fadiga pandémica

Saúde

Fadiga pandémica. Estudo alerta para níveis preocupantes em Portugal

Investigação do ISPA revela que mais de 80% dos adultos estão cansados mentalmente. Mulheres e jovens são os mais afetados.

As últimas semanas têm sido animadoras no que diz respeito ao número de novos infetados e de mortes pelo vírus da COVID-19. Contudo, há uma preocupação entre os especialistas: a fadiga pandémica, cujos níveis continuam a aumentar. Quem o diz é um novo estudo levado a cabo pelo PsiQuaren10, um projeto de apoio psicossocial em tempos de quarentena desenvolvido por alunos do ISPA – Instituto Universitário.

No inquérito, realizado online, foram apuradas respostas de mais de 1800 adultos, sendo que a maioria se concentrava nas zonas de Lisboa, Setúbal e Porto. De acordo com a investigação, as mulheres apresentavam resultados níveis doe fadiga pandémica superiores ao dos homens. Por outro lado, os mais jovens são também os que apresentavam níveis mais elevados de fadiga pandémica. No total, segundo escreve o jornal “Público“, 82,2% dos inquiridos revelaram níveis de fadiga pandémica moderada ou elevada/severa.

Apesar de os dados terem começado a ser apurados em novembro, altura em que o confinamento já existia, janeiro e fevereiro foram os meses mais críticos. As pessoas sentiram-se “mais cansadas, com níveis superiores de fadiga pandémica”, afirma Ivone Patrão mentora do projeto, citada pelo “Público”. Fazendo uma análise dos momentos vividos em Portugal, as duas vagas tiveram muitas diferenças, não só pelas medidas aplicadas como pela saúde mental de cada um. “Olhando para aquilo que acontece na segunda vaga e nesta terceira há diferenças, porque numa estamos num confinamento parcial e noutra estamos num confinamento total e há uma variável aqui que discrimina a forma como as pessoas se sentem”, refere a docente do ISPA.

As mudanças que conduziram à fadiga pandémica

Se durante algum tempo muitos acreditavam que a COVID-19 nunca chegaria a Portugal, hoje é uma realidade bastante presente nas nossas vidas. A pandemia fez com que passássemos a dar valor às pequenas coisas, dos passeios higiénicos a uma simples conversa por telefone entre amigos, com quem não é possível estar fisicamente.

Não sendo possível manter uma rotina, muitas foram as adaptações que tivemos de fazer às nossas vidas o que, tal como a psicóloga Filipa Jardim da Silva explicou recentemente à dobem., nem toda a gente tem tido facilidade em aceitar, especialmente em momentos onde essas mesmas mudanças são constantes.

“Agora estamos em casa, de repente já podemos sair, depois os miúdos podem ir à escola, mas a seguir voltam para casa”, exemplifica a psicóloga clínica.

A mesma investigação do ISPA afirma ainda que, para além das preocupações que cada indivíduo tem, houve fatores externos que vieram contribuir para o piorar do nosso estado. O isolamento, o teletrabalho, as notícias com que somos confrontados diariamente, e o facto de termos familiares ou conhecidos infetados, fizeram com que estes níveis disparassem.

Por fim, Ivone Padrão ressalva a importância da saúde mental, e como esta deve ser uma prioridade de todos nós. “É um facto que temos de tratar da saúde física dos portugueses, mas temos de tratar também da saúde mental”, diz a especialista.