Sustentabilidade

Sexo é bom, mas se for sustentável, é ainda melhor. Explicamos-lhe como

Dos preservativos aos lubrificantes, o plástico está até na sexualidade, mas o impacto no ambiente vai mais além. Sabia que o chocolate, afrodisíaco, não é a melhor opção?

Não há outra forma de dizê-lo mas, à primeira vista, o sexo não é o melhor amigo do ambiente. Ora vejamos: preservativos? Feitos de plástico. Lubrificante? Chega até nos em embalagem de plástico. Até mesmo a lingerie, que no fim de contas acaba no chão, nem sempre é produzida da forma mais ética. Quer isto dizer que temos de deixar de o fazer? Nem por isso, até porque, felizmente, já há soluções.

Pode nunca ter pensado sobre este tema, mas a indústria da sexualidade já, e até tem algumas opções para quem quer seguir um estilo de vida mais sustentável, sem ter de abdicar da sua vida sexual e, acima de tudo, não por em causa a sua saúde. Sim, porque nisto do sexo, a saúde também deve estar sempre em primeiro lugar. É o caso da marca Glyde, à venda na loja Sapato Verde (8,50€), Loja Vegetariana (8,90€) ou na Miristica (7,90€), que apresenta preservativos vegan.

Isto porque, os normais preservativos incluem ingredientes de origem animal, como é o caso da caseína — proteína derivada do leite —, normalmente adicionada no fabrico do preservativo. No caso da Glyde, além de ser usado látex de borracha natural, a caseína é substituída por extrato de cardo, tornando os preservativos 100% vegetais e vegan.

Preservativos Glyde na loja Sapatoverde

O mesmo acontece com os da marca francesa Fair Squared, cujos preservativos são feitos também com látex de borracha natural e materiais de comércio justo. E o melhor? Não foram testados em animais, porque houve uma solução bem mais simples. “Testamos os nossos produtos em nós próprios e não em animais. Segundo 99% da população, as experiências com animais podem ser evitadas”, brinca a marca.

Contudo, apesar de já existir uma alternativa mais sustentável, no que diz respeito à sexualidade, Catarina F. P. Barreiros, fundadora do projeto “Do Zero”, no qual partilha várias dicas de sustentabilidade, partilhou com a dobem. outras dicas sobre este tema. Mas antes, deixou um aviso.

“Nas questões da sexualidade e da contraceção, o mais importante é que cada opção sirva o seu propósito, ou seja, a saúde está sempre em primeiro lugar. Por isso, seja para transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, seja para prevenção de uma gravidez não planeada, o que importa é que cada método contracetivo seja adequado à pessoa que o está a usar”, destaca Catarina F. P. Barreiros.

“A maior parte da sustentabilidade na contraceção está em ser feita da maneira que for adequada para cada pessoa”, acrescenta.

Ainda assim, como tudo o que diz respeito a alternativas sustentáveis não passa ao lado de Catarina, também sobre este tema conhece algumas alternativas.

No que diz respeito a doenças sexualmente transmissíveis, estas não podem ser prevenidas através de métodos naturais, mas se o objetivo for prevenir uma gravidez não planeada, existem “métodos naturais de controlo de temperatura e de muco, de calendário, e um plano com bastante sucesso mundial chamado FertilityCare”, enumera a influenciadora para a sustentabilidade, acrescentando que existem ainda outras opções hormonais. No entanto, não é difícil adivinhar que os mais sustentáveis, por não implicarem consumo e gasto de recursos, são os métodos naturais.

Vamos falar de: lubrificantes

É comum depararmo-nos com anúncios na televisão que dão conta de um novo aroma de lubrificante. Ora chocolate, ora morango, mas sempre com o mesmo formato: uma embalagem de 200 mililitros com uma lista de ingredientes cuja origem pode não ser a mais ética.

A verdade é que antigamente não existiam este tipo de produtos, por isso, fica a questão: a que é que as nossas mães e avós recorriam?

Possivelmente, a opções tão simples como o clássico óleo de amêndoas doces, que, na altura certa, veio a tema no Instagram de outra mulher atenta ao planeta, Anna Masiello — responsável pela iniciativa Hero to 0, que resgata comida do lixo para combater o desperdício, e do projeto R-Coat que transforma guarda-chuvas em casacos.

