cura para a enxaqueca

Saúde

Não existe cura para a enxaqueca, mas há formas de a controlar. Saiba como

Os medicamentos não são a única opção. Adotar um estilo de vida saudável, praticar exercício e complementar com terapêuticas não convencionais pode ajudar a reduzir as crises.

Quem sofre com enxaquecas sabe o quanto pode ser desesperante ter uma dor que parece não passar. Surgem quando menos se esperam e, tal como três pessoas relevaram à dobem., podem ser realmente incapacitantes, ao ponto de afetar as rotinas diárias de quem sobre com as cefaleias. E a dura realidade é que não existe uma cura para a enxaqueca. Existem, no entanto, formas de a controlar, prevenir e até de atenuar a dor.

O tratamento da enxaqueca pode-se dividir em duas grandes fases. O tratamento agudo — designado também por tratamento abortivo — é realizado na fase em que o doente já se encontra com uma crise e tem como objetivo terminá-la ou aliviar a dor. Já o tratamento preventivo — também conhecido como tratamento profilático — é feito de forma regular e pretende prevenir o aparecimento de crises de enxaqueca, reduzindo a sua frequência e intensidade.

“A medicação preventiva não é um medicamento propriamente dito. Há várias opções”, começa por explicar à dobem. Raquel Gil-Gouveia, neurologista do Centro de Cefaleias do Hospital da Luz. “Até há pouco tempo, a maior parte deles não tinha sido desenhado propriamente para a enxaqueca. Eram medicamentos para outras patologias e que depois se tinha verificou que funcionavam na enxaqueca e estão aprovados para tal. O fármaco que se usa no tratamento preventivo depende da pessoa e da estratégia que estamos a tentar adotar”, acrescenta.

A especialista alerta para a importância de termos em consideração que o tratamento preventivo não deve ser só à base de medicamentos. “A prevenção da enxaqueca tem um comportamento importante que chamamos de terapêutica não farmacológica e que passa muito por medidas de estilo de vida: regularização dos hábitos de sono, fazer exercício físico ou regularização dos horários das refeições.”

O exercício físico é fundamental

Segunda Raquel Gil-Gouveia, a parte farmacológica surge como um completamento. Há vários medicamentos que podem ser usados, mas não há nenhuma regra que defina por qual se deve começar ou se irão resultar em todos os doentes. Cada caso é um caso e por isso é essencial consultar sempre um especialista antes de tomar qualquer decisão.

“Eu acho que uma medida não farmacológica que pode ser complementar e que é fundamental é o exercício”, afirma a especialista referindo que sempre que pode tenta reforçar essa atitude por parte dos doentes.  “Não precisa de ser nada de especial, pode e deve ser o que a pessoa gostar de fazer. O exercício regular produz algumas substâncias no nosso cérebro que são analgésicos naturais. Além de nos relaxar e baixar a ansiedade, ajuda noutras coisas”, acrescenta.

Esta é também uma intervenção alternativa referida pela Sociedade Portuguesa de Cefaleias, à qual se juntam as técnicas de relaxamento ou a acupuntura que, apesar de não serem a cura para a enxaqueca, podem ajudar, e muito.

Com as técnicas de relaxamentos é possível melhorar a qualidade de vida, reduzindo a tensão. A meditação ou o ioga podem ajudar a regular as emoções e a diminuir o stresse que, muitas vezes, é o que provoca as crises de enxaqueca.

Também a acupuntura pode produzir relaxamento e bem-estar. Esta técnica da medicina tradicional chinesa (MTC)  envolve a inserção de agulhas finas na pele para estimular e desbloquear pontos energéticos específicos do corpo.

” As cefaleias e as enxaquecas podem ter, de acordo com a medicina chinesa, uma origem mais estrutural, que pode dever-se a uma alteração da pressão existente nas artérias e veias , a um desvio das vértebras ,uma contractura grave, ou qualquer outra situação que impeça a correta irrigação do cérebro”, explica Ana Celeste Mendes, especialista em medicina tradicional chinesa, à dobem.

Segundo Ana Celeste Mendes, a MTC concebe o estado de saúde como o equilíbrio dos vários tipo de energia que percorrem as linhas preferenciais para a circulação de energia no nosso corpo, o equilíbrio entre energia e sangue, o equilíbrio das emoções e o equilíbrio entre o indivíduo e o meio ambiente.

“Só uma consulta prévia permite aferir a origem do problema”

“As enxaquecas podem, assim, resultar de um desequilíbrio de ordem energética. A localização da cefaleia indica o órgão que pode estar afetado. Quando digo órgão, digo órgãos energéticos, isto é, o órgão em si pode ainda não estar afetado, mas a sua energia sim. A medicina chinesa é bastante preventiva porque, se equilibrarmos energeticamente um órgão, impedimos que, mais adiante no tempo, esse órgão venha a adoecer”, afirma a especialista da BeStronger.

Ana Celeste alerta ainda para o facto de o aparecimento de crises de enxaqueca poder estar associado a diferentes fatores. “Só uma consulta prévia, onde seja possível fazer a recolha criteriosa de dados clínicos e realizar a observação clínica do paciente, permite aferir a origem do problema”, esclarece.

Contudo, as terapêuticas não convencionais não substituem a consulta de um médico de família ou de um neurologista e a utilização da medicação por este indicada.

Raquel Gil-Gouveia acrescenta que a fisioterapia e as correções de postura podem também ajudar,  mas nenhuma delas de uma forma tão eficaz como a que tem a utilização de fármacos preventivos.

Para além da prevenção, existe ainda o tratamento agudo. “Aí o objetivo do fármaco é tentar ajudar a pessoa a não ter dor e voltar à sua função normal o mais rapidamente possível e sem deixar efeitos secundários”, esclarece a neurologista. Neste caso, já existem alguns fármacos específicos para a enxaqueca, mas “há anti-inflamatórios normais que resultam bem em algumas pessoas”, quem o diz é Raquel Gil-Gouveia à dobem.

A escolha do tratamento não depende só do tipo e intensidade da enxaqueca, mas também dos sintomas e doenças associadas e por isso, só um médico o pode recomentar.  

Durante as crises, os doentes podem adotar medidas para atenuar e aliviar a dor

— Descansar e dormir em ambientes sossegados e com pouca luz é essencial para ajudar a controlar ou reduzir a evolução da crise;

— Colocar compressas frias, gelo, ou bandas de frio na cabeça, na região frontal e das têmporas, promove uma sensação de alívio nesta fase;

— Durante as crises deve ainda  evitar fatores que agravem a dor como luzes, cheiros e sons fortes. Os esforços físicos e movimentos acentuados devem também ser evitados.