Sustentabilidade

Aquecer a casa de forma sustentável (e económica) é possível — saiba como

Construção e isolamento de qualidade é um dos aspetos que condiciona o aquecimento de uma casa. Tendo de recorrer a alterativas que consomem energia, quisemos saber quais são as mais ecológicas.

DOBEM.
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Estamos, provavelmente, a viver um dos invernos mais frios dos últimos anos. Os primeiros dias de 2021 deixaram quase todos os distritos em Portugal sob alerta amarelo, e houve zonas na Catalunha, em Espanha, que atingiram os 34 graus negativos. É caso para dizer que o inverno chegou, e parece que veio para ficar, por isso, há que pensar em estratégias para aquecer a casa de forma sustentável.

Vimo-nos obrigados a recorrer a todos os meios que tínhamos à disposição para nos aquecermos e manter as casas com uma temperatura acolhedora. Mas nem sempre as formas que arranjamos para o fazer são as mais sustentáveis nem as que consomem menos energia. Depois de lhe termos deixado algumas receitas de sopas, que são uma ótima opção para aquecer o corpo nos dias mais frescos, falámos com duas especialista em arquitetura que explicam como é que pode aquecer a casa de forma sustentável, e mais económica.

Catarina Barreiros é vista como uma das grandes referências da sustentabilidade em Portugal. Além disso, formou-se em arquitetura, o que faz dela a pessoa ideal para esclarecer esta questão e nos ajudar a perceber, afinal, como podemos aquecer a casa de forma sustentável.

Catarina começa por explicar que “efetivamente, a pobreza energética em Portugal é uma realidade, mas também é uma realidade que não precisamos de gastar recursos de energia e dinheiro para aquecer as nossas casas se elas estiverem bem construídas ou bem adaptadas.”

Assim sendo, é importante percebermos que manter a casa quente é possível com o mínimo de consumo energético e, segundo Catariana Barreiros, há muitas formas de o fazermos antes de recorrer ao gasto de energia. O ponto de partida está nas janelas que devem ser de vidro duplo, preferencialmente de PVC, e devem ainda ser bem calafetadas com silicones.

“Janelas mais antigas como, por exemplo, as de madeira, convém serem substituídas porque são mais permeáveis à passagem da temperatura. Mas de qualquer das maneiras as janelas que não estejam bem calafetadas, para quem vive em casas alugadas, por exemplo, que não vai ser a própria pessoa a trocar caso o senhorio ainda não o tenha feito, sugiro pôr aqueles rolinhos de espuma nas frechas para evitar passar o frio ou mesmo silicone, se o senhorio autorizar”, afirma.

Além disso, os têxteis são importantes no que diz respeito ao aquecimento das casas. “Cortinas são muito importantes, tanto no inverno como no verão”, diz Catarina Barreiros. “No verão, para não deixar passar demasiado calor e no inverno para não deixar sair a temperatura e manter a casa quente. Tapetes, mantas, tudo o que são têxteis quentes são uma boa ideia. Muitas vezes nós achamos que temos de ter a casa muito aquecida com aquecedores, mas vale sempre a pena vestir mais umas camadas de roupa até por uma questão de poupança de energia”, aconselha, realçando o impacto carbónico que a energia tem para o planeta.

Mas, afinal, quais são os equipamentos de aquecimento mais aconselhados?

Se, efetivamente, for preciso recorrer a mecanismos de aquecimento que gastem energia, “o mais eficiente que se conhece até à data são os aparelhos de ar condicionado”, diz Catarina Barreiros, acrescentando que já há algum tempo que na Europa se deixou de utilizar hidrofluorocarboneto para os líquidos de refrigeração e aquecimento dos mesmos, o que tinha um grande impacto carbónico.

Tânia Martins, arquiteta e criadora da Homestories, refere que uma das melhores formas de aquecer a casa de forma sustentável, é apostar numa bomba de calor com ventiloconvectores. Contudo, implica um investimento inicial elevado, mas que, garante a arquiteta, compensa a longo prazo.

“É um investimento que é alto para o início da construção de uma casa, mas o tipo de aquecimento que nos dá é muito mais confortável do que, por exemplo, o ar condicionado”, explica à dobem.

Apesar de aconselhar esta escolha, para quem tem essa possibilidade, Tânia refere que a outra opção passa, sem dúvida, pelo ar condicionado. “É a solução mais económica a nível de investimento inicial e a nível de essência energética gasta menos e dá para inverno e verão.”

O aquecimento a gás ou a eletricidade acaba por ser dos menos sustentáveis, “para além do investimento inicial também ser um bocadinho elevado, depois a fatura mensal é também alta”, diz Tânia Martins. Na opinião da arquiteta, uma boa opção de aquecimento central é a também uma caldeira a pellets. Quanto às lareiras, podem variar entre a lenha ou a pellets.

“Por experiência, a que tenho é a pellets e, apesar do investimento inicial também ser um bocadinho mais elevado do que a lenha, permitem ser mais eficiente e prático. Não temos de estar a limpar todos os dias, basta despejar um saquinho de pellets, carregar no botão e a lareira acende-se sozinha. O aquecimento em si, ou seja, os graus que atinge, são também muito superiores”, o que faz com que consuma menos. Além disso, esta pode ser uma ótima opção para as pessoas que não têm espaço em casa para armazenar a lenha. Tânia refere ainda que, comparando com o ar condicionado, a lareira é mais apropriada em termos de consumo e conforto.

Quanto à construção de raiz da casa “construir as paredes de maneira a terem câmaras de ar que ajudem a isolar termicamente as casas”, refere Catarina Barreiros, acrescentando que também pode ajudar se tiver “mantas térmicas que podem ser colocadas no chão, entre pavimentos.”

Tudo isto ajuda a que a poluição sonora seja também menor e que, termicamente, a casa fique mais confortável. Em casas com vários pisos, é normal que se torne mais difícil aquecê-las, visto que a área é também maior e o ar quente tem tendência a subir.

Por isso, para quem tem casas grandes, Catarina aconselha a fechar as portas que existam entre pisos, visto que se as pessoas se encontrarem no piso de baixo vão sentir que ele não vai aquecer porque o calor vai “fugir para o piso de cima”, explica. “São coisas simples mas que podem fazer a diferença”, remata, realçando que a forma como nos vestimos dentro de casa pode e deve também ser adequada à época para evitar que se recorra a outros meios.