Os 5 passos mais importantes ao escolher um cosmético verdadeiramente natural

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12.05.2022

A cosmética natural está definitivamente na moda – ninguém tem dúvidas de que as pessoas se estão a tornar mais conscientes nas suas opções e isso inclui a grande quantidade de produtos de higiene e cosméticos que usamos diariamente. Mas afinal o que significa cosmética natural exatamente?

Bem, cosmética natural quer dizer muito pouco ou quase nada… Isto é: pode ser qualquer cosmética que contenha alguns ingredientes provenientes da natureza, como por exemplo, extrato de cenoura ou azeite, mas que, depois, pode conter ingredientes químicos, sintéticos, conservantes e até derivados do petróleo. É por isso que apareceram algumas associações independentes que tentam ajudar na seleção de produtos,  na listagem de marcas e no reporte aos seus ingredientes. A EWG (Enviromental Working Group) é, talvez, a mais conhecida, apesar de ser americana e de poucos produtos europeus serem por eles analisados, mas é – e sempre será – uma referência e uma ajuda. 

O mercado está cheio do chamado “green-washing”, ou seja, de marcas que querem fazer-se passar-se por naturais e que de natural têm muito pouco.

Porque querem as grandes marcas – e até as mais pequenas e artesanais – fazerem-se passar por naturais? Porque agora as pessoas procuram opções mais ecológicas, saudáveis e com menos impacto ambiental.

E porque é que, se querem mesmo ser naturais, não fazem produtos sem ingredientes sintéticos? Porque é mais difícil e mais dispendioso. São produtos que não existem todo o ano, que vêm de produções biológicas agrícolas, que têm preços diferentes todos os anos, que não são sempre iguais e, por isso, que se tornam mais difíceis de trabalhar, tendo validades mais curtas, exigindo mais cuidado a manusear e a armazenar.

É por isso que, hoje em dia, temos mesmo de conhecer bem a marca para podermos confiar nela.

É na procura de transparência que surgem as certificações de cosmética biológica, esta sim, a verdadeira cosmética natural.

Que organismos podem certificar a cosmética biológica?

Foram criados vários organismos independentes, com nomes e regras diferentes, nos diversos países do mundo, dificultando, assim, a percepção pelo publico.

Nomeio aqui algumas, provavelmente as mais conhecidas:

Quando aprofundamos um pouco a informação destas associações, conseguimos perceber que – apesar das suas diferenças – o que as une são as semelhanças: todas têm uma lista de ingredientes proibidos como parabenos, ftalatos, laureth e lauryl, sulfatos de sódio e similares, silicones, óleos minerais (derivados do petróleo), vaselina e parafina – outros derivados do petróleo, glicerina não vegetal, alumínio, entre outros produtos sintéticos suspeitos de não são inofensivos a longo prazo.

Mas também existem regras ambientais restritas, como a limpeza das instalações fabris, os produtos e processos utilizados com as embalagens, tintas, materiais, com os animais e outras que proíbem os testes em animais no produto acabado, mas também nas matérias-primas.

De forma sucinta ,estas associações  permitem que as marcas usem o seu símbolo sempre que cumprirem as suas regras ecológicas e permitem uma auditoria às suas instalações.

Mas afinal, como posso eu reconhecer que um cosmético é mesmo natural?

Infelizmente – e por enquanto – não é uma tarefa fácil, mas podemos trabalhar a confiança e com algumas regras simples ter produtos verdadeiramente naturais em casa.

Estes são, para mim, os 5 passos mais importantes para se escolher um cosmético:

  1. Começa por procurar cosmética biológica certificada por uma destas organizações referenciadas acima. Não compres produtos que se certificam a eles próprios – se uma marca tem uma certificação que mais nenhuma outra tem, desconfia!
  2. Lê os rótulos, identifica os maiores inimigos da cosmética natural e começa por evitar produtos que os contenham. 
  3. Não compres marcas que produzam produtos não naturais – nunca se consegue estar dos dois lados ao mesmo tempo. Escolhe marcas que assumam o natural e o ecológico como o seu modo de vida. Assim, sabes que estarão sempre com os valores alinhados com essa filosofia.
  4. Procura especialistas, faz perguntas, experimenta e vê o que vai funcionar e faz sentido para ti. Queremos sempre o creme milagroso que funciona para a pessoa X, mas somos todos diferentes e, por isso, não existe o melhor produto do mundo, existem as rotinas mais adequadas a cada individuo.
  5. E lembra-te: quando renovares os teus produtos em prol de uma escolha mais eco e sustentável, não mandes tudo fora, seria muito pouco ecológico! Para cada produto que acaba – pensa em alternativas, visita lojas, pesquisa e escolhe um substituto de uma marca que te dê confiança. Passo a passo vai ser mais fácil e mais confortável para ti.

Não te esqueça de que, independentemente da tua escolha, o importante é que seja consciente, que seja fruto da tua decisão e que reflita aquilo que é importante para ti. Cada compra é um voto que damos ao mundo que queremos ver e, por isso, escolhe o que para ti é importante e te faz sentir bem.

Cátia Curica

Farmacêutica e macrobiótica, mas foi a medicina tradicional chinesa que a fez entender a pluralidade do que é “ser saudável”. Cátia Curica acredita numa beleza natural e na saúde proveniente da natureza.

É através das lojas “Organii”, que se dedicam à cosmética biológica, e da marca “Unii”, desenvolvida na sua fábrica situada em Sintra, que a empreendedora ajuda as pessoas a terem uma pele saudável, num corpo igualmente saudável: sempre através da natureza.