Saúde

É refém do telemóvel? Desligar as notificações das apps pode fazer maravilhas pela sua sanidade mental

Uma jovem inglesa de 24 anos começou a sentir-se sobrecarregada com a quantidade de notificações que recebia no telefone. Desligou-as e assume ter sido uma decisão que lhe mudou a vida.

DOBEM.
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Embora a vida social de todos nós tenha abrandado bastante durante os últimos meses, a vida social virtual nunca foi tão ativa. Quer seja porque temos centenas de chamadas Zoom por dia ou porque os grupos WhatsApp são mais animados do que o habitual, estamos muito mais ligados aos telemóveis do que antes — e isso não é propriamente benéfico.

No início deste ano, uma gestora de redes sociais inglesa de 24 anos chamada Sade Taiwo começou a sentir que a responsabilidade de estar tão atenta às mensagens instantâneas estava a sufocá-la. Até que teve uma epifania que diz ter melhorado totalmente a sua saúde mental: desativar as notificações do WhatsApp.

“Não consigo calcular quantas notificações recebi por dia, mas lembro-me de trabalhar e de olhar para o meu telefone a cada 45 minutos ou assim. O ícone vermelho de notificação continuava a olhar para mim com dois dígitos”, disse Sade numa entrevista à edição britânica da “Cosmopolitan”.

Estar em mais de 15 conversas de grupo começou a sobrecarregá-la. Sade achava o ícone das notificações perturbador, com aquela cor vermelha característica que parece dar “um sentido de urgência para responder”. Quer ela estivesse sob muito stresse no trabalho, com mil coisas para fazer, ou apenas num estado de espírito de não falar, a pressão para responder era cansativa. “Era acessível 24 horas por dia, 7 dias por semana, e isso fazia-me sentir como se não tivesse um momento para mim”, disse à mesma publicação.

As notificações são algo que afeta a nossa concentração, as nossas ações, e até o nosso sono. Para tentar dar a volta à situação, Sade tomou a decisão de reduzir o tempo que passava ao telefone. “Após algumas avaliações, percebi que me tinha tornado mais dependente do meu telemóvel e que era uma escrava das constantes notificações”, disse. Percebeu que os alertas a distraíam, a impediam de se concentrar, a faziam sentir-se fora de controlo, e que precisava deles para se sentir bem. Desligou-os e a melhoria foi quase imediata.

“Adaptei-me como um peixe na água. É verdade que não sou uma daquelas pessoas que tem FOMO [‘fear of missing out’, um termo para expressar os sentimentos negativos de alguém quando lhe falta alguma coisa], por isso não posso dizer se me escapou alguma coisa”, afirmou. Depois de perceber os ganhos para a sua saúde mental, Sade fez o mesmo com as notificações do Instagram, Twitter e LinkedIn.

Obviamente, houve um lado negativo: “No início, senti-me um pouco desconetada do mundo da internet. O dispositivo que estava ligado a mim desde os meus 14 anos de idade já não era o foco da minha atenção”, disse. Mas também começou a desfrutar do seu novo sentido de liberdade.

“Desligar as minhas notificações do WhatsApp ajudou-me a melhorar a minha concentração e produtividade. Além disso, não estava preocupada em perder algo muito importante. Se for mesmo, as pessoas vão telefonar”, explicou a gestora.