cobertor pesado

Saúde

Experimentámos o primeiro cobertor pesado português — e nunca dormimos tão bem

Chama-se Blanky e pode ser o que precisa para conseguir ter o sono tranquilo e reparador de que todos precisamos.

A primeira vez que ouvimos falar de um cobertor pesado foi em agosto de 2019, na altura em que o “Buzzfeed” lançou o seu canal de YouTube mais direcionado para um estilo de vida saudável, o “Goodful”. O vídeo relatava a experiência de uma das editoras ao dormir durante sete dias com um destes cobertores e onde, no final, explicava que a qualidade do seu sono tinha melhorado significativamente. O vídeo despertou-nos alguma curiosidade mas, na altura, a única hipótese de ter um destes cobertores era encomendando através de sites como o eBay ou a Amazon. Felizmente, dois empreendedores portugueses quiseram mudar isso, e hoje já é possível dormir com um cobertor pesado português: o Blanky

Ricardo Parreira tem 32 anos e é formado em gestão. Depois de três anos a trabalhar em Londres, regressou a Portugal há dois anos e tem estado dedicado a este projeto juntamente com o sócio, António Pedro Silva, que também voltou recentemente ao nosso País depois de seis anos a trabalhar para uma consultora em Londres.

A ideia de criar o negócio surge, precisamente, pelo trabalho frenético e stressante de Pedro, tal como contam à dobem. “O Pedro em Londres tinha algumas dificuldades em dormir por causa do trabalho dele na área da consultoria”, recordam. “Estava à procura de algumas soluções que o ajudassem com o sono mas que não passassem pela toma de medicamentos. Tentou trocar de colchão, mas não foi possível porque estava numa casa alugada, até que comprou um cobertor pesado.

A partir daí, Pedro começou a conseguir ter um sono mais tranquilo e viu que aquele produto tinha potencial. Falou com Ricardo e juntos perceberam que ainda não havia nada a ser feito nesta área em Portugal e em Espanha. Depois disso, começaram a desenvolver o produto e o Blanky acabou por ser lançado entre julho e agosto de 2020. 

Como é que um cobertor pesado nos ajuda a dormir melhor?

Os cobertores pesados não são propriamente uma novidade. Tal como se pode ler no site oficial da Blanky, os nossos antepassados já utilizavam as peles de animais para se aquecerem, peles essas que podiam ultrapassar, e muito, o peso do seu próprio corpo. Anos mais tarde, foi a vez de a ciência começar a utilizar este tipo de cobertor para tratar alguns problemas de saúde mental como a ansiedade, o autismo ou o transtorno obsessivo compulsivo. 

Mas como é que isto funciona, exatamente? O peso deste cobertor, que é revestido de algodão puro, é criado utilizando grãos de vidro tratado que são divididos pela superfície do cobertor para criar o peso ideal para cada pessoa. Existem vários formatos, tanto para adulto como para criança, e cada pessoa deve escolher o peso do seu Blanky consoante o peso do corpo. A ideia é sempre seguir a regra de que o cobertor deve equivaler a entre 10% a 15% do peso da pessoa. 

O cobertor pesado utiliza o método DTP, isto é, “Deep Touch Pressure” que, como o nome indica, aplica uma pressão gentil e localizada em todos os músculos do corpo, o que nos leva a relaxar e  a descansar de uma forma mais tranquila. Isto acontece, tal como explica a neuropsicóloga, Margarida Mendes, da Clínica de Santo António, já que o cobertor pesado ajuda o organismo a produzir melatotina e serotonina, duas das hormonas associadas ao sono. 

Existem Blankys individuais para adulto e criança, e também opções para casais

“As hormonas do sono, como é o caso da serotonina e da melatonina, são essenciais para um sono tranquilo e são produzidas naturalmente pelo organismo, só que nem sempre em quantidade suficiente”, explica a especialista. “No caso da melatonina, por exemplo, os seus níveis diminuem com o avançar da idade. Ao estimular naturalmente a sua produção no cérebro, o cobertor pesado contribui assim para um sono de melhor qualidade e mais duradouro, ajudando também a tratar a insónia e a diminuir o tempo necessário para adormecer”. 

