I Am Isabel Silva

Fiz 5 dias de Trekking na Madeira. Isto foi o que comi durante a minha viagem

Esta é uma daquelas perguntas de muitos dos que acompanharam a minha aventura através das redes sociais. Hoje, venho contar-vos tudo.

Quando escolhi as férias que queria fazer este ano sabia que tinham de ser em contacto direto com a Natureza. Sabia também que ia com um propósito bem delineado: fazer algo que ainda não tivesse feito e que há muito desejava.

Na última vez que estive na Madeira com os meus amigos, em março deste ano, fiz, pela primeira vez, uma levada. A Madeira tem 57 quilómetros de comprimento e 23 de largura. Nesta área, área existem 2300 metros de levadas. Mais do que a maravilhosa poncha e o suculento bolo do caco, para mim, a imagem de marca desta ilha são as levadas e a experiência arrebatadora e única que elas conseguem proporcionar.

E agora vocês perguntam-me: mas afinal o que são levadas?

As levadas são canais de água que foram criados com o objetivo de transportar a água do norte (clima mais húmido) para o sul (clima mais seco) da ilha. São elas que fornecem água para irrigar os campos de cultivo e para consumo dos madeirenses.
Esses canais de agua estão inseridos em paisagens lindas, desde a floresta Laurissilva até às encostas mais rochosas.

Foi quando fiz a minha primeira levada – a das 25 Fontes – que a minha vontade para fazer um trekking por levadas e trilhos na ilha despertou. Na altura, o Fábio Castro, guia da Adventure Kingdom, aguçou a minha curiosidade e desafiou-me a conhecer a Madeira desta perspetiva.

Existem percursos para todos os gostos, para todas as idades e condição física. O que fiz foi adequado à minha vontade e experiência de quem organizou. Eu não queria só fazer as mais planas, mas sim intercalar com trilhos em altitude, levadas a norte e outras a terminarem na água. Enfim, queria palmilhar a ilha durante cinco dias apenas ali… na natureza e com a natureza.

A Joana e o André, amigos recentes e para a vida, embarcaram comigo nesta experiência e deixem-me dizer-vos que, se um dia quiserem fazer umas férias deste género, reflitam bem sobre as pessoas que querem levar convosco e no guia que organiza a vossa viagem.

São dias intensos onde o espírito de equipa, a tolerância e a resiliência devem estar bem presentes. Por muito que gostemos dos nossos amigos do coração, convém refletir se eles estão alinhados com o nosso propósito.

Bom… isto é só um pequeno “reminder” que convém reforçar, porque vai influenciar diretamente o vosso estado de espirito nesta aventura. No meu caso, não podia ter corrido melhor.

Queríamos “desbravar mato” e estar no flow da caminhada, ou seja, ninguém pensava em chegar, mas sim em estar ali a caminhar, a observar a abundância das nossas florestas, a escutar o nosso guia e a partilhar momentos de risada e entreajuda – fosse entre nós ou com as pessoas que íamos conhecendo.

Nos primeiros dois dias ficamos na Quinta do Furão, no norte da ilha, mas nos restantes dias optamos por ficar num apartamento para podermos organizar as nossas marmitas durante os dias de trekking.

O que levei para comer nesta viagem

A comida serve para:
— Nutrir
— Proteger
— Energizar

Para mim, tudo isto significa também que a comida tem de ser saborosa e colorida. E para curtir estes dias ao mais alto níBel, não duvidem de que aquilo que comemos é vital para nos dar a energia a mesma vontade de que precisamos. O segredo está em levar comida simples mas cuja matéria primeira seja de qualidade, com um elevado valor nutricional.

Por essa razão, ainda em Lisboa, comprei os meus essenciais para depois, na Madeira, poder cozinhar.

Esta lista que quero partilhar convosco foi pensada tendo em conta as caminhadas que íamos fazer, onde o desgaste físico é muito e não há restaurantes à nossa volta.

A minha lista de compras

Arroz Integral
Sem dúvida, o meu cereal favorito e o mais íntegro de todos. Os cereais integrais são uma fonte muito rica em hidratos de carbono e nutrientes, entre eles vitaminas do complexo B e outras, mas também de proteínas e minerais.

É bom para os intestinos, vias respiratórias, sistema nervoso, cérebro, olhos, pele e cabelo. É o melhor cereal para desintoxicar e dá-nos uma energia limpa e poderosa. Comprei arroz para três pessoas e para durar cinco dias. Basicamente, levei três quilos de arroz.

Cevada
É um cereal mineralizante e muito fácil de digerir. Agora é a altura dele e gosto de misturar com o arroz integral.

Aveia
Mais um cereal super nutritivo, rico em gorduras, proteínas e vitaminas do complexo B. É energético e calórico, ótimo para desportistas.

Feijão Azuki
Este “menino” é muito nutritivo. Para terem uma noção, 100 grama de azuki contêm 19.87 gramas de proteínas, 66 miligramas de cálcio, entre outros benefícios.

É ótimo para proteger do tempo frio e das doenças que o acompanham e é a conjugação perfeita para comer com o arroz e cevada.