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Natural lubricant 💦 . . ⚠️I’m just sharing my personal experience, I’m not a doctor so please before trying anything new, do your research and talk to an expert if you need to. . . If you didn’t know yet, lube is used during sex to relieve discomfort and dryness or simply to make things even more pleasurable 😎 I was never keen to buy lube that had many ingredients and that came in super colorful packages… it just didn’t make me feel comfortable to use it on such a delicate area of my body and I worried for my health. So, as with other products, I started to look for options that were natural and plastic-free! I found so many ideas online, but very few convinced me 🤣 First I tried coconut oil which was the most popular option, but it didn’t work for me. If you’re prone to yeast infection, be careful with this one! 💜 Then I finally found the perfect option: sweet almond oil! 💜 It’s very delicate and won’t clog pores or leave a sticky residue and talking to some friends I found out that some gynecologists use it during appointments! Best part, I already found it organic from 2 brands that sell it almost entirely plastic-free: 💦 @unii_organic in a glass bottle with a plastic cap. If you’re in Lisbon you can even refill it at @mariagranel.lx 💦 In @mindthetrash there’s the one from Vegbeauty that comes in a glass bottle with a cork cap (remember that at Mind the Trash you have a 10% discount with the code herotozero) . . ⚠️Oils can cause condoms to break, so pleaaase, if you use condoms search for other alternatives.

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Anna fala sobre a sua própria experiência com este óleo, destacando que “é muito delicado e não obstrui os poros ou deixa resíduos pegajosos” e o mais impressionante é que a fundadora do Hero to 0 descobriu até que este óleo natural é usado por alguns ginecologistas nas consultas.

Além de poder funcionar para algumas pessoas, a outra vantagem é que pode ser comprado a granel nas lojas UNII, Maria Granel, ou em frasco de vidro na Mind The Trash.

Já Catarina F. P. Barreiros, fala ainda dos óleos da marca portuguesa LIMAROSA. É o caso do Sacred Oil (14,90€), com múltiplas funções, incluindo o pós-parto, embora no que diz respeito à sexualidade tenha destaque o uso para massagem do períneo ou massagem mamária.

No entanto, é importante destacar a palavra massagem. Isto porque, de acordo com Catarina, os óleos não devem ser usados com os preservativos. “Os preservativos podem rasgar com óleos. Se a pessoa precisar de um lubrificante, mais vale usar um à base de água do que correr o risco de rasgar”, alerta, e não se fica por aqui.

É que, se até aqui andámos à procura dos lubrificantes mais naturais que existem para evitar as embalagens de plástico e o consumo, Catarina relembra que há um ainda mais natural do que todos estes. “O maior lubrificante é o natural, que só se consegue através de estimulação sensorial, que pode ser física, emocional ou cerebral”, lembra, e preferencialmente não eletrónica.

É que apesar de os brinquedos sexuais serem um bom estimulante, pode não ser o melhor estimulo para preservar o ambiente. Contudo, se mesmo assim não dispensar, quando descartá-los deve fazê-lo no lixo eletrónico, não no comum, e, se possível, optar por aqueles cujas pilhas são recarregáveis, aconselha Catarina.

Lingerie. Se acaba no chão, porque não evitar que acabe durante anos no planeta?

As rendas simples e sexy saltam à vista sempre que entramos numa loja de lingerie. Sim, estamos mesmo a falar daquelas lojas de fast fashion onde qualquer uma perde a cabeça.

Contudo, tal como na roupa, sabemos que o impacto da lingerie no planeta não é o melhor. A segunda mão pode não ser uma opção para algumas mulheres por se tratar de roupa íntima, mas na hora de escolher, eis as melhores opções que pode tomar.

“Privilegiar materiais naturais, feitos à mão, ter a certeza que os locais onde são produzidos não têm pessoas que estão a ser exploradas para fazer essa lingerie”, são algumas das dicas de Catarina.

Como exemplos de algumas marcas de lingerie — daquela que nos salta para as mãos, embora eles ou elas só querem que salte para o chão — existem a My Intimate Cantê, a Organic Basics (feita de modo ecológico, mas não em Portugal), ou ainda a Garden Desire, que tem peças de lingerie feitas à mão.

Apimentar a comida e a relação: é sustentável ou não?

Depende. Existe uma vasta lista de alimentos considerados afrodisíacos, desde amêndoas, chocolate, malaguetas, vinho ou até abacate. Contudo, não é por não os trazer do supermercado num saco de plástico que não têm impacto para o ambiente.

“O chocolate não é super sustentável”, exemplifica Catarina, uma vez que muito daquele que consumimos vem do outro lado do mundo e a produção assenta na exploração humana. Devido ao impacto desde alimento, Catarina até já chegou a desafiar-se a comer menos chocolate.

Já as amêndoas são mais amigas do ambiente, uma vez que é possível encontrar de produção portuguesa, bem como os morangos.

“Super, híper, mega sustentável, e que para quem gosta de sustentabilidade seria o maior afrodisíaco, seria alguém ter os próprios morangos plantados na sua horta e comê-los num date. Isso sim era um belo afrodisíaco”, brinca Catarina.