Num momento em que, tal como confirma a neuropsicóloga, em Portugal o problema do sono é bem real, tudo o que possa ajudar a descansar sem recorrer a medicação é uma mais valia. Neste momento, cerca de dois terços da população portuguesa dorme mal, e 59% tem dificuldades em adormecer. “Prova disso é o facto de estarmos continuamente entre os cinco países europeus que mais consome ansiolíticos, antidepressivos e comprimidos para dormir: cerca de 10 milhões de embalagens por ano”, explica. 

A nossa experiência

Isabel Silva

Perguntaram-me em tempos: sabes o que é um cobertor pesado? Não fazia a mínima ideia. 

Lá me explicaram que ajudava a ter um sono mais tranquilo e descansado por causa da tal tecnologia “deep touch pressure”. E a verdade é esta: eu sou daquelas que, seja verão ou inverno, durmo sempre com um cobertor. Não consigo ter simplesmente um lençol por sentir falta de aconchego. Um cobertor acolhe e protege e, mesmo quando aquece no Inverno, sou capaz de ligar o ar condicionado só para não abdicar o cobertor. Verdade. Sempre fui assim.

Pronto. Agora tudo faz ainda mais sentido. 

Tenho um Blanky cá em casa e durmo com ele há uma semana. Alertaram-me que podia sentir algum desconforto na primeira e segunda noite por não estar habituada ao peso do cobertor. No meu caso, foi muito tranquilo. Não tive dificuldade em dormir. Melhor, tenho dormido a noite toda seguida, sem acordar.

Agrada-me muito saber que estou coberta com produtos 100% naturais. Agrada-me saber que este projeto nasce com dois jovens empreendedores portugueses, que querem investir em Portugal num produto diferenciador e que está altamente focado na nossa saúde. 

Ter um sono profundo e reparador é o caminho para uma vida feliz. É durante o sono que os músculos regeneram, que o cérebro descansa e que ganhamos energia para o dia seguinte. Nós traçamos o nosso caminho, nós é que decidimos o que queremos para nós e nós é que fazemos acontecer. Mas, se tivermos as ferramentas que ajudam a melhorar o nosso bem-estar, melhor ainda. 

Este vai ficar na minha cama. E a ter trocar, das duas uma ou aumento muito de peso… ou tenho de começar a dividir a minha cama para alguém a mais do que o Caju. 

Ana Gordo

Sempre que vou dormir a casa do meu namorado em noites mais quentes, temos sempre a mesma discussão. Para ele, é impensável dormir tapado, até mesmo com um lençol, já eu preciso de ter, pelo menos, o lençol e um cobertor. Bizarro? Talvez, mas sempre fui assim e acho que, tão cedo, isso não vai mudar. 

Quando ouvir falar pela primeira vez nestes cobertores percebi que estava aqui a solução que procurava. Problema: ainda não havia nada do género em Portugal. Entretanto, a Isabel falou-me no Blanky e disse-me que sofria deste mesmo problema de precisar de algum peso para conseguir dormir descansada. 

Assim que o cobertor me chegou a casa pensei que talvez fosse ser demasiado pesado para mim, mas não. O peso está bem distribuído por todo o cobertor e quando nos deitamos sentimos um aconchego extra, como se tivéssemos postos mais uns quantos cobertores na cama quando, na realidade, é só um. 

Dizem o Ricardo e o Pedro que precisamos de algum tempo para percebermos exatamente se o Blanky tem impacto no nosso sono ou não, mas posso dizer que ao fim de semana semana a dormir todas as noites com ele há algo que mudou. É que se antes demorava quase meia hora a adormecer todas as noites, agora em menos de cinco minutos já estou a descansar. 

Mas, para mim, o verdadeiro teste vai chegar no inverno. É que durante anos tive de usar uma manta que comprei na Serra da Estrela para conseguir descansar, por ser bastante pesada. Quer-me parecer que com o Blanky é bem provável que a manta nem sequer saia do roupeiro este ano. 

O Blanky está disponível em tamanhos para casa de criança e de adulto e o peso do cobertor deve ser escolhido consoante o peso de cada pessoa. Existem também uma opção para casais, mais pesada, para que o peso seja distribuído pelas duas pessoas. Os preços começam nos 139€ e pode comprar o seu Blanky através do site