Algas
São os chamados legumes do mar. Têm uma grande riqueza em minerais, particularmente em cálcio, vitaminas, entre elas B12, e hidratos de carbono. Basta serem hidratarem em água e adicionar aos vossos pratos.

Sementes e Frutos Secos
Gordura da boa, é disso que precisamos sempre, mas especialmente em dias mais desafiantes como estes. Levei na mala sementes de girassol e abóbora, amêndoas e nozes, figos e sultanas.

Barras energéticas
Neste ponto acho que todos adivinham: levei a minhas barras da IncríBel, sobretudo pela simplicidade dos alimentos e por serem ricas em hidratos e acúcares naturais. Escolhi as de Amendoim Salgado e Cacau e Quinoa Crocante.

Latas de atum ao natural
Adoro uma boa latinha de atum ao natural. Não tem nada que enganar. Proteína boa, simples e fácil de juntar às refeições.

As minhas marmitas

Fundamental levar as caixas das marmitas para lanches e refeições. A partir daqui, cozinhar nunca foi tão simples. A ideia não era tanto fazer pratos elaborados, mas sim ter comida simples, limpa, que me desse energia e que, claro, tivesse sabor.

Quando cheguei ao apartamento fui logo para a cozinha para demolhar as leguminosas e cereais. No dia seguinte cozi tudo, de forma a ter todas as bases preparadas para os cinco dias.

Uma das coisas que fiz quando cheguei à Madeira foi ir até ao supermercado mais próximo para comprar coisas que sabia que facilmente encontrava na ilha. Entre elas:

— Bananas da Madeira
— Legumes da época
— Batata doce
— Azeite
— Vinagre

Posto isto, partilho convosco as várias opções de comida que levei comigo nos diferentes dias. Confesso que não pensava muito nos momentos de almoço ou lanche. O importante é comer, com qualidade, independentemente da hora.

As minhas refeições durante o Trekking

— Arroz com cevada e feijão azuki. Como topping, sementes tostadas;
— Arroz com Atum, amêndoas e sultanas;
— Batata doce com feijão azuki e sementes;
— Legumes cozidos como brócolos e a famosa boganga (uma madeirense ofereceu-nos esta espécie de abóbora);
— Nabo ralado e cenouras;
— Arroz com tremoços, feijão e figos;
— Papas de aveia em água com banana, sementes e amêndoas ou amendoins salgados.

Esta foi sempre a minha base. Agora, como imaginam, tive dias mais desafiantes do que outros.

Posso dar-vos o exemplo do Trilho da Encumeada, um dos meus preferidos. Essa vereda (ou trilho) é de apenas 11 quilómetros, porém sobre a Crista do Maçico montanhoso central, em grandes altitudes.

Para fazer este percurso, são precisos açúcares lentos e rápidos. O Bolo de Mel da Madeira salvou-me nestes dias mais exigentes, acreditem que fez toda a diferença. Quando estamos numa determinada região, também é importante comermos aquilo que as pessoas da ilha comem. Comer aquele bolo ali, naquele contexto, soube mesmo bem, e acredito que ,se o fizesse no continente, não me saberia ao mesmo.

Da mesma forma que ter bebido duas Ponchas no Bar da Chupa em Maroços, no final dos cinco dias de Trekking foi das melhores experiências de poncha da minha vida. Ainda comi amendoins e tremoços picantes e se, inicialmente, podia achar que aquilo ia afetar o bem estar do meu estômago, pelo contrário, era exatamente aquilo que o meu corpo, físico e emocional, estava a pedir. Há momentos para tudo, e há bebidas e doces que só nos sabem bem em determinados momentos da nossa vida.

Foi tudo perfeito. E a aguardente que o pai do Fábio nos fez para bebermos com o café a meio do dia também foi o boost perfeito de energia para seguir caminho, alegres e soltinhos.

Para terminar, em jeito de balanço, faltou aqui adicionar um adjetivo ao propósito da comida: ela serve nutrir, proteger, energizar, mas também para despertar emoções. E se muitas das vezes a fome emocional nos leva para aquilo que não devemos ou sabemos que nos vai afetar pela negativa, então pensem que a comida também tem a capacidade de despertar emoções que contribuem para a nossa alegria, equilíbrio de foco. Não duvidem.

Tudo o que eu comi, no meio de ponchas e bolos de mel, caiu-me sempre bem, porque a base esteve sempre alinhada. Durante cinco dias escolhi os melhores hidratos, proteínas, mineirais, vitaminas e gorduras para este que este corpo, além de se aguentar, curtir à brava desta aventura numa ilha tão bonita e surpreendente como a da Madeira.

A minha sugestão, caso queiram fazer esta viagem: escolham um parceiro de confiança. Eu fui com a Adventure Kingdom e aconselho vivamente. E prova disso é que, ainda este ano, a Bélinha vai fazer outro Trekking, com um nível superior. Tudo aventuras que vou partilhar, com muito prazer.

AGRADECIMENTOS
Visit Madeira
Adventure Kingdom