I Am Isabel Silva

Aveiro encheu-me o coração nesta manhã de domingo. E já só penso em voltar a correr pela cidade

A segunda corrida da Tour dos IncríBeis levou-me à cidade que é capital de distrito da minha terra. Conheci corredores que se queriam superar, e só nos faltou mesmo ir às Tripas.

Grande Tour dos IncríBeis na cidade de Aveiro! É a Veneza de Portugal, sem dúvida.

Realmente, a corrida tem este poder de atrair boas pessoas. Eu costumo dizer que foram mais elementos que se juntaram à família dos IncríBeis. Aquilo que me está a dar realmente muito gosto — e não posso deixar de referir, porque senti isso em Braga, e voltei a sentir em Aveiro —, é que eu não conheço realmente estas pessoas, e só as conheço mesmo no momento em que nós nos encontramos, às 9 horas da manhã, num ponto de encontro, para começamos a correr às 9h30. Só conheço, realmente, essas pessoas quando estaciono, saio do carro e começo a ir à procura de quem serão os três runners que vão correr estes 10 quilómetros ao meu lado.

É muito engraçado porque eu saio do carro, eles começam a levantar a mão, porque eles já sabem quem eu sou, e eu muitas das vezes não estou bem a ver quem eles são, cumprimentamo-nos, começamos a falar e é tão engraçado como não nos conhecemos mas começamos logo a falar como se tivéssemos estado juntos há duas horas. Não sei explicar, é mesmo IncríBel.

Como sei que nunca começamos a correr a esta hora e que temos sempre um pequeno encontro antes da nossa corrida, marco sempre para as 9 horas, para termos ali cerca de 30 minutos para nos conhecermos. “De onde és, o que é que fazes, porque é que vieste, o que é que costumas correr, qual é a tua grande paixão?”, são estas algumas das perguntas que fazemos uns aos outros. E é aqui que se vê que uns vêm do trail, outros fazem ultramaratonas, outros começaram a correr há pouco tempo, outros estão a preparar-se para uma meia maratona.

É o caso da nossa querida Melissa, que em setembro quer correr a Meia Maratona do Porto, e que me disse: “vim correr com os IncríBeis porque quero que tu, Isabel, partilhes comigo a tua experiência enquanto corredora, no que toca às distâncias de 21 quilómetros.”

Depois temos uma Ana Cláudia, que tinha uma vida bastante sedentária há uns anos e que, de repente ela e o marido, por questões de saúde, mudaram os hábitos alimentares e começaram a correr. Naquele dia, a Ana foi ao treino dos IncríBeis para se superar, porque nunca tinha corrido 10 quilómetros. Neste treino ela queria mesmo terminar o percurso.

Temos também o nosso Bruno, que participou no passatempo dos IncríBeis porque uma grande amiga dele queria correr, mas está lesionada e, como não podia, incentivou-o a participar. E também adorou. É uma pessoa que já faz trail e meias maratonas e que adora correr.

Ou seja, antes de começarmos a correr fazemos sempre uma espécie de BI uns aos outros para nos tentarmos conhecer, para perceber quem é que somos, de onde vimos, e porque estamos ali. Porque isso é muito importante. Por isso é que, para mim, me faz sentido tudo isto. Não é chegar, dizer olá e começar a correr. É perceber porque é que as pessoas estão ali, porque é que quiseram levantar-se cedo a um domingo para virem ter comigo e correr 10 quilómetros. O que é que as move? E é muito interessante perceber o que é que move estas pessoas, e claro que eu fico mega feliz e de coração cheio por perceber que todos gostam de mim e que também estão ali por mim. Mas sinto, sobretudo, que estão ali porque adoram correr.

Foi muito engraçado porque o Licínio é de facto a pessoa que já conhece os locais, e ele tem uma ligação muito forte a Aveiro porque é a terra dele. Portanto também foi muito bom sentir a energia e a alegria dele, mas realmente, quando começamos a correr é engraçado que quem acaba por assumir as rédeas do percurso não sou eu nem o Licínio, mas sim as pessoas que são da terra e que vêm correr connosco.

