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Saúde

Ver séries e filmes aproxima-nos e faz bem à mente

Investigadores americanos apontam as séries, livros e música como uma forma de escape, mas será esta solução suficiente para preencher o vazio da falta de socialização?

Os últimos meses têm sido tudo menos fáceis para a grande maioria das pessoas. O isolamento social fez com que fossemos forçados a estar longe de quem mais gostamos, mas também nos fez ganhar hábitos que até então ficavam sempre “para depois”, como ver séries. 

Já sabemos, ver séries é investir tempo, tempo que nem sempre temos entre a azáfama do dia a dia. Ao final do dia, mais do que chegar à cama e ver uma série de televisão ou até mesmo folhear as páginas de um livro, temos vontade de descansar. Mas e se lhe dissermos que ver séries pode satisfazer as necessidades de conexão social?

Quem o diz são os investigadores da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos. De acordo com os especialistas, ver séries, ler livros, ver filmes ou até mesmo ouvir aquela playlist em loop podem satisfazer necessidades sociais da mesma forma que os encontros com a família ou as relações amorosas. 

A investigação envolveu 170 participantes a quem foi perguntado como se sentiam e de que forma alimentavam as suas relações sociais. No total, os participantes apontaram 17 formas diferentes para promover essas relações, entre opções mais tradicionais, como encontros, como opções menos tradicionais, entre elas ver séries ou ler livros.

“As pessoas podem estar ligadas de diversas formas, e percebemos que as estratégias mais tradicionais, como passar tempo com um amigo em pessoa, não são necessariamente melhores do que as não tradicionais, como ouvir o nosso cantor favorito”, explica à “Science Daily” Elaine Paravati, co-autora do estudo. “Percebemos, aliás, que combinar estas duas estratégias pode ser mais benéfico.”

Ver séries é suficiente?

Krystine Batcho professora de psicologia da Universidade Le Moyne em Nova Iorque, Estados Unidos, explica à revista “Healthline” que apesar de a pesquisa ser bastante relevante, especialmente num momento de isolamento social, há investigação anterior que aponta estas estratégias como soluções meramente temporárias. 

“Os métodos tradicionais como as relações familiares ou amorosas são utilizados por muito mais gente e mais frequentemente do que os não tradicionais, além de serem mais benéficos para o bem-estar”, disse Batcho à “Healthline”, destacando, ao mesmo tempo, as vantagens destas práticas. “Embora neste momento, precisemos de manter o distanciamento social, ver os nossos programas de televisão favoritos, ler livros e ouvir música pode fazer-nos, de alguma forma, sentir ligados à nossa vida, que foi temporariamente suspensa.”

Além disso, a professora de psicologia explica ainda que passarmos algum tempo afastados pode levar-nos a refletir sobre as nossas relações, e o simples facto de vermos séries, ouvirmos música e lermos livros pode encorajar este comportamento e recorda-nos de como amamos e sentimos falta das pessoas de quem estamos separados. 

“A conexão à distância aumenta o nosso desejo de estarmos frente a frente com o outro e prepara-nos para um envolvimento mais pleno nas relações”, explica. “As imagens que a televisão, o cinema e a música apresentam dão-nos esperança desse regresso à normalidade.