pele vegana e orgânica

Sustentabilidade

Desserto. A pele vegana e orgânica feita a partir de catos que nasceu no México

Depois de dois anos de pesquisa, Adrian e Marte encontraram a solução para uma das indústrias mas poluentes em todo o mundo. E nem sequer destroem plantas para o fazer.

Adrian López Velarde e Marte Cázarez desenvolveram um produto inovador e capaz de resolver um dos maiores problemas da indústria da moda: pele vegana e orgânica, criada a partir das folhas de catos mexicanos. Chama-se Desserto, e pode ser usada para criar roupa e acessórios, mas o objetivo dos dois mexicanos é chegar ainda mais longe. 

Numa altura em que a indústria da moda é considerada a segunda mais poluente em todo o mundo e em que a Agência Portuguesa do Ambiente, tal como escreve o jornal “Diário de Notícias”, concluí que os portugueses deitam cerca de 200 toneladas de roupa para o lixo por ano, torna-se cada vez mais urgente arranjar soluções mais sustentáveis. Foi isso mesmo que Adrian e Marte perceberam.

Tanto Adrian como Marte sempre trabalharam com pele de origem animal, um no setor automóvel, outro na indústria da moda, onde a pele está presente em praticamente todas as coleções, sejam de inverno ou de verão. Ao longo dos anos, foram percebendo que a produção de pele de origem animal tinha um grande impacto ambiental — além da crueldade animal. 

É que a matéria prima é obtida através de vacas que, para sobreviverem, consomem certa de sete mil litros de água por ano, cada uma. Além disso, depois da extração, o produto tem de ser tingido, que obrigada a mais gasto de recursos e à utilização de produtos químicos prejudiciais para o ambiente. São também esses químicos que impedem que o produto final seja biodegradável.

No site oficial da Desserto, explicam que sabiam que existia a pele sintética. No entanto, esta opção não era a ideal, já que é feita a partir de plástico e, por isso, também ela prejudicial para o ambiente. Esta procura por uma opção mais sustentável levou-os a deixarem os seus empregos e passarem dois anos à procura de uma solução que, na verdade, estava mesmo à frente dos seus olhos: os catos.

É num rancho totalmente orgânico na zona de Zacatecas, no México, que crescem os catos que mais tarde dão origem à pele da Desserto. No site oficial, Adrian López Velarde e Marte Cázarez explicam que esta planta não requer um consumo de água muito elevado, já que absorve dióxido de carbono durante a noite, gerando oxigénio e absorvendo a água presente na atmosfera, o que a torna numa opção mais sustentável em relação a outro tipo de plantações como a do milho. Além disso, quando recolhem a matéria prima para produzir a pele, não estão a matar o cato. 

“Cortamos apenas as folhas mais antigas sem danificar o cato em si”, pode ler-se no site da Desserto. “Depois, as plantas voltam a crescer, o que significa que a cada seis ou oito meses conseguimos ter uma nova colheita.”

O processo de produção passa por colher e lavar as folhas e, depois, triturá-las. A seguir, o produto é seco durante três dias ao sol para depois ser tratado com químicos que não são tóxicos para o ambiente. No final, é lhe dada a forma, textura e cor pretendidas.

No vídeo de apresentação da Desserto, os fundadores da marca afirmam que o resultado final é um produto orgânico, biodegradável, totalmente vegano e, mais importante ainda, duradouro. “Dura até dez anos”, afirmam. 

Quanto a custos, Adrian e Marte afirmam que a pele vegana e orgânica da Desserto custa praticamente o mesmo que a pele de origem animal. Por agora, o produto está a ser utilizado na indústria da moda e dos acessórios, contudo, a longo prazo, os fundadores da Desserto querem conseguir utilizar esta pele vegana para produzir móveis e entrar no setor automóvel.