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Sustentabilidade

Transformar máscaras descartáveis em estradas? É essa a sugestão dos investigadores

Três milhões de máscaras seriam o suficiente para criar um troço de um quilómetro de estrada com duas vias, garantem os especialistas.

Todos os meses, mais de 130 mil milhões de máscaras acabam no lixo, segundo escreve o “The New York Times“. Muitas delas acabam também espalhadas pelas ruas, no mar, em rios ou até mesmo nas praias, o que está provocar vários problemas a nível ambiental, tal como uma ativista já tinha alertado no início da pandemia. Contudo, parece haver uma solução: transformar as máscaras em estradas.

Parece impossível, mas é isso que avança um estudo australiano publicado na revista “Science of the Total Environment“. Os investigadores do Royal Melbourne Institute of Technology em Melbourne, Austrália, comprovaram que é possível transformar as máscaras faciais que utilizamos diariamente em materiais que podem, mais tarde, ser utilizados para fazer estradas.

O principal objetivo dos especialistas foi perceber de que forma seria possível evitar recorrer a materiais como o plástico, muitas vezes utilizado para preencher estradas. Durante a pesquisa, perceberam que era possível aquecer as máscaras para simular a desinfeção. Depois, o material foi triturado em forma de tiras e misturado com cimento reciclado. No final, os investigadores concluíram que o material reciclado das máscaras conferia mais rigidez e resistência ao pavimento. As amostras foram depois testadas por engenheiros civis para confirmar se cumpriam com todos os requisitos de segurança necessários.

Una muestra del material reciclado para la construcción de carreteras...
Uma amostra do material que resultou da reciclagem das máscaras. Fotografia: Royal Melbourne Institute of Technology

A investigação foi ainda mais longe e percebeu que, com cerca de três milhões de máscaras, seria possível criar um troço de estrada com duas vias com certa de um quilómetro. Ao reciclar este material, evitariam-se assim cerca de 93 toneladas de desperdício, ao mesmo tempo que se criariam estradas mais resistentes do que aquelas feitas com materiais não reciclados.

“Este estudo inicial analisou a viabilidade de reciclar máscaras faciais de utilização único em estrada, e foi emocionante [para nós] descobrir não só que funciona, mas também que traz benefícios reais à engenharia”, explica Mohammad Saberian, um dos autores do estudo, citado pelo jornal espanhol “El Mundo“. “Esperamos que isto abra portas a mais investigações para que possamos trabalhar em formas de gerir os riscos para a saúde e segurança e para investigar se outros tipos de EPI (Equipamentos de Proteção Individual) seriam adequados para a reciclagem.”