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Campeões. Fui andar de BTT com um sobrinho dos Pastorinhos de Fátima (e foi uma aventura)

O David Rosa é o nosso campeão nesta modalidade, mas é também sobrinho neto dos pastorinhos de Fátima e um privilegiado por ter uma família tão única, que o apoia em todos os momentos.

A minha família sempre foi um dos pilares mais importantes da minha vida, e sei que se hoje sou a pessoa que sou, é graças à educação e aos ensinamentos que me deram a Dona Lola e o Senhor Vítor. E da mesma forma que eu sou como sou graças aos meus pais, também o David Rosa é a pessoa e o atleta que é graças ao apoio e ao suporte familiar que tem. “Mas quem é o David Rosa?”, perguntam vocês, e bem. É sobre ele, e sobre BTT, que vamos falar hoje.

O nono campeão: David Rosa

Cada um destes campeões tem uma história, mas a do David Rosa é muito diferente de todas as que partilhei convosco até hoje. É que o David, que tem 32 anos, é o nosso campeão na área de BTT, mas antes de começar a andar de bicicleta ele nasceu numa família muito especial. É que o David é sobrinho neto dos pastorinhos de Fátima, o Francisco e a Jacinta.

O pai do David sempre fez desporto e é professor de Educação Física, e foi muito graças a ele que o David também começou a fazer desporto. Chegou-me a dizer que ainda se lembra de estar a ver os Jogos Olímpicos de 1992 ao colo do pai. Na altura, ele tinha seis anos.

Dois anos antes disso o avô ofereceu-lhe a sua primeira bicicleta quando tinha quatro anos, e não tardou muito até que, por influência dos primeiro, começasse a fazer BTT e a andar de bicicleta pelas montanhas de Ourém, onde sempre viveu. Começou a competir com 15 anos e a sua estreia na Taça de Portugal da modalidade aconteceu em 2002.

Foi o primeiro ciclista em Portugal de XCO, a modalidade em que compete, a marcar presença nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e conseguiu ficar em 23.º lugar na competição, sendo que venceu já vários campeonatos nacionais e internacionais dentro desta modalidade. Neste momento, está a preparar-se para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

O dia de BTT com o David

Este foi, sem dúvida, um dia muito diferente daqueles que passei com outros campeões. Quando soube que o David era da família dos pastorinhos de Fátima quis muito conhecer a família dele, e assim foi. Conheci o pai e a tia do David, que são sobrinhos netos do Francisco e da Jacinta, e quando estive à mesa com eles reconheci-lhes uma simpatia muito genuína. São pessoas que gostam de estar à mesa, de receber e de aproveitar as coisas simples da vida.

Também percebi que o pai do David é uma inspiração e um apoio muito grande para ele. Estive imenso tempo a conversar com ele e percebi que eles se apoiam muito, tanto nos momentos bons como nos menos bons. Gostam de conversar e desabafar sobre os problemas. Mais do que pai e filho, são amigos verdadeiros.

Quando ao treino, a primeira coisa que achei foi que o David era maluco. Falo por mim, que adoro desportos de alto rendimento e de desgaste, mas, para mim, BTT é um desporto de risco, e a verdade é que o David arrisca, e muito, mas ele pode, porque tem os conhecimentos técnicos para o fazer.

É que eu comecei há pouco tempo a andar de bicicleta de estrada, mas a bicicleta de estrada e o BTT são muito diferentes. BTT é percorrer serras e como fizemos em Sintra, e ali pelo meio há caminhos e trilhos onde dei por mim a pensar “mas como é que eu vou enfiar a bicicleta ali e fazer este percurso?”

É incrível ver como aquelas bicicletas são leves, mesmo que não pareçam, e também ver como o David é uma pessoa sem medos. Arrisca e vai à aventura, sem receios porque, tal como ele me disse, é fundamental não ter medo neste desporto, porque o ter medo não nos vai levar a lado nenhum. Ele deu-me exemplos de alguns momentos em que como estava com receio de se lesionar novamente, por lesões que teve, teve medo de arriscar, e isso não pode acontecer. Tem de se ir mesmo com muita confiança.

Confesso que pensei que ainda ia conseguir fazer algumas coisas, mas na verdade não fui capaz, fui um bocadinho medricas. Ainda por cima porque, na altura em que gravei esta reportagem, estava na preparação para a maratona de Nova Iorque e só pensava “vou esbardalhar-me toda aqui e lesionar-me”, por isso é que também fui com mais cautela. Mas acreditem que é uma adrenalina muito grande.

Com isto, não vos quero desencorajar a praticarem BTT, muito pelo contrário. Só quero explicar-vos que esta é uma modalidade que requer alguma prática e técnica, como todas elas. Ao início até podem achar que as coisas não vão correr bem, mas o gosto vai-se construindo e leva tempo, como tudo na vida.

Eu gostei, mas foi uma experiência muito curta. Senti que precisava de continuar a experimentar e a aperfeiçoar a técnica, porque há diferentes tipos de terrenos e vários graus de dificuldade. Só para vocês perceberem bem, o David disse-me assim: “vou levar-te para um terreno de grau 1”, mas aquilo, para mim, era grau 10, malta.

Ele não tem noção, acho eu, porque vive tanto na bolha dele, da alta competição, que acho que aquilo ia ser fácil. Na verdade, tenho de ser honesta, porque quando falei com ele ao telefone disse: “David, é para dar tudo. Eu vou-te acompanhar”, e ele levou o desafio à letra. Por outro lado, também não queria estar a dar tudo logo, porque de tarde íamos fazer um treino de core no ginásio, por isso tive alguma cautela.

O que para mim foi realmente fascinante neste dia foi perceber que, de facto, a boa performance do David se deve muito ao esforço e dedicação dele, mas também ao apoio familiar que ele tem. É que mesmo sendo filho de pais separados, o David não sente que a sua família ficou quebrada, muito pelo contrário. São uma família muito unida, e é delicioso apreciar esta relação.

Senti-me uma privilegiada neste dia, por saber que eles estavam a abrir as portas de casa não só à Isabel Silva, mas também a todos os portugueses que viram esta reportagem, de uma forma tão simples e genuína. A vida é mesmo feita com simplicidade, e o David Rosa e a família dele são prova disso.

Se não viram como foi a entrevista com o David, podem recordar aqui, no TVI Player.