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I Am Isabel Silva

O meu roteiro na Madeira com os meus amigos foi inesquecível

Estive de férias uma semana na ilha da Madeira. Tive experiências únicas porque estive no paraíso e levei os meus amigos. Quero partilhar tudo convosco.

Esta não é a minha primeira vez na ilha da Madeira. Na verdade, já visitei este paraíso três vezes. A primeira, quando era adolescente,  recordo-me de ter passado o fim de ano com os meus pais na ilha. Mais tarde, vim em trabalho, quando apresentei o meu segundo livro na Feira do Livro. A última visita foi em 2020, quando vim fazer várias reportagens durante o mês de agosto sobre gastronomia, tradições e turismo de natureza.

Foi precisamente nesta última viagem que, verdadeiramente, me apaixonei e coloquei como meta 2021 passar umas férias na Madeira. Pelo menos, sete dias, para conseguir desligar e desfrutar. Mas, a ser, tinha de ser na companhia dos meus amigos-irmãos. 

Sinto falta de convívio e, sobretudo, de partilhar. Partilhar momentos e experiências que me façam rir desmesuradamente, que me dêem leveza e paz de espírito e me façam desligar das minhas rotinas diárias. 

O Rúben, a Inês e a Rafaela embarcaram comigo nesta aventura. E foi tão divertido. Acredito que, ainda hoje, a Madeira se deve rir das nossas peripécias.

No aeroporto de Lisboa, rumo à Madeira

O que queria (mesmo) fazer na Madeira

Viajar em trabalho e, sobretudo, no meu trabalho, em que mostro o que de melhor se faz na região, é uma lufada de ar fresco. Mas isso não significa que descanse e que defrute das experiências que estou a partilhar.

Posso dar-vos o exemplo de um apontamento de reportagem que realizei no Jardim Monte Palace. Este é um jardim-museu dos mais bonitos onde já estive, com plantas exóticas e árvores de todos os continentes, cisnes e patos que circulam livremente nos jardins, uma coleção ao ar livre de azulejos que relata a historia do nosso Portugal e coleções de minerais de perder de vista que vieram de todos os cantos do mundo. 

Posso dizer-vos isto tudo porque, a verdade, é que fiquei com uma ideia do espaço, mas não o suficiente para viver a experiência com o meu ritmo. Por essa razão, passar uma manhã no Monte Palace era um ponto obrigatório nestas minhas férias, e assim foi.

Fazer uma levada

Fazer uma levada era outro dos meus objetivos nestas férias. Tinha de ser. As levadas da Madeira são uma das características mais geográficas da ilha. Eu queria fazê-lo a pé e, claro, por ser a primeira vez, com um guia para partilhar comigo algumas curiosidades sobre os sítios onde estava a passar. 

O Fábio da Adventure Kingdom escolheu a Levada das 25 Fontes para o nosso batismo. E porquê esta levada? Não só pela beleza das 25 fontes que durante todo o ano caem na lagoa existente, mas também porque ele sabia que eu queria um pequeno desafio do ponto de vista do exercício físico. O último quilómetro foi sempre a subir, e posso garantir-vos que foi das subidas, a pé, mais desafiantes que fiz nos últimos anos. Chegamos, como se costuma dizer, “em pinga”.

Mas afinal o que são levadas?

As levadas são canais de água com um declive suave, criados para transportar a água do norte da Ilha para o sul, onde o clima é mais seco, com mais população e plantações. 

Hoje em dia, as levadas servem para nos aventurarmos e descobrirmos a natureza da Ilha. Existem várias levadas, mas nunca se esqueçam de escolher uma que esteja adequada à vossa condição física para poderem desfrutar ao máximo. 

Ver o dia nascer no Pico do Arieiro

O sol nascia às 7h15 da manhã e, para chegar a um dos picos mais altos da ilha e desfrutar de um incríBel amanhecer com uma paisagem inspiradora, acima das nuvens, tivemos de sair do hotel às 6h00. E assim foi. 

Tive a sorte de estar um dia lindo e, por isso, pudemos desfrutar da experiência ao máximo. Fomos bem agasalhados, porque faz muito frio lá em cima, mas valeu muito a pena.

O Marco da Discovery Island levou-nos no seu jipe e, uma vez mais, deu-nos informações preciosas sobre a ilha. Não há muitos lugares no mundo onde possamos acordar e, em 45 minutos de carro, estar a mais de 1800 metros de atltitude. 

Foi absolutamente maravilhoso. Por estarmos acima das nuvens, pelo silêncio e por sentir que estávamos todos conectados – nós e todos os caminhantes, ilheus e turistas que ali estavam. 

