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Sustentabilidade

Estas doenças vão tornar-se cada vez mais comuns. O culpado? O aquecimento global

Malária, cólera e febre tifóide vão tornar-se mais frequentes caso a temperatura média da Terra continue a aumentar.

DOBEM.
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O antigo vice Presidente dos Estados Unidos, Al Gore foi anfitrião de uma emissão de 24 horas sobre as alterações climáticas. “24 Hours of Reality: Protect Our Planet, Protect Ourselves” é o nome do programa que foi transmitido de Los Angeles para o mundo em dezembro de 2018, e que abordou a questão de “como os combustíveis fósseis e o aquecimento global estão a criar riscos de saúde que ameaçam as famílias e comunidades um pouco por toda a parte”.

As alterações climáticas afetam a saúde pública de muitas e diversas formas, produzindo impactos diretos e indiretos, bem como impactos imediatos ou a longo prazo, dizem os especialistas. Segundo as estimativas da Agência Europeia do Ambiente (AEA), o aquecimento global causou, em catástrofes naturais e doenças, 150.000 vítimas mortais em todo o mundo” só em 2000 e “e um novo estudo da OMS prevê que, até 2040, essas mortes aumentem para 250.000 por ano, a nível mundial.”

No entanto, Luís Tavares, médico especialista em Infeciologia no Hospital Lusíadas, em Lisboa, explicou que não existe um “crescimento real das doenças infeciosas causadas pelas alterações climáticas”, mas que poderá sim haver um estabelecimento de condições ambientais que a prazo levem a essas doenças.

“Nós, humanos vivemos influenciados pelo que nos rodeia, ou seja o meio ambiente em si e a biosfera”, por isso questões como o aumento de população, o aumento de vetores de transmissão de doenças (como mosquitos) ou o aumento da temperatura ou da humidade são essenciais para explicar o crescimento de certo tipo de doenças.

Segundo Luís Tavares, existem, neste caso, dois grandes tipos de doenças infeciosas com duas origens distintas: as doenças transmitidas por vetores (geralmente mosquitos) e as doenças transmitidas através de água contaminada.

“Nas doenças transmitidas por vetores encontramos doenças como a malária, dengue ou febre-amarela. O aumento da temperatura e a alteração da humidade são fatores essenciais do aquecimento global que têm impacto direto nestas espécies e na forma como estas propagam enfermidades”, afirma o médico. “As temperaturas mais altas, os invernos mais suaves e os verões mais húmidos estão a expandir a área onde certos insetos transmissores de doenças (como as carraças e os mosquitos) conseguem sobreviver e propagar-se. Estes insetos depois transportam doenças para novas zonas, onde antes o clima não lhes era propício”, avisa a AEA.

Nas doenças transmitidas pela água encontramos patologias como a cólera ou a febre tifoide, continua Luís Tavares. A falta de tratamento das águas ou a poluição delas são a fonte deste tipo de doenças, propagadas sobretudo em fenómenos naturais extremos como secas e, sobretudo, cheias. A AEA afirma que “as águas das cheias podem transportar substâncias químicas e poluentes provenientes de instalações industriais, das águas residuais e dos esgotos, e contaminar as fontes de água potável e os terrenos agrícolas.”

A AEA adverte para outros efeitos do Aquecimento Global, para além das doenças infeciosas: “As variações sazonais, com algumas estações a começarem mais cedo e a durarem mais, também podem ser nocivas para a saúde humana, sobretudo para as pessoas que sofrem de alergias.” Ou seja, pode significar picos de alergias e mais casos de asma.

Texto escrito por Filipa Castelão