiram ir conhecer.

 

Visitas obrigatórias ao viajar para Estocolmo

E por falar em museus, quando decidimos fazer a viagem sabíamos que havia alguns que queríamos conhecer. Não fomos a todos, até porque o objetivo da nossa viagem não era passar cinco dias a conhecer museus, mas houve dois que fizeram parte do nosso roteiro.

Antes de vos falar sobre eles, deixo-vos outros conselho. Aproveitem a manhã e o início da tarde para andarem a passear pela rua e, a partir das 15h30, quando o sol se começa a por, vão até aos museus. Foi isso que fizemos sempre.

O primeiro museu que visitamos foi o Vasa. É o mais conhecido e sabíamos que não ia desiludir. O museu é uma homenagem a um barco que naufragou no século XVII e que foi uma das maiores vergonhas do povo sueco. Eles construíram o barco e no dia que ia sair pela primeira vez, ainda perto do pórtico, veio uma rajada de vento muito forte e, como o barco era muito alto, afundou. Houve um erro de construção.

O Vasa esteve debaixo do mar durante 300 anos até ser restaurado, reconstruído e mais tarde exposto neste museu. É um dos projetos mais bem conservados de todo e mundo e o museu vive muito em torno da história dele e da forma como se vivia na Suécia durante o século XVII. A entrada no Vasa custa cerca de 14€ e em mais ou menos uma hora e meia conseguem ver tudo.

Esta zona chama-se Djugarden e aqui existem vários museus que podem conhecer. Um museu Viking, um dedicados aos ABBA ou o Museu Nórdico. Um pouco mais longe fica o outro museu que fomos conhecer, o Fotografiska, outra das nossas visitas obrigatórias. Normalmente, este museu tem sempre duas ou três exposições de fotógrafos e naquele dia perdemos mais tempo a conhecer o trabalho do Jimmy Nelson. É verdadeiramente maravilhosa a forma como ele capta imagens, podem conhecer mais trabalhos dele aqui.

Vimos a exposição — a entrada custa 15€ — e, depois, aproveitámos para ir ao restaurante que fica no rooftop. Vale a pena irem só pela vista que, à noite, é mágica. Acabámos por não ficar durante muito tempo, mas é daqueles sítios que têm mesmo de ver, nem que seja só por uns minutos. Antes de sairmos passamos também na loja de merchandising e tinha lá este prato de café que dizia FIKA, que quer dizer café. A Marta andava ali meio perdida e até me lembro de lhe ter dito “Marta, preciso de um fika”.

Outro sítio por onde passámos e que adorámos foi este parque, o Ellen Keys, na zona de Östermalm, dedicado à autora feminista com o mesmo nome e de que gostámos muito. Além do parque, que ainda é grande, tem estas cadeiras e livros gigantes que estão relacionados com a história de vida da Ellen. Se tiverem oportunidade, passem por lá também.

Há um outro sítio que é de passagem obrigatória se forem viajar para Estocolmo, o Lago Mälaren. Tem uma das vistas mais bonitas sobre a cidade de Estocolmo e é mesmo imperdível. Na altura em que fomos estava a chover e algum frio e, na verdade, vocês podem até pensar “então mas não preferias ter visto isso num dia de sol”, e acho que vos diria que não. A magia desta paisagem não se explica, faça a temperatura que fizer. E sabem que mais? Se não tivesse visitado a margem do lago neste dia não tinha entrado num café muito simpático ali ao lado que até era dog friendly e tinha lá um que era igual ao meu Caju na personalidade. Há coisas que não se explicam. Ainda bem que estava a chover, porque assim deu para estarmos ali a meter a conversa em dia e a aproveitar a companhia daquele cão.

Para terminar, há outro sítio que aconselhamos que visitem que é a rua mais estreita da Suécia. Chama-se Mårten Trotzig e tem vários graffitis de cada lado, o que a torna muito mais engraçada do que uma simples parede lisa. Como é uma das mais conhecidas da cidade, há sempre imensa gente a passar por ali. Vale a pena parar para tirar uma foto.

Moradas

Vasa Museum

Galärvarvsvägen 14, 115 21

Fotografiska

Stadsgårdshamnen 22, 116 45

 

Os suecos

Chegamos agora a uma das coisas que mais gosto de observar quando estou num país diferente: o modo de vida. Sempre fui uma pessoa de pessoas. Gosto de conversar, conhecer pessoas novas e modos de vida diferentes daquele a que estou habituada, e realmente os suecos têm uma maneira muito particular de estar com a vida.

Podem não parecer à primeira vista, mas todas as pessoas que conhecemos na Suécia são muito simpáticas e afáveis. Não estão sempre com um ar sorridente e, muitas vezes, cheguei a achar que até eram assim mais carrancudos, mas acredito que o facto de ser um país onde há apenas 8 horas de sol por dia possa ter alguma influência nisso, mas basta começarmos a falar com eles que rapidamente mudam logo a sua maneira de estar.

