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11 marcas portuguesas e sustentáveis a que deve estar atento

Swimwear, sapatos, básicos e até peças para quem quer ser mais irreverente, há um pouco de tudo, e sem precisar de recorrer a fast fashions.

Foi em abril de 2013 que um edifício com milhares de trabalhadores de uma fábrica de roupa ruiu no Bangladesh. Na altura, o mundo parou para prestar atenção ao que se passava na indústria das grandes marcas de fast-fashion, que tinham os seus colaboradores a trabalhar em condições totalmente desumanas e a arriscar a sua vida em prol de uma indústria em constante mudança. Pouco tempo depois, começaram a surgir documentários como o “The True Cost” que mostravam a realidade destas grandes fábricas como, até então, nunca tínhamos visto.

Passaram mais de sete anos desde a derrocada desse edifício, e a realidade é que são cada vez mais as marcas portuguesas e internacionais que apresentam coleções produzidas em fábricas locais e onde são asseguradas as condições de trabalho dos funcionários. Além disso, estas marcas assumem-se também como sustentáveis.

Muito há a dizer sobre o que significa ser sustentável dentro do universo da moda, mas, num breve resumo, são marcas que se propõe a cumprir não só os princípios éticos de respeito à comunidade, mas também a reduzir ao máximo o impacto ambiental na produção das suas peças, recorrendo a materiais como o cupro, feito a partir dos restos de algodão das fábricas, ou o ECONYL®, uma lycra feita a partir de plásticos recolhidos dos oceanos.

Em Portugal, existem cada vez mais empreendedores nesta área da moda sustentável. Ana Costa, criadora da marca Baseville, é uma delas. Mas em 2017, quando criou a marca com Ana Ferreira, sua sócia, nunca imaginou que um dia tivesse de enfrentar um desafio como uma pandemia mundial que, potencialmente, podia pôr em causa tudo o que tinha construído nos três anos anteriores.

A pandemia da COVID-19 afetou imensos negócios nas mais diversas áreas, tanto em Portugal, como no mundo. Desde a restauração ao pequeno comércio, sem esquecer a indústria da moda. Eventos como as Semanas da Moda foram cancelados ou à porta fechada, com transmissões online, e grandes empresas como a Aldo pediram proteção para não terem de abrir falência.

Ana explica à dobem. que, na Baseville, o maior desafio foi arranjar uma boa estratégia para comunicar as temáticas da moda e da sustentabilidade, numa altura em que as preocupações da maioria da população estavam bem longe da indústria da moda.

“Numa altura em que as pessoas estavam em casa, de quarentena, com vidas em risco, a primeira pergunta foi: faz sentido falar sobre estes temas quando tudo pode ter um significado diferente?”, recorda Ana, que explica que acabou por interargir com os seguidores da Baseville através das redes sociais. “Comecei a fazer estas perguntas aos nossos seguidores, que acabaram por responder e tornar a primeira fase da quarentena bem mais animada. Falámos sobre moda e sobre a relevância da mesma enquanto quarentena, falámos sobre olhar para o nosso guarda-roupa e perceber que quando gostamos do que compramos as roupas duram muito mais connosco e que acabamos por as usar em loop.”

Em termos de vendas online, revela que a quebra não foi acentuada, mas o mesmo não aconteceu com os pontos de revenda físicos, que tiveram de fechar. Aí, já houve uma redução de vendas, que se deve manter durante algum tempo.

“Algumas dessas lojas, pequenos negócios, não conseguiram sobreviver a dois meses fechados, sem faturação, com rendas e ordenados a pagar“, diz Ana, explicando ainda que a fábrica teve de parar a produção durante algum tempo. “De forma semelhante ao que aconteceu à maior parte das empresas, teve um período em que fechou, mantendo apenas os serviços que se podem fazer à distância mas, neste momento, estão a retomar toda a produção.”

A Baseville é apenas uma das várias marcas portuguesas sustentáveis que, com a pandemia da COVID-19, sofreu algumas quebras nas suas vendas durante os últimos dois meses. E numa altura em que todos começamos a pensar no que é que vamos vestir quando começarmos a retomar as nossas rotinas habituais, nada como olhar para o melhor que se faz em Portugal na área da moda sustentável.

Sugerimos 11 marcas portuguesas que, para além do ADN português, seguem filosofias éticas e sustentáveis.

Aly John

A Aly John é uma marca com mais de 30 anos no mercado português e especializada em jeans. Com sede na zona de Guimarães, o objetivo da marca é criar jeans que não só se enquadrem em diferentes tipos de corpos, mas que sejam resistentes e durem bem mais do que umas jeans convencionais.

Além disse, em todas as peças é bordada uma frase que espelha a filosofia da marca. Para tornar as peças ainda mais únicas, as etiquetas podem ser personalizadas.

Zouri

A Zouri é uma marca com produção 100% portuguesa, desde a origem dos materiais. Os ténis são produzidos a partir de garrafas de plástico recolhidas das praias nacionais por mais de 600 voluntários. No total, já conseguiram recolher mais de uma tonelada de plástico.

A produção é toda feita numa fábrica no norte do País, em Guimarães. Além do plástico, a Zouri usa ainda algodão orgânico, Pinatex, um tecido feito através das folhas de ananás e borracha natural.

