I Am Isabel Silva

Mais do que praticar o desapego, pratico o apego. E quero explicar-vos o porquê

Sou feliz a fazer os outros felizes, e dar um pouco de mim, porque sei que, no final do dia, é isso que também me vai trazer felicidade. Mas não só. Percebam o que vos quero dizer.

Olá queridos leitores! 

Aqui estou eu, de braços abertos, com um sorriso honesto e rasgado no rosto, sentada em frente ao meu computador, na sala do meu T1, rodeada de plantas e de um Caju que não para de ressonar de satisfação. 

A minha casa é o meu refúgio. É aqui que encontro a minha paz e me reencontro todos os dias com o meu eu. Tudo isto para dizer que só faz sentido escrever-vos quando reúno todas as condições que acho imprescindíveis para escrever com disponibilidade, carinho e, muito importante, de uma forma presente. É mais um bocadinho de mim que quero entregar-vos. Um bocadinho dos meus pensamentos, da minha forma de ver o mundo, desde os pequenos detalhes às grandes decisões. Não consigo especificar os temas que aqui vou falar, mas serão certamente temas alinhados com a minha filosofia de vida e a dobem.

Entro na vossa caixa de correio com uma mensagem e, quando virem que vos estou a “bater a porta de casa” não se esqueçam de abrir para me receberem. Quero cultivar a nossa amizade, fazer-vos chegar algumas das coisas que tenho aqui guardadas e que há muito que quero partilhar convosco. E assim que soube que aceitaram este meu convite, sabia que tinha de vos escrever. Posto isto, vamos cultivar a nossa amizade. 

Hoje, e nesta que é a minha primeira mensagem, quero deixar-vos só algumas palavras sobre apego e desapego, que tanto significado têm na minha vida. É que, hoje em dia, fala-se muito de desapego, mas eu sempre preferi falar sobe apego. 

Desapego remete para aquilo que não devemos valorizar ou que não devemos valorizar em excesso. Imaginem: se estamos numa altura mais instável emocionalmente e em que valorizarmos apenas o que é acessório isso vai, certamente, satisfazer-nos naquele exato momento, mas apenas naquele exato momento. Então e depois?

De que adianta, por exemplo, deixar-mo-nos levar, sucessivamente, por compras impulsivas, quando o que vai realmente acrescentar valor é parar para nos escutarmos, identificarmos a fragilidade e depois percebermos o que devemos fazer para nos sentirmos bem?

Às vezes não temos de saber logo todas as respostas, mas basta fazermos coisas que nos fazem sentir bem a médio e longo prazo. E por regra, pelo menos no meu caso, o que me faz sentir bem são todas as coisas simples do dia a dia que alimentam não os meus impulsos, mas a minha alma.

Praticar o desapego é, no fundo, conseguirmos libertar-nos do que nos torna mais tóxicos, confusos e menos consistentes. A minha luta pelo equilíbrio passa por tudo isso, mas gosto mais de estar focada na prática do apego. Ou seja, invisto o meu tempo tempo a escutar os sinais do corpo para perceber o que é que realmente importa e me traz felicidade. A minha felicidade, que só eu conheço, e que é diferente para cada um de nós. 

Mas, também para isso, é preciso calma. É que, para chegar a este estado de estar e ser feliz é preciso paciência, resiliência e, acima de tudo, calma. É importante escutarmos os que nos rodeiam, os conselhos que possam ter para nos dar, mas esta é uma jornada que depende de cada um de nós. E a nossa intuição é poderosa, raramente nos engana. Todos queremos ser felizes, verdade? Mas para isso, interessa saber o que é que nos faz feliz, e não o que é que faz os outros feliz. Entendem?

E com isto, quero explicar-vos o que é que significa, para mim, praticar o apego. Sempre que o pratico, sinto uma tremenda satisfação e tranquilidade cá dentro. É uma sensação tão reconfortante e poderosa que me faz perceber que é isto. É isto que devo fazer para me manter feliz, leve, preenchida, serena, alegre e capaz de tomar as melhores decisões. E o que é que eu faço para praticar o apego?

— Todos os dias tenho de ter tempo para cuidar do meu corpo, e isso passa por exercitá-lo diariamente, seja em casa de janelas abertas a olhar para a varanda, ou na rua a sentir a envolvência da natureza que me rodeia. Esta ligação com a natureza ajuda a colocar tudo em perspetiva, a ser simples, natural e genuíno. 

— O apego aos alimentos que nos nutrem e nos dão vitalidade, graças às boas matérias primas que a natureza nos dá, e que estão cheias de poder e energia. Comer o certo e na dose certa dá discernimento, ajuda na criatividade e não desenvolve pensamentos tóxicos. Experimentem passar três dias a comer açúcares refinados, comida processada e embalada e depois, outros três dias a comerem comida real e sem nada adicionado. Depois, vejam como o corpo reage. Quem tem uma alimentação pobre em nutrientes não tem energia para criar, e a pouca que tem é para desejar a vida dos outros. 

— Praticar o elogio honesto e verdadeiro com os amigos e familiares de que gostamos é muito importante para mim, por isso, todos os dias elogio alguém. Felizmente, estou rodeada de pessoas inspiradoras, que despertam o melhor de mim. Gosto de fazer um telefonema para dizer “amo-te”, “tenho saudades tuas”, “lembrei-me de ti enquanto corria e tenho vontade de estar contigo”. Gosto de dizer o que sinto na cara de alguém quando essa pessoa me faz sentir coisas boas ou quando ela está particularmente especial. “Estás tão bonita hoje”, “essa roupa faz-te elegante”, “contigo estou sempre a aprender e evoluir”, “contigo não dou conta do tempo passar”. Quando dizem isto a alguém, sendo honesto e puro, reparem na cara da pessoa. Reparem só como ela ficou feliz e automaticamente, somos contagiados por esse estado de felicidade. De repente, com algo tão simples, estamos felizes por elogiarmos. 

— O apego também é trabalhar em comunidade e fazer parte da mudança para um mundo melhor. Quando alguém pede algo e nos mostramos disponíveis para ajudar, sentimo-nos melhores. Melhor ainda é quando essa ação teve um impacto positivo na pessoa ou no projeto que estamos a apoiar. Gosto de me sentir útil e saber que aquilo que faço melhora a vida dos outros. Sou feliz a apresentar o “Somos Portugal” porque estou a entreter e a ser a companhia de alguém, sou feliz a usar a minha voz para dar a conhecer projetos de gente empreendedora nas áreas da sustentabilidade, sou feliz a partilhar nas minhas redes sociais o meu jeito de viver simples e, com isso, impactar positivamente os outros, sou feliz a fazer voluntariado, sou feliz a fazer feliz os outros, mas sem nunca me esquecer de mim.

Enumerei os quatro pontos mais importantes. São apenas quatro, mas com uma boa estrutura. Estou sempre alinhada neste propósito. E quando assim é, o desapego daquilo que não me importa é evidente, naturalmente. A necessidade de desapego existe sempre que o equilíbrio tende a balançar. O acessório é sempre importante. Mas nunca podemos por em causa aquilo que é estruturante. 

Faz sentido?

Um beijo nos vossos corações, cheio de apego.