mudar o mundo

Sustentabilidade

O que estamos a fazer para mudar o mundo #1: Catarina Barreiros

Fazer a diferença está nas mãos de cada um de nós, basta querermos, e termos a informação certa, e é essa a missão da Catarina: acabar com a desinformação.

Quando falamos em mudar o mundo, pensamos em algo que só as grandes personalidades têm a capacidade de fazer. Julgamos que são as grandes figuras ligadas à política internacional, à economia, à saúde, à moda, à sustentabilidade e a tantas outras áreas as responsáveis por trazer a mudança de que o nosso planeta tanto precisa, mas a realidade é que, lá no fundo, a mudança está nas mãos de cada um de nós. Basta querermos. 

A pensar nisso, todas as semanas a dobem. vai tentar perceber o que é que algumas pessoas, das mais às menos influentes, acham que estão a fazer e que pode ajudar a mudar o mundo. O objetivo é simples: mostrar como os gestos de cada um de nós, por mais insignificantes que possam parecer, podem fazer toda a diferença para conseguir tornar o nosso planeta num lugar onde todos queremos viver. 

E ninguém melhor para nos falar sobre pequenas mudanças que todos fazer no mundo se não Catarina Barreiros. Formada em arquitetura e gestão e com um percurso que passou por áreas como o Styling de Moda, o Marketing Digital e a indústria farmacêutica, Catarina criou o projeto “Do Zero” onde partilha várias dicas de sustentabilidade e que ainda antes do início da quarentena convenceu milhares de pessoas a pouparem a água do banho que, normalmente, seria desperdiçada enquanto esperamos que aqueça. A sério, os dispensadores esgotaram em várias superfícies comerciais.

Mas a relação da Catarina com a sustentabilidade não é nova. Quando era criança, recordou à dobem., fazia reciclagem em casa dos pais e até tinham uma horta, mas foi com a avó que aprendeu algumas coisas que, ainda hoje, faz em casa. “A minha avó reutilizava pijamas e roupas antigas para fazer panos, e lavava e estendia os sacos de plástico que trazia dos supermercados para os voltar a usar”, conta. 

Alguns anos depois, e passada a fase da adolescência e do consumismo, conheceu o marido, João, que a levou a uma conferência de Bea Johnson, autora do livro “Desperdício Zero” e uma das personalidades ligadas à sustentabilidade mais conhecida em todo o mundo. Na altura, como escreve no seu site, Catarina saiu da conferência com um misto de emoções e perceber que também ela podia fazer mais pelo planeta, e isso muito além das discussões que tinha com amigos sobre política, religião e justiça. 

A partir daí, e já depois de ter casado e de ter a sua própria casa, começou a fazer várias mudanças na sua rotina. “Começamos a fazer as coisas muito melhor do que sempre tínhamos feito a vida toda, e foi aí que começou a sério este nosso estilo de vida.”

O que é que a Catarina Barreiros está a fazer para mudar o mundo?

Chegamos então à pergunta que nos trouxe até aqui. Afinal, o que é que a Catarina Barreiros está a fazer para mudar o mundo? 

“O meu pequeno contributo para mudar, ou melhorar, um bocadinho o mundo é combater a desinformação”, conta à dobem. “É trazer às pessoas conteúdos de sustentabilidade que sejam credíveis, fidedignos, ponderados, sem julgamentos, sem ninguém se sentir numa posição de ‘ou não faz tudo, ou não faz nada’ e mostrar que não existem os sustentáveis e os outros.

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Sabem o que realmente me chateia “nisto” das rotinas mais sustentáveis? Estender os mil panos e paninhos que usamos para evitar os descartáveis. Fico genuinamente irritada, porque tenho de abrir paninhos húmidos e fazer tetris no estendal para ficar tudo seco e pronto para mais uma semana de utilização. Mas depois lembro-me do propósito. Lembro-me dos milhares de árvores que ajudo a poupar, dos milhares de litros de água que não foram gastos e na quantidade de roupa sem remédio que não foi ocupar espaço em aterro. E enquanto me lembro de tudo isto… de repente já acabei de estender os panos e fico orgulhosa deste percurso. Em mais de 2 anos de vida com o João, nunca nos fizeram falta os rolos de cozinha. O papel higiénico também só aparece por cá quando temos visitas. Guardanapos de papel, só mesmo quando mandamos vir comida e se esquecem que pedimos sem talheres e guardanapos. É dinheiro que poupamos, mas nem é esse o motivo principal pelo qual dispensamos produtos de polpa de papel cá por casa. Afinal, se nunca tivemos hábito de comprar, nem sabemos bem quanto poupamos ao não usar rolo de cozinha, papel higiénico e guardanapos (quem usa, consegue dizer quanto gasta nestas coisas por mês, só para ter uma ideia da poupança?). É mesmo porque, se pensarem bem, que sentido faz arrancar fontes de oxigénio, das quais dependemos para respirar, para limpar bancadas de cozinha, xixis e cocós? Para quem está habituado, eu percebo que possa parecer difícil. Mas posso-vos garantir que, a partir do momento em que deixarem de usar estes produtos, não vão sentir saudades nenhumas. A única comodidade que se ganha com os descartáveis, é mesmo não ter de estender os panos. Para quem já largou estes descartáveis: sou louca, ou também olham para todas as peças de roupa rasgadas/gastas/sem emenda e os olhos brilham ao pensar em mais um pano de limpeza? Sou MESMO louca, ou também têm tecidos preferidos para panos? Por aqui, os antigos pólos do João são os queridinhos da cozinha e os lençóis de flanela da avó fazem as honras na casa de banho.

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“Todos temos de tentar fazer o nosso próprio contributo, e faço-o da maneira que sei, indo à procura de fontes credíveis, que sustentem aquilo que digo e não dando a minha opinião — porque eu não sou absolutamente ninguém para a minha opinião valer mais ou prevalecer sobre as opiniões alheias —, sobre o que sabemos hoje em dia à luz da ciência, da história e de tudo aquilo que temos vindo a aprender com o passar do tempo. Tento apresentar esses factos e, assim, conduzir as pessoas para um estilo de vida mais sustentável, com base nessas aprendizagens que também tenho feito ao longo da minha vida.”