ginástica acrobática

I Am Isabel Silva

Fiz ginástica acrobática com três campeãs e não caí (nem deixei cair ninguém)

Percebi qual seria a minha melhor posição enquanto ginasta, que é preciso muita força no corpo mas, acima de tudo, muita força de vontade para se ser uma boa atleta.

Quando era miúda, fiz vários desportos, entre eles a ginástica rítmica, e na altura via alguns atletas a fazer ginástica acrobática e não achava grande graça àquilo. Lembro-me de que naquela altura o que via resumia-se a três ou quarto números feitos pelas ginastas, algo muito pouco fluído. Mas as coisas mudaram nos últimos anos, e muito.

Agora, a ginástica acrobática é muito mais fluída, parece que as pessoas estão a dançar, entendem? Noto que há ali uma ligação entre a ginástica acrobática e uns movimentos mais artísticos que cada atleta faz individualmente, e dantes não era tão assim. “Mas como é que tu sabes isso tudo, Isabel?”, perguntam vocês, e muito bem. Para perceberem isso, tenho de vos apresentar a Bárbara, a Francisca e a outra Francisca, ou Xica, como lhe costumam chamar, as nossas campeãs de ginástica acrobática.

As sextas campeãs: Bárbara Sequeira, Francisca Maia e Francisca Sampaio Maia

Estas três meninas são as nossas incríBeis campeãs de ginástica acrobática. Já ganharam várias medalhas em campeonatos, mas o maior destaque e um dos seus maiores motivos de orgulho foram as três conquistas que fizeram nos II Jogos Europeus, em Minsk, na Bielorrúsia.

Foi aí que trouxeram para casa três medalhas, duas de prata e uma de bronze, numa modalidade que nem toda a gente conhece. Mas já lá vamos.

É importante perceber que, para aqui chegarem, estas três ginastas tiveram de passar por treinos muito intensos. Tanto a Bárbara como a Francisca Maia, ou Xica, fazem ginástica desde os três anos, sendo que o pai da Xica é treinador de ginástica. Ao mesmo tempo, cada uma delas está a estudar. A Bárbara estuda Psicologia, a Francisca Maia quer ser médica e a Xica está no 10.º ano.

São miúdas extremamente focadas e dedicadas, como percebi no dia que passei com elas no Acro Clube da Maia, onde fazem os seus treinos bi-diários, às vezes a começar às seis da manhã, com pausa para irem às aulas, e depois regressam novamente ao final da tarde para treinarem entre as 17 e as 21 horas. É preciso ter mesmo muito amor ao desporto e à ginástica para fazer isto, e neste dia percebi que se há quem adore aquilo que faz, são estas três campeãs.

O dia com as ginastas

O dia das três atletas começa bem cedo, como vos disse, muitas vezes às seis da manhã para conseguirem cumprir as quatro horas diárias. E logo aqui já fiquei com uma admiração muito grande por todas elas. É preciso ter-se muito foco e muita capacidade de organização mas, acima de tudo, amor a uma modalidade, para conseguir estar em todo o lado.

E a verdade é que vocês podem pensar que elas não têm vida além disto, mas não. É que cada uma delas passa os tempos livres com amigos, família ou, no caso da Bárbara e da Francisca, com os namorados. E tal como elas me disseram, o fator emocional é muito importante, porque é graças a ele que se mantém motivadas e com força para continuar com este ritmo diário.

Neste dia tive oportunidade de saber um bocadinho mais sobre a ginástica acrobática e perceber que é bem diferente daquilo que eu conhecia de miúda. É que dentro da ginástica existem várias modalidades, os trampolins, a ginástica rítmica — que foi a que eu fiz em miúda — a artística e a acrobática. Sendo que de todas elas, só a acrobática é que ainda não é modalidade olímpica, e o grande sonho delas é que isso aconteça, para que possam um dia ter a oportunidade de participar nuns Jogos Olímpicos.

Ainda antes disso, e porque eu própria não tinha muita noção de como as coisas funcionavam neste meio, e aprendi muito com as três, decidi fazer um Vox Pop mesmo no centro da Maia, que é uma cidade muito ligada à ginástica, para ver o que é que as pessoas sabiam sobre esta modalidade.

E o que é que descobri? É que grande parte das pessoas não tem a mínima noção do que é a ginástica acrobática e quais as diferenças entre a rítmica e a artística, e nem sequer sabiam quem eram estas atletas. Por isso, este momento até acabou por ser ótimo para elas, para que pelo menos algumas pessoas já vão reconhecendo as caras destas nossas campeãs. Acho mesmo que elas devem ser reconhecidas no panorama nacional, não só pela sua performance mas também enquanto pessoas, porque isto sim são atletas que inspiram, pessoas que sabem bem o que querem e que organizam a sua vida em torno do que sabem que as faz feliz.

Durante este dia também consegui ver a dinâmica com que trabalham as três e percebi que há ali uma certa dinâmica entre as duas mais velhas, a Francisca Maia e a Bárbara, com a Xica, que é a volante, a posição mais elevada. Isto porque a Xica é mais nova, e arrisca um bocado nos saltos e no posicionamento, e que deixa as mais velhas mais tensas, porque sentem uma responsabilidade muito grande para que ela não se magoe e, na verdade, para elas próprias não se magoarem também. No fundo acabam por ter ali algumas discussões, mas saudáveis, claro, que fazem parte do dia a dia delas.

Além disto, fiquei fascinada com o Acro Clube da Maia. É um espaço onde se pode assistir aos treinos de várias modalidades, não só de ginástica acrobática, mas também de rítmica, por exemplo. Eu para além de ter visto estas atletas a treinarem, vi tantos outros que se dedicam a 100% a esta atividade, e de facto é incríBel ver que temos tantos e tão bons atletas nas mais diversas áreas.

Por isso, se um dia tiverem oportunidade, vão até ao Acro Clube da M e apreciem não só estas ginastas mas todos os outros atletas a treinarem, porque é de facto inacreditável. E se quiserem saber mais sobre o nosso dia, vejam aqui a entrevista no Você na TV onde estivemos as quatro a falar mais um bocadinho sobre esta aventura.

VÍDEO

Rodolfo Franco