bebés prematuros

Sustentabilidade

Há mais bebés prematuros devido às alterações climáticas, revela estudo

O estudo é recente, mas os dados remontam até 1988. Há mais de 30 anos o clima já influenciava o nascimento dos bebés, o que revela que hoje o cenário pode ser ainda mais grave.

Estamos cientes de que as alterações climáticas estão a acabar com vários animais, com a preservação da natureza e a provocar alterações à nossa saúde. Mas há um aspeto sobre o qual possivelmente nunca pensámos: o estado do planeta parece ter também influência nos seres vivos quando estão ainda dentro da barriga da mãe, e pode fazer com que haja mais bebés prematuros.

Foi isso mesmo que constatou um estudo publicado na Nature Climate Change em dezembro de 2019 e realizado por Alan Barreca, professor associado do Instituto de Sustentabilidade Ambiental da UCLA, e a economista Jessamyn Schaller, do Claremont McKenna College.

O estudo sobre o impacto do aquecimento da temperatura global no tempo de gestação, revela que há mesmo risco de um parto prematuro (nascimento antes das 37 semanas). Há muito que sabemos que um bebé pode nascer antes do fim das 40 semanas devido a vários fatores, sejam eles o descolamento da placenta, malformações fetais, entre outros. Com este estudo, juntou-se à lista as alterações climáticas. 

Os professores pegaram nos dados sobre a temperatura média diária e as taxas de natalidade de vários estados dos Estados Unidos entre 1969 e 1988 — um período com uma diferença de 19 anos. De facto passou algum tempo desde as datas analisadas, mas, de acordo com a revista “Time“, os investigadores não tiveram outra escolha.

“Em 1989, o sistema estatístico vital começou a ser mais cauteloso com as informações que transmitia ao público como forma de dificultar a identificação de indivíduos de forma precisa por local ou data de nascimento”, diz o professor Alan Barreca. Por isso, as informações mais fieis datam apenas até 1969.

Passemos então aos dados: no período analisado, quando as temperaturas chegaram ou ultrapassaram os 32,2º C, a taxa de natalidade por 100 mil mulheres também aumentou (0,97%), em comparação com outras datas onde se registaram entre 16 e 21º C.

Mas como é que o calor influencia parto? De acordo com a revista “Time”, pode estar relacionado com um maior stresse por parte da mãe, fazendo com que entre em trabalho de parto mais cedo. Além disso, o calor pode aumentar os níveis de oxitocina (hormona conhecida por ter influência no amor e na felicidade) que desempenha um papel importante no trabalho de parto e na amamentação.

A temperatura não tem só influência no corpo, mas também no sono: “A temperatura mínima num dia quente acontece à noite, mas ainda pode estar quente o suficiente para interromper o sono, e isso pode ser um fator importante para o nascimento precoce”, revela o investigador Alan Barreca.

Outros fatores foram ainda tidos em conta: é natural que em países mais quentes as mulheres tenham uma melhor capacidade para tolerar o calor e há também que atender que mesmo em países onde as altas temperaturas não são características daquele local, os ar condicionados atenuam o calor, reduzindo dessa forma o risco de nascerem bebés prematuros.

Durante os 19 anos analisados, o estudo revela que houve 25 mil bebés prematuros causados pelas altas temperaturas anuais. Isto significa que atualmente, com o agravamento das alterações climáticas — e os oito anos mais quentes registados na última década —, há uma forte probabilidade de o número de nascimentos prematuros ter aumentado ainda mais e a situação vir a agravar-se.