Como andámos a pé durante muito tempo e estávamos numa zona mais afastada do centro também tivemos oportunidade de apreciar aquele que é, realmente, o modo de vida dos suecos. Não sei se já ouviram falar do Lagom, mas é esse o modo de vida dos suecos. Lagom quer dizer qualquer coisa como “na medida certa”, e os suecos gostam de viver assim, em equilíbrio. Talvez seja por isso que me identifiquei tanto com esta cidade.

São minimalistas em tudo, desde as casas ao modo de vestir, mas estão sempre com um ar muito elegante. Fazem desporto e andam muito de bicicleta e incentivam a fazer o mesmo para conhecer melhor a cidade. Chegámos a fazer um passeio por algumas zonas no último dia, que nos custou 11,30€ por uma hora e meia de passeio, mas valeu muito a pena. São também pessoas muito educadas e com um civismo brutal. Não há lixo no chão, ninguém passa sinais vermelhos — mesmo que não haja carros a passar —, e toda a gente que anda de bicicleta está bem sinalizada.

Outra coisa que me surpreendeu foi a quantidade de carrinhos de bebés que via na rua. Havia imensa gente a fazer desporto com os filhos, a passear ou a brincar com eles, e a verdade é que a Suécia é um país que incentiva, e muito, à natalidade. Uma das medidas que o Estado implementou é que os pais podem ficar em casa a receber 80% do ordenado durante um ano para ficarem em casa enquanto os filhos são pequeninos.

Dei por mim, muitas vezes, a ficar parada na rua só a observar a forma como os suecos andavam e interagiam entre si. É uma realidade completamente diferente da nossa e uma maneira de estar muito própria. Talvez seja por isso que a Suécia é considerada um dos países mais felizes do mundo, ao lado de outros nórdicos como a Finlândia e a Islândia.

 

Mas afinal, quanto é que gastamos?

Esta é talvez uma das perguntas que mais me têm feito desde que comecei a falar na viagem. Mais uma vez, tenho de agradecer à minha querida Marta, que esteve sempre atenta e foi apontando tudo aquilo que gastámos ao longo destes dias para nada falhar nas contas.

Antes de mais, é importante explicar-vos que quando planeámos a viagem deixámos claro que íamos definir um valor máximo para gastar, e não o podíamos ultrapassar. Nesse valor tinha de estar incluída a viagem, estadia, transportes, gastos extra com museus e a alimentação. Sabíamos também à partida que seria na comida que íamos gastar mais dinheiro, mas a verdade é que, como já vos disse, este foi um investimento que estávamos dispostas a fazer.

No total, gastámos, por pessoa, 720€ por pessoa a viajar para Estocolmo. Foram cinco dias, numa das cidades mais caras da Europa, e onde não abdicámos de comer fora nem nunca pensámos duas vezes caso tivéssemos de gastar dinheiro. Aquilo em que conseguimos poupar mais foi, sem dúvida, no alojamento e nos transportes.

Para cinco dias, com viagem e alojamento incluído, até nem gastamos assim tanto dinheiro quanto isso a viajar para Estocolmo. Claro que há várias outras coisas em que podem poupar. Se não forem comer todos os dias fora, por exemplo. Podem optar por preparar algumas marmitas em casa e levar convosco para irem comendo e aí também vão poupar em restaurantes. Como disse antes, também podem estar atentos ao preço das viagens e, se apanharem uma boa promoção, conseguem também poupar na viagem.

Eu, Isabel

A Isabel nasceu a 8 de maio de 1986 e é natural de Santa Maria de Lamas. Licenciou-se em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa, e fez uma pós-graduação em Cinema e Televisão pela Universidade Católica. Fez um curso de Rádio e Televisão no Cenjor e foi o seu trabalho como jornalista e produtora de conteúdos na Panavídeo que a levou para a televisão, em 2011. Durante 10 anos apresentou programas de entretenimento e, de forma intuitiva e natural, percebeu que aquilo que a move é a criação de conteúdos que inspirem, motivem e levem os outros a agir. Tem uma paixão enorme por comunicar e tudo o que comunica está intimamente ligado a uma vida natural carregada de energia, alegria e simplicidade.

É autora dos livros “O Meu Plano do Bem”, “A Comida que me Faz Brilhar”, “Eu sei como ser Feliz” e da coleção de livros infantis “Vamos fazer o Bem”.

Descobriu a paixão pela corrida em 2015, em particular pela distância da Maratona – 42.195m. Tem o desejo de completar a “World Marathon Majors” que inclui as 6 maiores Maratonas do Mundo. Já correu Londres, Boston, Nova Iorque e Berlim.

Esta vontade de gerar um impacto positivo nos outros levou-a a criar novas áreas de negócio, como um ginásio de eletroestimulação – o Efit Isabel Silva – uma marca de snacks saudáveis, a IncríBel e a VOA.

A 14 de Dezembro de 2016 lançou o blogue Iam Isabel e que hoje, numa versão mais madura, mas igualmente alegre e enérgica, é o canal DoBem.