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Cott On. Esta roupa é feita com excedentes de algodão e linho

Os modelos foram pensados para todos os corpos e, em comum, têm o pormenor de serem feitos de maneira a evitar o desperdício.

Ana Cruz tem uma profissão pouco comum. Assume-se como costureira e modista, atividade que faz desde os 26 anos, altura em que decidiu deixar de lado a área de reabilitação e inserção social, para a qual estudou, para se dedicar à sua paixão desde criança.

Cresceu em Campo de Ourique a ver a Dona Arminda, amiga da avó, a fazer as roupas para a família e até foi com ela que aprendeu a fazer algumas das suas primeiras peças. E tudo o que sabe coser à mão, processo que garante, faz a roupa mais bonita, aprendeu também com a avó, que também se desenrascava na técnica.

No atelier que tem na Venda do Pinheiro, o Le Chat Lisboète, Ana dedica-se a arranjos, criação de peças para marcas e vestidos de noiva. Era tanto o trabalho, uma vez que faz tudo sozinha, que chegava a começar a jornada às 5 e só terminar às 19 horas. Saber que tinha que abrandar não chegava e só quando o corpo deu de si é que percebeu que estava a exigir demasiado dele. “Comecei a ter problemas de coluna e o meu médico aconselhou-me a reduzir a carga de trabalho”, conta.

Foi aí que começou a recusar alguns trabalhos e a focar-se naquilo que realmente gostava de fazer. A sustentabilidade já era prática comum na família e percebeu que com o seu trabalho em costura podia dar mais um passo no caminho de reduzir o desperdício de materiais como o algodão e aproveitar aquilo que, de outra forma, acabaria no lixo. Se já fazia compostagem, comia a fruta da sua horta e carne só se fosse de pequenos produtores locais, porque não contribuir para um mundo mais verde também com a sua profissão?

Foi aí que decidiu rumar a norte e na zona de Guimarães, Santo Tirso e Barcelos — forte na indústria têxtil — encontrou fábricas às quais compra os excedentes de tecido para usar como matéria-prima das suas roupas. A premissa é só uma: tem que ser algodão e sempre que possível orgânico. Daí o nome Cott On, um trocadilho com a palavra inglesa cotton, algodão, que serve como base a um conceito que Ana inaugurou.

Para já, a linha é apenas feminina e junta vestidos, blusas e calções. Num futuro próximo, Ana quer investir em roupa de homem e também lingerie.

As peças estão disponíveis para venda online, mas também é possível visitar o atelier para ver a coleção ao vivo. Para isso basta aparecer durante a manhã, das 9 às 13 horas, altura em que de certeza apanha lá Ana a trabalhar, ou durante a tarde, aí só por marcação.