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Saúde

Não faz exercício físico? Estudo indica que tem duas vezes mais probabilidade de vir a ter depressão ou ansiedade

A investigação surge num momento em que o número de pessoas com sintomas associados a estas patologias crescem cada vez mais. Muitos dos novos casos estão associados à pandemia da COVID-19.

Já sabemos o quanto é importante fazer exercício físico regularmente e os benefícios que o treino tem tanto para o corpo como para a mente. O que talvez não saiba é que ao ter um estilo de vida sedentário tem duas vezes mais probabilidades de vir a ter uma depressão ou a sofrer de ansiedade. Pelo menos, é isso que conclui um novo estudo publicado a 11 de novembro pela revista “BMC Medicine”.

A Direção Geral da Saúde (DGS) apontava, no início de outubro de 2020, que mais de 400 mil portugueses sofressem de depressão. À escala mundial, a Organização Mundial de Saúde estima que o número ultrapasse os 300 milhões, um cenário nada animador e que, com a pandemia da COVID-19, tem tido tendência a tornar-se ainda mais problemático. É por isso que, agora, mais do que nunca, ter um estilo de vida saudável, o que implica também introduzir algum tipo de atividade física no dia a dia, é cada vez mais imperativo.

Segundo os investigadores de várias universidades londrinas e do Massachusetts General Hospital, o simples facto de não fazer qualquer tipo de atividade física regularmente aumenta significativamente a probabilidade de vir a desenvolver ansiedade ou depressão. Isto porque, de acordo com o estudo, os participantes com boas aptidões tanto a nível muscular como aeróbico e que praticavam exercícios que punham à prova a sua resistência e capacidade cardiorrespiratória tinham menos probabilidade de vir a desenvolver qualquer um destes distúrbios.

Por outro o lado, todos os participantes com aptidões físicas mais reduzidas tinham o dobro da probabilidade de virem a desenvolver uma depressão e 60% mais hipóteses de sofrerem de ansiedade.

Os resultados tiveram como base uma amostra de quase 153 mil adultos entre os 40 e os 69 anos. Para chegarem a estas conclusões, os investigadores acompanharam a vida de cada um destes voluntários durante sete anos, durante os quais foram fazendo avaliações recorrentes tanto a nível físico como mental.

Apesar de o estudo indicar que existe uma probabilidade de uma pessoa que pratique pouco ou nenhum exercício físico vir a desenvolver uma destas patologias, a realidade é que não aponta o sedentarismo como sendo o principal responsável. Segundo os investigadores, um dos motivos que podem levar a esta ligação entre a falta de exercício físico e o aparecimento destas doenças é o facto de as pessoas com sintomas associados a problemas de saúde mental não terem tanta disposição para fazerem desporto.

Esta nova investigação junta-se a outras anteriores que já tinham estabelecido uma ligação entre a atividade física e algumas questões relacionadas com a saúde mental, nomeadamente o stresse. Em agosto de 2020, uma investigação concluiu que o exercício regular aumenta os níveis de um químico no cérebro dos animais que os ajuda a permanecer psicologicamente resistentes e corajosos, mesmo quando as suas vidas parecem de repente estranhas, intimidantes e cheias de ameaças.

Sabemos que, numa altura em que muitos de nós regressam ao teletrabalho, treinar em casa pode ser desafiante. Mas deixamos uma sugestão de um circuito de abdominais que pode fazer em casa em apenas dez minutos. Se quiser algo mais estimulante, pode sempre fazer um treino a dançar. Ficar parado é que não deve, definitivamente, ser uma opção.