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Sustentabilidade

Redução das emissões de carbono na quarentena com impacto “insignificante”. É preciso fazer mais

Uma equipa de investigadores diz que, apesar de a curto prazo a redução de emissões C02 ter sido acentuada, é preciso investir numa recuperação económica verde.

Em abril de 2020, mês em que muitos países em todo o mundo se encontravam em confinamento devido à COVID-19, as emissões de carbono caíram em 25% e o óxido de nitrogénio em 30%. Só que estas acentuadas quedas terão tido um impacto “insignificante” para a resolução da crise climática a longo prazo — traduzindo-se numa redução do aquecimento global em apenas 0,01 graus Celsius até 2030, avança um novo estudo publicado na “Nature Climate Change“.

Estamos, segundo os investigadores, na fase do “tudo ou nada”. Por isso, se grande parte dos fundos governamentais pós-COVID 19 forem dedicados a energias limpas e à diminuição da utilização dos combustíveis fósseis, o mundo terá hipóteses de manter o aumento da temperatura global abaixo dos 1,5 graus, limite estabelecido, até 2030, pelos governos mundiais para evitar terríveis consequências climáticas.

A análise foi realizada a partir de dados de mobilidade disponibilizados pela Google e Apple, que permitiram aos investigadores obter informações referentes aos padrões de viagens e de trabalho, fornecendo, quase em tempo real, um retrato sobre o nível das emissões de dez gases de efeito de estufa para a atmosfera, durante e depois do confinamento. A investigação incluiu 123 países que, em conjunto, são responsáveis por 99% das emissões de combustíveis fósseis. 

Mudanças rápidas no comportamento das pessoas podem fazer uma grande diferença a curto prazo, mostra a diminuição das emissões de carbono de abril. Mas, a longo prazo, não é sustentável porque estes padrões comportamentais são pontuais e difíceis de manter. É por isso que o esforço para a criação de uma economia mais verde — com transportes, edifícios e industrias que utilizem energias renováveis — é tão fundamental.

“O efeito direto do confinamento causado pela pandemia será insignificante”, disse, citado pelo “The Guardian“, Piers Foster, autor principal do estudo. “Por outro lado, uma recuperação económica que assente em estímulos verdes e reduções nos investimentos dos combustíveis fósseis, pode evitar um aquecimento de 0,3 graus até 2050.”

Se a recuperação da economia pós-COVID-19 espalhar a recuperação da crise 2008 – que incluiu grande apoio aos combustíveis fósseis — a temperatura global pode subir mais 1,5 graus até 2050, o que poderá levar a danos em todo o mundo. 

Por outro lado, uma forte aposta na recuperação verde, em que se invista em tecnologias de baixo carbono e em que não se resgatem empresas de combustíveis fósseis, provavelmente reduzirá o aquecimento em 0,3 graus, dizem os cientistas.

A temperatura média global em 2019 estava 1,1 graus acima da média a longo prazo e mesmo com as políticas anti emissão de gases tóxicos estima-se um aumento de mais 0,6 graus do que o esperado, até 2015. “Esta é uma oportunidade única para uma geração mudar realmente a direcção da sociedade. Não temos de voltar ao sítio onde estávamos, porque tempos de crise são também tempos de mudança”, diz o autor principal do estudo.