Neste caso, a querida Ana Cláudia assumiu as rédeas. Ela estava numa prova de superação mas, ao mesmo tempo, estava a indicar-nos o caminho. E agora vamos pelo centro, e agora à direita, e à esquerda, e tudo mais. Para mim foi incríBel porque eu nunca tinha corrido em Aveiro, e eles mostraram-me a cidade enquanto estava a correr. Partimos da Antiga Fábrica Jerónimo Pereira Campos e passamos em algumas das zonas mais emblemáticas de Aveiro. Desde o Rossio, o Mercado do Peixe, a Ponte do Laço e de São João, a Universidade, vários parques, a Sé, passámos também por um viaduto com vista panorâmica para a Ria e terminámos o nosso percurso no Cais da Fonte Nova.

E, lá está, o que é interessante é que eu gosto de fazer estes 10 quilómetros a um ritmo confortável para todos, para também pudermos descomprimir. Estes 10 quilómetros não são para corrermos rápido, são para corrermos a um ritmo confortável, que nos permita conversar, desfrutar da paisagem, até, se calhar, parar um ou dois segundos para tirar uma foto, e terminarmos. Mais do que terminarmos cansados do treino, é terminarmos de coração cheio porque foi uma oportunidade de convívio. E foi isso que aconteceu.

De facto esta Tour tem sido mágica, porque é uma oportunidade de conhecer, uma vez mais, as maravilhas do nosso IncríBel Portugal. Em Aveiro fomos dar uma volta de moliceiro, comemos ovos moles e só não fomos às tripas porque não houve tempo porque, entretanto, cada um tinha de ir às suas vidas. É que nós não estamos juntos só durante a corrida, é o antes, o durante e o depois, porque quando acaba a corrida nós ainda vamos conviver mais um bocadinho. Portanto isto, para além de tour, é um convívio dos IncríBeis. Só para vos dizer que encontrámo-nos às 9 horas e só nos separamos já passava do meio-dia. Sendo que fomos fazer um treino de 10 quilómetros.

Foi espetacular conhecer a cidade de Aveiro, as pessoas são muito simpáticas, foram muitas as que nos cumprimentaram ao longo do percurso e foi bonito ver aquela mancha vermelha de corredores. Só nos faltava o dorsal ao peito. É isto que nos move, é esta energia. Quando me perguntam de onde vem a minha energia, ela vem muito daqui, também. A corrida desperta o meu lado melhor, ativa as coisas boas que eu tenho. Faz isto comigo e, seguramente, com todos os que foram correr comigo.

E, mais uma vez, ficaram aqui pessoas para a vida. No final disse-lhes: “quando voltar a Aveiro, vou-vos ligar e vamos fazer uma corrida juntos.” É isto que fica. E eu aconselho-vos mesmo a verem este vídeo, que foi gravado e editado pelo meu querido Rodolfo, que também corre connosco para ter imagens para vos mostrar.

Foi uma família que aqui nasceu. Eu adorei, e ainda estou a desfrutar desta experiência, mesmo sabendo que daqui a dias estou em Faro para correr com os IncríBeis desta cidade do sul.

E esta também foi uma corrida especial para mim porque corri na cidade do meu distrito. Sou de Santa Maria de Lamas, concelho de Santa Maria da Feira, que faz parte do distrito de Aveiro, portanto corri, claramente, em casa. Quando corremos em casa, junto das nossas raízes, a energia também é muito mais especial.

Esta é energia que me move a mim, a todos os corredores, e é esta a energia que me alimenta, a mim e à EDP, que está comigo em todos estes projetos que contribuem para o bem-estar e para a saúde de todos.

VÍDEOS
Rodolfo Franco

AGRADECIMENTOS
Hotel Mélia Ria
Run4Excellence