ansiedade

Saúde

Estas ilustrações mostram o que sente alguém que sofre de ansiedade

Mariana e Laura notaram que se sentiam menos ansiosas quando conversavam sobre o tema. Juntas, criaram o projeto (ins)Pira, onde através de ilustrações narram a ansiedade. Agora, lançam um desafio aos artistas de Portugal.

O que é que se sente quando se está com ansiedade? Depende, é complexo e varia de pessoa para pessoa. Embora, em menor ou maior grau, todos nós já nos sentimos ansiosos, só quem enfrenta frequentemente este estado é que sabe como é passar por ele.

O pensamento não encontra sossego e anda às voltas. Há o medo do que está por vir. Há dificuldade em identificar a causa do mau estar e é difícil explicar aquilo que se sente a quem está à nossa volta. No pior dos cenários, as rotinas normais do dia-a-dia são albaroadas por esta condição emocional, que se enraiza e ganha o estatuto de perturbação psicológica.

A terapia é um pilar fundamental para se lidar com a ansiedade, mas conversar com quem passa pelo mesmo também ajuda muito.

Mariana Barbosa, a trabalhar na área de gestão, e Laura Pina, ilustradora, sofrem de ansiedade e decidiram criar um projeto que pudesse responder a esta dupla necessidade: por um lado, ajudar quem sofre deste problema fomentando um diálogo aberto e, por outro, auxiliar quem está perto de pessoas que vivem com ansiedade, desmistificando as formas como esta emoção/perturbação se expressa.

A terapia é um pilar fundamental para se lidar com a ansiedade, mas conversar com quem passa pelo mesmo também ajuda muito.

Mariana Barbosa, a trabalhar na área de gestão, e Laura Pina, ilustradora, sofrem de ansiedade e decidiram criar um projeto que pudesse responder a esta dupla necessidade: por um lado, ajudar quem sofre deste problema fomentando um diálogo aberto e, por outro, auxiliar quem está perto de pessoas que vivem com ansiedade, desmistificando as formas como esta emoção/perturbação se expressa.

“O nosso principal objetivo é que se fale mais sem vergonha. A ansiedade está presente em vários momentos diferentes das nossas vidas, só que o estigma nasce de certas situações, porque parece que há contextos em que é aceitável sentirmo-nos ansiosos e outros em que já não é bem assim, em que é estranho“, explica Mariana. “Se dissermos que quando andamos de avião ficamos ansiosos toda a gente entende, mas há outras situações que não são tão bem compreendidas e que são difíceis de explicar a quem não passa por isto.”

“Isso são só coisas da tua cabeça”

Mariana descreve-se como uma pessoa positiva e divertida, mas também diz que sempre foi ansiosa, provando que estado emocional não depende de quadros mais depressivos. Mas foram precisos alguns anos para desemaranhar a teia complexa destas emoções: “Eu já tenho ansiedade há muitos anos, mas demorei a perceber porque existe uma grande dificuldade em separar a ansiedade da ideia de que eram ‘só coisas da nossa cabeça’. Esta é, na realidade, uma frase e resposta muito comum: ‘Isso são só coisas da tua cabeça.'”

Já mudou de país três vezes (hoje vive na Suíça com o marido, que é arquiteto) e foi nestas fases de mudança que percebeu que não, não eram só coisas da sua cabeça. Havia mesmo um problema de ansiedade.

Para Laura foi tudo muito mais repentino: sempre foi muito hipocondríaca, uma das formas sobre as quais a ansiedade se manifesta, mas que é muitas vezes desvalorizada. A coisa escalou e ganhou proporções mais extremas: começou a ter ataques de pânico.

As conversas que as duas amigas foram tendo sobre este problema comum, ainda que com contornos diferentes, foi uma grande ajuda: “Quando começámos a falar sobre o que sentíamos — de como a ansiedade tinha impacto na nossa vida — percebemos que este processo de partilha era, por si só, terapêutico“, explica.  “Foi dessa conversa que surgiu o projeto (ins)Pira, onde ilustramos a ansiedade e partilhamos a nossa experiência, com um twist de cor e otimismo. Porque viver com a ansiedade é possível.”