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Sustentabilidade

O que estamos a fazer para mudar o mundo #3: Patrícia Rebelo

Um documentário fez a autora da página The Juicy Edition mudar a sua forma de ver o mundo, e é através das suas plataformas que desmistifica a ideia de que ser vegan é demasiado complicado.

Quando falamos em mudar o mundo, pensamos em algo que só as grandes personalidades têm a capacidade de fazer. Julgamos que são as grandes figuras ligadas à política internacional, à economia, à saúde, à moda, à sustentabilidade e a tantas outras áreas as responsáveis por trazer a mudança de que o nosso planeta tanto precisa, mas a realidade é que, lá no fundo, a mudança está nas mãos de cada um de nós. Basta querermos. 

A pensar nisso, todas as semanas a dobem. vai tentar perceber o que é que algumas pessoas, das mais às menos influentes, acham que estão a fazer e que pode ajudar a mudar o mundo. O objetivo é simples: mostrar como os gestos de cada um de nós, por mais insignificantes que possam parecer, podem fazer toda a diferença para conseguir tornar o nosso planeta num lugar onde todos queremos viver. 

Para Patrícia Rebelo, autora da página de Instagram The Juicy Edition, explicar o que está a fazer para mudar o mundo é “uma pergunta que traz muita responsabilidade”. Mas a realidade é que, nas suas plataformas digitais, Patrícia soma mais de 34 mil seguidores com quem partilha todos os passos que tem vindo a dar ao longo dos anos para tornar o planeta num lugar melhor.

Mas nem sempre foi assim, tal como já contou em várias publicações nas redes sociais. Aos 22 anos, Patrícia partiu à descoberta e mudou-se com o namorado, Fábio, para Londres. Estiveram a morar e a trabalhar naquele país durante cinco anos, e foi lá que começaram a dar os primeiros passos na sua jornada para terem um estilo de vida mais sustentável.

Começou com a alimentação, ao retirar leite, iogurtes e carnes vermelhas das suas refeições, Tudo isso viria a mudar quando, em 2016, viu o documentário “Earthlings”, que mostra a crua realidade de como funcionam os maiores sectores industriais que dependem dos animais. A partir daí, retirou os ovos, o peixe e a pouca carne que ainda consumia e passou a ter uma alimentação exclusivamente vegan.

Com o veganismo veio a sustentabilidade. Passou a estar mais consciente das escolhas que fazia no dia a dia, a ter mais atenção a algumas práticas que, sem nos apercebemos, estão a prejudicar, e muito o ambiente. Desde coisas tão simples como substituir o champô em frasco por versões sólidas a aprender a aproveitar as cascas dos alimentos, Patrícia Rebelo faz de tudo, desde que isso ajude a sarar algumas das feridas que fomos provocando no planeta ao longo dos anos.

Foi-se também tornando numa inspiração para muitas mulheres, não só por partilhar a sua jornada a tentar aumentar de peso, mas também por ter partilhado a sua experiência com uma perda gestacional, em abril de 2020. Ao longo dos últimos meses, Patrícia tem partilhado várias publicações onde fala sobre este tema e de como o apoio certo pode fazer toda a diferença numa fase como esta.

A juntar a tudo isso, em julho de 2020 lançou-se como Health Coach com o seu próprio projeto, o programa (Re)Conecta-te, onde qualquer pessoas se pode inscrever para ser seguida por Patrícia que, neste momento, está a fazer todas as sessões à distância, como a pandemia obriga.

O que é que a Patrícia Rebelo está a fazer para mudar o mundo?

Chegamos então à pergunta que nos trouxe até aqui. Afinal, o que é que a autora da página The Juicy Edition está a fazer para mudar o mundo? 

“Essa pergunta traz muita responsabilidade”, começa por assumir à dobem. “Mas acho que até estou a fazer algumas coisas.”

“Através da minha página de Instagram, vou mostrando às pessoas como é fácil levar uma alimentação de base vegetal, como isso não tem de ser uma coisa super complicada e que é possível fazermos refeições deliciosas e equilibradas só com vegetais, leguminosas, cereais e fruta“, explica Patrícia, que também se tornou adepta das compras em segunda mão. “Comprar roupa em segunda mão não é um drama e não tem de ser visto como uma coisa suja. Acho que ainda existe muito essa ideia preconcebida em que as pessoas pensam ‘não vou comprar porque não sei quem é que usou esta roupa’, mas a realidade é nós podemos sempre lavar — claro que com uma máquina de roupa cheia —, mas acho que é muito bom podermos dar oportunidade a peças de roupa que estão impecáveis e que, de outra forma, iam para o lixo. E não é isso que queremos.”

“Também falo muito de desperdício alimentar, sobre o aproveitamento de cascas, porque acho que é das coisas que mais mandamos fora, e é possível aproveitar as cascas de tudo, até a casca de uma banana, podemos fazer um refogado e fica delicioso“, revela a Health Coach. “Acho que é muito pensar fora da caixa e quando nos dizem ‘não podes comer a casca da banana’ nós questionarmos ‘mas porque é que não se pode?’ Devemos questionar-nos sobre estes temas, fazer pesquisa em fontes credíveis e seguirmos pessoas que nos inspirem e que tenham conteúdo que não seja dizer as coisas só porque sim, que seja verdadeiro, como a Catarina [Barreiros] faz, acho que ela faz um ótimo trabalho nisso.”