problemas de pele ao usar máscara

Saúde

Acne, eczema e irritações. Saiba como evitar problemas de pele ao usar máscara

Eczemas, feridas superficiais, reações alérgicas e acne são alguns dos problemas de pele que têm vindo a surgir devido à utilização frequente de máscara. Saiba como os evitar.

Todos nos lembramos daquelas manhãs na adolescência em que acordávamos com uma borbulha provocada pela acne bem visível mesmo no centro do queixo. Daquelas que nem três tipos diferentes de corretor e várias camadas de base pareciam esconder. Tentávamos livrarmo-nos do pequeno monstro que parecia ter tomado o nosso rosto de assalto, mas o resultado ainda era pior e tínhamos de fazer um walk of shame até à escola com uma marca gigante que, por essea altura, já era impossível de esconder. Bons tempos.

Nessas alturas, o que mais desejávamos era termos uma máscara que pudesse esconder o martírio pelo qual a nossa pele estava a passar. Mal podíamos imaginar que em 2020 as máscaras se tornariam num acessório obrigatório, e que seriam também elas as responsáveis por trazerem as malfadadas borbulhas — e não só — de volta ao nosso rosto.

Numa altura em que começam a surgir os primeiros sinais de esperança de que a pandemia da COVID-19 já esteve mais longe de terminar, o uso da máscara ainda não pode ser descurado. E a verdade é que não o será durante os próximos tempos, até porque, tal como escreve o “The New York Times“, mesmo após a toma da vacina contra o vírus, ainda será necessário usarmos máscaras durante algum tempo, já que estas são uma das melhores formas de proteção contra a doença. Contudo, a nossa pele está a sofrer com a sua utilização, e tudo porque não estamos a ter os cuidados certos.

Basta falar com algumas das pessoas do seu círculo mais próximo, seja amigos, família ou colegas de trabalho, que certamente já algum deles confessou estar a ter alguns problemas de pele por causa das máscaras. Seja as malditas borbulhas que trazem os dias tenebrosos de adolescência à memória, ou até mesmo reações alérgicas. E tudo, dizem, devido à utilização da máscara. E não estão erradas.

Helena Toda Brito, dermatologista e membro da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, explica à dobem. que a utilização de máscara por períodos prolongados pode afetar a pele através de três mecanismos principais. Estes mecanismos podem contribuir para o aparecimento de eczemas, feridas superficiais, reações alérgicas, acne e agravamento de doenças de pele pré-existentes, como é o caso da rosácea ou da dermatite seborreica. Mas que mecanismos são estes?

“Um dos mecanismos é a alteração do microclima à superfície da pele, que se torna mais quente e húmido nas áreas cobertas pela máscara devido à acumulação de calor e humidade provenientes da respiração, transpiração e saliva”, começa por explicar a especialista, referindo que o microclima alterado aumenta, por sua vez, a oleosidade da pele, desregulando o conjunto de microrganismos que habita nela naturalmente.

“Outro mecanismo é o contacto direto da pele com a máscara que, além de a agredir de forma mecânica — pela pressão, atrito e oclusão que provoca — , sujeita-a ao contacto frequente com um tecido que acumula oleosidade, transpiração e sujidade ao longo do seu tempo de utilização”, acrescenta.

Por outro lado, Helena Toda Brito explica ainda que algumas pessoas podem ser alérgicas a um dos componentes da máscara, como é o caso do aro metálico existente em algumas delas ou o próprio tecido que as compõem. O que também pode provocar estas reações adversas.

Quais os cuidados a ter para evitar os problemas de pele ao usar máscara?

Não deveria ser uma surpresa, mas a melhor forma de evitar os problemas de pele ao usar máscara é, à partida, já ter o rosto bem cuidado. Pode não os evitar totalmente, mas ajuda a reduzir grande parte destes problemas, garante a especialista em dermatologia.

“Quando a pele está bem cuidada, a barreira cutânea está íntegra, resistindo melhor à agressão provocada pela máscara“, explica Helena Toda Brito.

A especialista explica ainda que, em pessoas que já tenham algum tipo de patologia de pele, este tipo de cuidados constantes torna-se ainda mais fundamental, independentemente da utilização da máscara. “Nas pessoas que tenham doenças de pele pré-existentes como, por exemplo, eczema, rosácea ou acne, este aspeto é ainda mais relevante, sendo importante manter o acompanhamento regular pelo médico dermatologista e o cumprimento da terapêutica indicada”, afirma Helena Toda Brito.

Segundo a especialista, para evitar o aparecimento destes problemas de pele ao usar máscara, é essencial redobrar os cuidados diários, fazendo uma limpeza com água morna e um “produto de limpeza suave com pH neutro, hipoalergénico e sem perfume”. Deve-se ainda reforçar a hidratação da pele com a aplicação de “um creme hidratante de composição simples, que não obstrua os poros, antes e após a utilização de máscara”.

Uma das coisas que também pode ajudar, especialmente para quem tem o chamado “Maskne”, um termo que se tem tornado cada vez mais viral nas redes sociais e que juntam as palavras “mask” (máscara, em inglês) e “acne”, é utilizar adesivos que ajudam a tratar aquelas borbulhas mais teimosas que tendem a surgir na zona do queixo, uma das que passa mais tempo em contacto com a máscara. Existem já várias marcas no mercado a disponibilizar este tipo de produto, como é o caso da COSRX, que vende o Clear Fit Master Patch (6,95€ na Look Fantastic) ou os adesivos anti-acne da marca portuguesa Gaulíe (7,99€ no Auchan)

A escolha da máscara deve também ser um aspeto a ter em conta. “Para diminuir a agressão à pele, deve-se optar por máscaras que contenham um tecido suave e respirável, como o algodão, na camada mais interna que está em contacto direto com a pele, e ter o cuidado de escolher uma máscara que se adapte correta e confortavelmente ao rosto”, refere a especialista alertando para o facto de que uma máscara muito larga, para além de poder comprometer a sua capacidade protetora, pode provocar maior atrito na pele.

Para além disso, Helena Toda Brito refere ainda que a máscara deve ser substituída frequentemente fazendo “períodos de pausa pelo menos a cada quatro horas ao longo do dia, desde que possível e seguro”, e deve-se ainda evitar fatores adicionais de irritação da pele como, por exemplo, a utilização de maquilhagem, esfoliações e limpezas de
pele.

“Lembro, contudo, que o nível de proteção conferido pela máscara — comunitária, cirúrgica ou respiratória — é o fator mais importante a ter em conta na escolha da máscara, existindo situações em que as últimas estão indicadas, mesmo que possam ser mais agressivas para a pele”, remata a especialista.

Caso as medidas não sejam suficientes para evitar o surgimento de problemas de pele, Helena Toda Brito aconselha a que consulte um médico dermatologista de modo a que seja possível fazer um diagnóstico correto e um tratamento específico.

O tratamento dependerá do tipo de problema que tenha surgido e pode incluir a alteração dos produtos utilizados na rotina diária — no caso de produtos específicos para peles sensíveis, eczema rosácea, ou peles acneicas — ou mesmo prescrição de medicação.