mitos sobre sexo

Saúde

Estes são os 10 mitos sobre sexo que andam a enganar os adultos

Masturbação, sexo oral, pornografia são cada vez mais normais, mas há ainda muitas dúvidas e mitos. E isso perturba a sexualidade.

Fabíola Carlettis
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A vida sexual dos jovens começa cada vez mais cedo, mas será que sabem tudo o que deviam saber? E os pais? O “HuffPost” pediu ajuda a sexólogos, terapeutas de sexo e professores de educação sexual para desmistificar alguns dos mitos sobre sexo em que muitos adultos — e também os jovens —, ainda acreditam.

Mito:

Um dos mitos sobre sexo em que a maioria das pessoas acredita é que a masturbação enquanto se está numa relação, significa que já não se é sexualmente estimulado pelo parceiro.

Verdade:

Não importa se é solteiro ou se está numa relação com uma ou mais pessoas. “A masturbação é saudável, normal e faz parte de ser um ser sexual. É relaxante e permite-nos conhecer melhor o nosso corpo. Saber como gostamos de ser tocados, pode ajudar na vida sexual com o parceiro”, explica o terapeuta sexual Janet Brito ao “HuffPost”.

Gigi Engle, sexóloga, afirma “as pessoas pensam que se os seus parceiros se masturbam é porque já não estão sexualmente atraídos, o que leva a uma grande insegurança na relação e na autoestima. A masturbação é uma forma de expressão sexual para solteiros ou em relações, completamente normal.” Quando a masturbação é compulsiva e substitui o sexo com o parceiro, poderá ser motivo para discussão entre o casal com ou sem ajuda de um profissional.

Mito:

A vagina e a vulva são a mesma coisa.

Verdade:

Muitas pessoas usam a palavra “vagina” para se referir a toda a zona genital da mulher, no entanto, isso é apenas um dos vários mitos sobre sexo, que não está certo. “A área genital externa chama-se vulva e a parte que não se vê é a vagina”, explica Ericka Hart, professora de educação sexual.

Mito:

O clitóris é um nó minúsculo.

Verdade:

O clitóris é muito mais do que aquilo que está à vista. O que se vê é apenas uma pequena parte, porque o restante é interno. “Muitas pessoas não sabem que o clitóris é mais do que esse pequeno ‘nó’ no topo da vulva. Mas na realidade pode ter mais de 12 centímetros. Não é sequer o tamanho médio de um pénis”, afirma Gigi Engle.

Mito:

O sexo é exatamente aquilo que se vê nos filmes pornográficos.

Verdade:

Muitas pessoas esquecem-se que o que estão a ver é ficção, principalmente os mais jovens que têm muitas vezes têm na pornografia o primeiro contacto com o sexo. De acordo com um estudo feito em 2016 pela Universidade de Middlesex, em Londres, 39% dos jovens entre os 13 e 14 anos dizem querer imitar o que viram num filme pornográfico.

“O sexo na vida real vai muito além do entretenimento e fantasias. Envolve comunicação, conhecimento do corpo, estar vulnerável e correr riscos. Não é perfeito, nem centrado no homem. Na vida real atrapalham-se, fazem pausas, têm sede e até caem da cama durante o sexo. É tudo menos perfeito, e no ecrã não é isso que passa”, explica Janet Brito.

Mito:

Os homens não gostam de fazer sexo oral.

Verdade:

Segundo um estudo feito em 2016 a 900 homens heterosexuais, 90% dos homens disse ter prazer em fazer sexo oral. O que é bom, tendo em conta que 95% das mulheres diz gostar de o receber. “Falei com milhares de homens sobre o que pensam sobre sexo oral e a maioria adora. Claro que há alguns homens que sabem pouco sobre o clitóris e que não se preocupam com isso, mas quase todos acreditam que o sexo oral é muito íntimo e excitante. No caso de terem que escolher, dizem que preferem dar do que receber”, conta Ian Kerner, terapeuta sexual.

Mito:

As mulheres não gostam tanto de orgasmos como os homens.

Verdade:

Há uma grande diferença entre homens e mulheres no que diz respeito ao orgasmo. Num estudo feito em 2017 a 52 mil adultos, chegou-se à conclusão de que as mulheres heterosexuais são quem menos orgasmos tem. Apenas 65% tem orgasmos sempre ou frenquentemente. No caso dos homens, o número cresce para os 95%. Mas isso não se deve ao facto de as mulheres não quererem ter orgasmos. Deve-se a vários fatores como a falta de preliminares e de estimulação do clitóris, ou simplesmente por falta de comunicação com o parceiro.

Mito:

O sexo só é bom quando termina com um orgasmo.

Verdade:

Claro que um orgasmo torna a relação sexual mais satisfatória, no entanto, não é o único fator importante. Mesmo quando o sexo não termina dessa forma, pode continuar a ser prazeroso para ambos. “O sexo opera de tantas formas além da física. A parte espiritual e emocional tem muito potencial e é muitas vezes deixado de lado”, explica Liz Afton, terapeuta sexual.

Mito:

Os homens que gostam ou fantasiam sobre sexo anal são gay.

Verdade:

“A origem deste mito vem da ideia de que o comportamento define a identidade. É importante perceber que um e outro são coisas diferentes. O comportamento sexual não define a identidade sexual”, afirma Hart. Uma pessoa com qualquer orientação sexual, pode gostar de sexo anal ou outro tipo de sexo.

Mito:

A pornografia causa disfunções sexuais nos homens mais jovens.

Verdade:

“Há uma histeria contra a pornografia na nossa cultura e, na realidade, os homens masturbam-se mais do que há uns anos. Mas não há nenhum estudo que prove que a pornografia possa levar à disfunção erétil”, explica Ian Kerner. A disfunções eréteis podem ser psicológicas ou fisiológicas e nos mais jovens é, normalmente o último. “Quando isto acontece, muitos homens pensam se poderá ter a ver com o facto de verem porno e essa ansiedade advém da publicidade negativa que os media fazem à pornografia e à ideia de que é um vício.”

Mito:

Gostar de sexo kink ou bondage faz das pessoas anormais ou sexualmente perversas.

Verdade:

Os livros e filmes “50 Sombras de Grey” mostraram muito sobre este tipo de sexo e o seu sucesso leva a crer num dos vários mitos sobre sexo: que pode haver mais pessoas interessadas do que se imaginava. Jesse Kahn, terapeuta sexual, afirma “Este tipo de sexo (kink) está a tornar-se cada vez mais comum e mainstream. Não só há mais pessoas kinky, como se começa a perceber que a vida sexual de muitas pessoas já incorporava elementos kinky.”