Fomos em jejum e, no final, descemos até ao Chão das Feteiras para tomarmos o pequeno almoço. 

Sabem, a Madeira surpreende a toda a hora. Parece um sítio tirado de um filme. Um local encantado onde muitos ilheus se deslocam para piqueniques e banhos de sol.

O Marco levou-nos café e pedimos à VantasticFoodTruck que nos preparasse a primeira refeição do dia, um pão Bao de fermentação lenta, um pudim de chia e um sumo natural. Soube-nos pela vida.

Almoçar na Quinta do Furão

Já tinha estado na Quinta do Furão, quando vim fazer a apresentação do meu livro. Na altura, lembro-me de que bebi um chá e apreciei uma vista soberba da zona norte da Madeira. Lá está, foi bom mas soube a pouco. 

Por essa razão, quis voltar com tempo para apreciar uma boa refeição e conhecer ao detalhe esta Quinta — que também é hotel — e que está rodeada de vinhas e flores autóctones.

Almoçamos na varanda e só queria contemplar o oceano. É daquelas refeições que, se a companhia também for boa, carrega baterias. 

Comemos lapas como entrada e abusamos (e muito) do pão caseiro de batata doce feito no forno da Quinta. É um dos mais afamados da região.

Se forem lambareiros e amantes de cheesecake, posso garantir-vos que este é dos melhores que já comi na minha vida. Sente-se a qualidade dos ingredientes e, para quem não abusa dos doces, a expressão “Perdoa-se o mal pelo bem que sabe” faz todo o sentido. 

Praia do Porto do Seixal

Para mim, a praia mais bonita do mundo. A praia do Porto do Seixal encanta-me pela cor preta da areia que contrasta com as verdes escarpas e montanhas do norte da ilha e o azul do céu. São contrastes que formam um todo magnífico. 

Só me faltava estender a toalha e dar um mergulho nestas águas. Neste dia, a água estava na temperatura perfeita. Não admira que seja uma das praias mais populares da região. 

Observação de Cetáceos

Esta era outra das atividades que queria muito fazer na ilha da Madeira — observar as baleias e golfinho no seu habitat natural. Fomos acompanhados por uma bióloga marinha, a Helena da Rota dos Cetáceos, que nos explicou que espécies poderíamos avistar e a forma como as mesmas vivem.

As rotinas que quis manter

Mesmo de férias e com vontade de fazer uma pausa nas minhas rotinas, há coisas que nunca quis abdicar por saber que me fazem sentir bem. O nosso ritmo biológico deve ser respeitado, porque é ele quem equilibra as emoções e permite desfrutar das experiências na dose que consideramos ser a certa.

Sem fundamentalismos, mas com consciência de que o mais importante é o meu equilíbrio, manter a rotina, não de treino, mas de atividade física, assim como ter sempre um sono reparador (não deitar muito tarde e dormir, pelo menos, sete horas) eram as minhas metas.

Tive a sorte de, nos dois hotéis onde fiquei – o Vila Porto Mare e Les Suites —  terem um espaço de fitness onde podia fazer exercício sempre que quisesse.

Tive dias em que fiz alongamentos, algum trabalho de reforço muscular, outros em que dei uma corrida ligeira na passadeira. Às vezes, bastavam 30 minutos para me sentir com a energia certa para encarar o dia. Sim, porque quando falo em atividade física com foco no bem estar, falo de uma das minhas fontes de energia.

Dar movimento ao corpo, despertá-lo para o dia que aí vem, é imprescindível para mim. Simplesmente porque me deixa feliz. E se sabemos de onde vem o que nos faz feliz, porque razão não seguir sempre esse caminho? 

Quanto à alimentação, comi de tudo de acordo com os meus gostos. Provei e saboreei, mas estive longe de comer na dose certa. Deixei as emoções falarem mais alto. E está tudo certo quando sabemos as nossas prioridades do momento.

Nestes dias foquei-me na companhia dos meus amigos e na partilha de experiências.  Vivo sozinha, com o meu Caju, e sou uma mulher verdadeiramente feliz na minha essência, mas acredito muito que a vida também se faz na partilha, na cedência, no respeito e no descobrir novas formas de estar e sentir. Por isso, nestas férias, priorizei a vontade do todo e não da minha parte, e foi muito bom. Aprendi, revivi novas experiências e cheguei a casa mais preenchida.

As férias são uma terapia. E triste é sentir e reconhecer que já não me lembrava disso. 

Por isso e muito mais, viajar está na minha lista de prioridades para o resto da vida. 

AGRADECIMENTOS
Turismo da Madeira