árvore de Natal mais sustentável

Sustentabilidade

Real ou artificial? Saiba qual o tipo de árvore de Natal mais sustentável

Existem três opções diferentes de árvores de Natal por onde escolher. Mas sabe exatamente qual delas é a que tem menor impacto ambiental?

Sabe aquela árvore com mais de dez anos, que já perdeu grande parte das suas folhas de plástico falsas, que tem ramos a menos que se perderam numa mudança e que até está meio torta porque lhe falta um pé? Sabemos que é difícil aceitar, mas está na hora de lhe dizer adeus e de pensar numa nova opção para decorar a sua casa neste Natal. E se chegou até este artigo, é porque provavelmente já se perguntou qual seria a árvore de Natal mais sustentável que poderia ter em sua casa.

Já todos tivemos esse momento de fazer uma retrospectiva sobre os nossos comportamentos, e a realidade é que, sendo o Natal uma época tão próxima do fim do ano, damos por nós a tentar perceber o que é que poderíamos ter feito para mudar o mundo. Por vezes, são coisas tão pequenas como questionar se aquele pinheiro de Natal que temos guardado no sótão é, ou não uma opção sustentável.

À primeira vista, até pode parecer que sim. Afinal, só compramos um pinheiro que nos vai durar durante muito e muito anos, certo? Talvez não, até porque basta desaparecerem uns quantos ramos de um ano para o outro para irmos a correr até à loja mais próxima para tentar encontrar outro para o substituir. Mas será que sabemos exatamente o que é que estamos a fazer ao planeta a comprar um pinheiro de Natal de plástico? E se esta não é a melhor opção, então qual é a árvore de Natal mais sustentável que podemos ter? Foi isso mesmo que fomos descobrir.

Árvores artificiais são as mais baratas, mas também as mais perigosas

Mais baratas, mais práticas e há até quem diga que podem ser uma opção mais sustentável, já que não obriga a cortar árvores e, se cuidarmos bem delas, até podem aguentar uns quantos Natais sem serem substituídas.

À partida, parece estar tudo encaminhado para nos fazer crer que os pinheiros de plástico são a opção ideal para quem quer ter uma árvore de Natal sustentável. Mas nem tudo é assim tão linear quanto parece.

A Carbon Trust, uma entidade que luta contra a emissão de gases de carbono na atmosfera, estima que uma árvore de Natal artificial com dois metros de altura tenha uma pegada de carbono que ronda os 40 quilos de CO2, ou seja, de dióxido de carbono, que provoca o aumento do efeito de estufa. Este valor equivale a mais de o dobro de uma árvore real que terminaria a sua vida num aterro, e dez vezes superior se essa mesma árvore fosse queimada.

A maioria destas árvores são feitas de plástico sendo que, geralmente, é sempre utilizada uma película de PVC, um produto feito a partir de combustíveis fósseis e cuja produção liberta gases de efeito estufa. Além disso, grande parte destas árvores são feitas em países como a China, o que implica não só uma pegada de carbono maior devido à necessidade de transporte, mas também que se fomente uma indústria onde os trabalhadores nem sempre têm as melhores condições de trabalho.

Além de tudo isto, um relatório publicado em 2008 por uma agência ambiental norte-americana concluiu que o PVC presente nos pinheiros de Natal vai-se degradando com o passar do tempo. Por conterem policloreto de vinilo na sua composição, com o passar do tempo as árvores vão libertando algumas substâncias para o ar o que, a longo prazo, pode provocar algumas intoxicações.

Árvores de Natal verdadeiras cortadas são uma alternativa. Mas serão a ideal?

Excluída a opção da árvore artificial, serão as verdadeiras a opção mais sustentável? A resposta não é linear, e vai depender de vários fatores. Mas comecemos pelos pontos positivos.

Optar por ter um pinheiro verdadeiro que foi cortado reduz a pegada de carbono significativamente. Segundo o jornal britânico “The Guardian“, o valor ronda os 16 quilos de CO2, isto se a árvore for parar a um aterro. Caso escolha queima-la depois do Natal, este valor diminuí cerca de 80%. No entanto, estes 16 quilos de CO2 não deixam de ser preocupantes.

“Se acabar num aterro, uma árvore entra em decomposição e liberta gás metano, que é 25 vezes mais potente do que o CO2”, pode ler-se na mesma publicação.

Há também toda a questão em torno do abate desnecessário de árvores já que, em países como o Reino Unido, se espera que todos os anos sejam cortadas cerca de oito milhões de árvores para serem vendidas na altura do Natal. No entanto, tal como explica o site “Ethical.net“, grande parte das árvores cortadas para venda são plantadas já a pensar na altura do Natal, onde a sua procura é sempre mais elevada.

Mas apesar de estas árvores serem uma opção natural e, na grande maioria dos casos, o seu abate não estar a afetar os ecossistemas existentes, há um outro motivo que o pode fazer mudar de ideias em relação aos pinheiros naturais. É que, para estas árvores crescerem, muitos dos produtores utilizam fertilizantes, herbicidas e pesticidas como o glifosato que são prejudiciais para o ambiente e podem também por em causa a saúde humana, embora ainda não haja prova de que os resíduos fiquem nas árvores.

Se decidir optar por uma árvore natural, o melhor será procurar um produtor orgânico de confiança onde saiba exatamente o que está a comprar e de onde vem a sua árvore. Se ainda quiser dar uma ajuda à comunidade, pode sempre alugar um Pinheiro Bombeiro, que custa apenas 20€. Esta iniciativa ajuda as cooperativas de bombeiros, já que 5€ revertem para a compra de material de combate a incêndios. Além disso, os pinheiros que são alugados foram cortados com o objetivo de limpar as matas, evitando assim a propagação de incêndios nos meses mais quentes.

Árvores vivas, a árvore de natal mais sustentável, mas que pode não ser para todos

Se é daquelas pessoas que tem por hábito matar plantas porque se esquece de as regar, então talvez esta não seja a melhor opção para si. Apesar disso, uma coisa é certa: ter um pinheiro verdadeiro, ainda com a raiz, plantado num vaso, é a opção mais sustentável para decorar a sua casa no Natal.

Pode parecer complicado, mas a realidade é que o pinheiro requer poucos cuidados e, na realidade, pode ser mantido num vaso em casa até cinco anos. Tem de ser regado e convém estar num local onde tenha alguma exposição à luz solar, mas regra geral são árvores muito fáceis de manter e, se forem bem cuidadas podem, mais tarde, ser transferidas para o exterior, onde podem continuar a crescer durante vários anos. Se não tiver um espaço onde o possa plantar, pode sempre entregar o seu pinheiro em locais especializados como o Horto do Campo Grande, por exemplo, que recebe estes pinheiros e lhes dá todos os cuidados de que eles precisam.

Enquanto o tiver em casa, pode sempre ir colocando algumas decorações, embora geralmente estas árvores sejam mais pequenas. Mas cuidado, porque sendo árvores vivas são ligeiramente mais sensíveis do que uma planta já cortada ou artificial. Seja como for, se está à procura da árvore de Natal mais sustentável, o pinheiro em vaso será a escolha mais acertada.