comprar a granel

Sustentabilidade

Afinal, compensa ou não fazer compras a granel? Conheça as vantagens

Mais do que comparar preços, quem compra a granel pensa no valor do produto que está a levar. Eunice Maia, do projeto Maria Granel, explica as principais diferenças.

Já lá vai o tempo em que era quase impossível encontrar alguma mercearia a granel. A verdade é que, nos últimos anos, têm sido cada vez mais as pessoas que despertaram para um consumo mais ecológico que é, acima de tudo, amigo do ambiente. Mas será que compensa mesmo comprar a granel?

Foi com o objetivo de regressar um pouco ao passado, mas com os olhos postos num futuro melhor, que em 2013, Eunice Maia, natural do Minho, e o marido, natural dos Açores, começaram a pensar em conjunto num projeto de uma loja a granel.

“Não temos qualquer ligação de comércio a esta tradição de mercearia, então nada dava a entender que nós viéssemos a ter este negócio. O nosso percurso profissional foi também sempre feito noutras áreas, ele na economia e eu no ensino e na literatura portuguesa. Mas a verdade é que o que nos une a este projeto é um desejo enorme de regresso às nossas raízes ,porque em determinado momento das nossas vidas demos conta de que estávamos aqui em Lisboa longe das nossas famílias, da terra e da natureza, e a Maria Granel foi criada por esse fator de saudade e de regresso”, começa por recordar à dobem. Eunice Maia, fundadora da Maria Granel.

Em 2015 nasce assim, em Alvalade, a Maria Granel, a primeira loja a granel em Portugal e uma das pioneiras na Europa e no mundo a dispensar as embalagens e a vender exclusivamente a granel.

Em cinco anos, Eunice sente que a evolução deste tipo de compra tem sido bastante elevada, uma vez que são também cada vez mais as pessoas que preferem comprar numa loja a granel e ter este tipo de mercearias perto de si. Contudo, muitas vezes, a grande questão prende-se com o facto de não sabermos efetivamente se se torna mais caro ou não comprar desta forma.

Compensa comprar a granel?

Eunice começa por esclarecer que o mais importante é que se olhe “de forma holística” para este tipo de compra.

“Se nós olharmos para o imediato, para o gesto simples e para o momento de compra nós temos quer produtos mais baratos, quer produtos mais dispendiosos do que, por exemplo, comparados com grandes superfícies, inclusivamente, superfícies convencionais não biológicas”, explica.

Contudo, o que acontece é que, no caso de quem opta por comprar a granel, essa pessoa pode levar apenas a quantidade de que precisa ao contrário do que acontece quando chegamos a um supermercado e temos de levar uma embalagem de produto com uma quantidade já predefinida.

“O que acontece, muitas vezes, é que no caso de produtos que sejam mais baratos numa superfície convencional, eu posso até adquirir o produto a um preço mais baixo, mas a verdade é que depois, muitas vezes, por não levar a quantidade de que verdadeiramente preciso, acabo por desperdiçar não só o alimento como também por produzir resíduos”, explica referindo que, deste modo, o que parece mais barato no ato de compra acaba por não o ser.

“Quando olho para toda a vida desse produto antes e depois de comprar, a verdade é que ele acaba por sair muito mais caro do que o granel que permite não só experimentar, como saber que levo exatamente a quantidade que me permite essa experiência, recuso a embalagem e combato o desperdício.”

Eunice destaca ainda que, no caso da Maria Granel, há produtos que conseguem mesmo ser mais baratos até no ato de compra como é o caso de alguns cereais, especiarias ou frutos secos. O facto de serem uma mercearia biológica, faz com que todos os produtos possuam esse certificado, mas, para além do mesmo, aqueles que não são produzidos em Portugal têm ainda a certificação da entidade BioPartner.

“No nosso site, as pessoas têm acesso a um vídeo com os produtos ficando a conhecer o rosto, as mãos, as histórias das pessoas que produzem aquele alimento”, explica, acrescentando que esta é uma cadeia que recompensa o produtor e lhe paga um preço justo.

“Quando falamos de preço no granel biológico certificado estamos, mais do que de preço, a falar verdadeiramente de valor, e tentamos com toda a transparência dar a conhecer às pessoas todo o ciclo de vida do produto para que elas percebam o que estão a apoiar com a sua compra.”

Competir com as grande superfícies em termos de preços nunca será o objetivo, admite a proprietária. “Sabemos que, para aquele produto e para o valor que ele acrescenta ao mercado, o preço não pode ser mais baixo do que noutros sítios, porque nós nem sequer temos capacidade para isso. Somos uma loja pequena e são encomendas pequenas.”

Deste modo, mais do que olhar para o preço, antes do ato de compra, devemos também pensar no valor que o produto representa. “No caso da Maria Granel sabemos, por exemplo, dizer que a amêndoa vem do produtor transmontano. Investimos também para que essa amêndoa chegasse até nós em baldes reutilizáveis. Estamos a falar de um produto que não vai gerar resíduos mesmo a caminho da loja e também de um acondicionamento que, depois, regressa ao produtor, tratando-se assim de uma economia circular”, explica Eunice.

Quanto ao futuro, a empreendedora espera que em breve todas as superfícies disponibilizem este tipo de informações. “Nós não podemos pedir aos consumidores para serem conscientes se não damos informação para eles poderem tomar as decisões em consciência”, remata referindo que isso é algo que marca o projeto “Maria Granel” e no qual faz questão de investir.