BUZINA

A BUZINA nasce em 2016 pela mão da designer Vera Fernandes, que queria criar peças para vestir todas as mulheres que gostam de roupas exclusivas, diferentes e versáteis. Cada coleção apresenta apenas 20 peças, que são produzidas, no máximo, 70 vezes, o que garante a exclusividade, mas também a produção em pequena escala.

A política de sustentabilidade da BUZINA chega também aos tecidos, já que a matéria-prima utilizada na produção é recuperada de fábricas parceiras e que, de outra forma, acabaria num aterro.

Insane in the Rain

Para quem nunca teve um boa gabardina por achar que os padrões não eram suficientemente aliciantes, a Insane in the Rain é a solução. A marca portuguesa cria casacos com vários padrões, todos feitos a partir de garrafas de plástico que poderiam acabar nos oceanos. Para cada casaco, são utilizadas entre 17 a 23 garrafas de água.

A marca, criada pela britânica Hannah Edwards, utiliza um tipo de plástico específico, o RPET, que vem precisamente das tais garrafas. A empresa, apesar de ser nacional, tem fábrica em Taiwan, mas garante cumprir com todos os princípios éticos e respeitar os seus trabalhadores.

Not Yet Famous

Filipa Silva trabalhou durante alguns anos na área da publicidade, mas sempre esteve ligada às áreas da sustentabilidade como consumidora. Em 2019, criou uma linha de T-Shirts com frases e imagens divertidas à qual deu o nome de Not Yet Famous.

As peças são produzidas numa fábrica nacional e todo o algodão utilizado é 100% orgânico. Além das T-Shirts, a marca vende também óculos de sol e correntes para óculos.

We The Knot

Sohil Vahora, Maria Manuel Matos, Dona Manuela. Sabe quem são? São algumas das pessoas que fazem as peças da We The Knot. A marca portuguesa tem uma política de total transparência e respeito pelos seus trabalhadores, que são dados a conhecer a todos os que comprarem os produtos da We The Knot.

A marca foi criada por Filipe e Sérgio, designers gráficos e de moda, que se conheceram em Lisboa, cidade onde criaram a sua marca e onde produzem básicos com materiais como algodão orgânico ou a pele vegana.

Baseville

Ana Ferreira e Ana Costa sempre estiveram ligadas à natureza e às questões ambientais. Em 2017, criaram a Baseville, uma marca 100% nacional com valores sustentáveis.

Sempre atentas às preocupações com o ambiente, as sócias escolhem as suas matérias primas a três dimensões: adequabilidade ao uso, recursos necessários à produção e qualidade superior. Neste processo, trabalham para retirar os microplásticos e reduzem a quantidade de recursos virgens utilizados. Além disso, apostam em energias renováveis e em criar relações com outras empresas portuguesas como a plataforma The FairBazaar, os hotéis portugueses São Lourenço do Barrocal , Casa-MãeVila Monte Hotel.

Conscious Swimwear

Joana Silva sempre comprou peças de swimwear em lojas de fast fashion que acabava por modificar em casa. Até que, quando esteve de licença de maternidade no ano de 2018, fez um curso na Maria Modista. Publicou algumas peças para vender online e o sucesso foi tal que rapidamente criou a sua própria marca — e assim nasceu a Conscious Swimwear.

Sempre preocupada com o meio ambiente, Joana escolheu como matéria prima principal o ECONYL®, uma lycra produzida em Itália e que utiliza restos de plástico dos oceanos. A produção é toda feita por duas costureiras portuguesas e as peças estão à venda no site.

ISTO

Pedro Palha e Vasco Mendonça criaram uma marca sem qualquer formação em moda, mas com uma coisa em mente: tinha de ser sustentável e ter peças a valores mais baixos das que mandavam vir do estrangeiro.

Além disso, queriam ser transparentes e, por isso, cada peça mostra exatamente quanto custou cada um dos pormenores durante o processo de produção, desde o preço do tecido ao valor do transporte. Todas as peças da ISTO são produzidas em Portugal, maioritariamente em fábricas do norte, em cidades como Barcelos, Guimarães e Vizela, mas também existe alguma produção em Lisboa. Estão à venda online no site oficial da marca.

Captain Tom

Em 2013, Raquel Tomaz inscreveu-se no seu primeiro curso na Maria Modista. Cinco anos mais tarde, lançou a Captain Tom, uma marca de swimwear pensada para mulheres fortes e empreendedoras, como Raquel.

Um ano depois, em 2019, e com o sucesso da marca, decidiu transformar a Captain Tom numa marca sustentável ao produzir todas as coleções com ECONYL®, uma lycra pela empresa italiana Aquafil, que usa desperdício sintético, como plástico industrial, tecido e redes de pesca encontrados nos oceanos, recicla-os e transforma esses resíduos em fio de nylon que, mais tarde, resultam em biquínis e fatos de banho.

Näz

A Näz começou apenas como um projeto universitário de Cristiana Costa, mas rapidamente se tornou numa marca que a estudante de Design de Moda nunca mais deixou.

Uma particularidade da Näz, além dos materiais sustentáveis que utiliza na produção e de ser totalmente portuguesa, é que basta entrar na página de uma peça no site para perceber rapidamente onde foi produzida a matéria prima e onde a peça final foi confecionada. O vestido Cuba, por exemplo, é feito com linho de um produtor de Braga, tingido em Barcelos e cosido em Leiria.