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Saúde

Tem ansiedade e ataques de pânico? Especialista explica o que fazer nestas situações

Quem sofre desta perturbação vive constantemente com medo do futuro e não aproveita o momento. Rosa Basto explica como contrariar o sentimento.

O último ano não tem sido fácil para ninguém, muito menos para as pessoas que são mais ansiosas e que viram este estado piorar com a chegada da pandemia da COVID-19. É cada vez mais o tempo que passamos fechados em casa a fazer cada vez menos coisas que nos distraiam e ajudem a não entrarmos em estados depressivos. Certamente, a grande maioria das pessoas já sentiu, em alguma altura da sua vida, um nó na garganta ou um forte aperto no peito que quase impede de respirar — a isto chama-se ansiedade.

Rosa Basto, licenciada em Psicologia, hipnoterapeuta, e autora do livro “Comece a Viver Agora” explica à dobem. que há soluções para deixarmos de nos sentir tão ansiosos e incomodados com coisas que estão fora do nosso controlo. Segundo a especialista, com a pandemia as crises de ansiedade, os pânicos e os medos relativamente ao futuro intensificaram-se.

“Quando escrevi o meu livro já estava a ser uma resposta à quantidade de pessoas que entravam nas nossas clínicas com problemas de ansiedade e que traziam consigo outras perturbações associadas. Senti a necessidade de alertar as pessoas para pararem e pensarem na vida que estavam a levar, para mudarem alguma coisa na vida delas.”

Rosa Basto explica que viver com ansiedade é viver constantemente a pensar nos “ses” do que pode vir a acontecer. “A pessoa pode ainda não ter a certeza do que realmente vai acontecer, mas já está a colocar na hipotética situação o perigo todo. Desta forma, vive constantemente assustada com o futuro e, portanto, deixa de viver o momento e o agora para estar sempre nesse estado de viver com receio.”

O que deve fazer uma pessoa que sofre de ansiedade?

Segundo a especialista, quando as pessoas têm muita ansiedade o que devem fazer é “parar para pensar na vida que estão a levar. Saber fazer um stop é fundamental”.

Para além disso a pessoa pode ainda:

— “Ter em conta as coisas de que precisa e aquilo que realmente gosta.”

— Parar de estar constantemente a comparar-se com os outros. “As pessoas fazem muito isto, comparam-se com os outros e é por isso que sentem ter necessidade de responder muito às exigências de fora. Quando nós respondemos muito às exigências de fora, nunca estamos satisfeitos”, explica Rosa Basto.

— Deixar de ser tão perfecionista. “As pessoas ansiosas são muito perfecionistas. Querem estar perfeitas, algo que está ligado também à questão de querer agradar aos outros.”

— Uma pessoa que é ansiosa deve trabalhar muito a autoestima. “Se não a trabalhar, o que vai acontecer é que nunca sabe quem é nem o que é importante para ela. Uma pessoa com a autoestima trabalhada não sente que tem de ser tão perfecionista, não sente que tem de agradar tanto aos outros, nem é tão indecisa.

Muitas vezes, a ansiedade baseia-se em medos irreais e domina, acima de tudo, pessoas que em alguma fase da sua vida já tenham sentido falta de proteção. “Quando têm a autoestima bem definida, as pessoas sentem-se auto protegidas e, por isso, não precisam de andar tanto atrás dos outros, da ideia ilusória de que os outros as podem proteger”, explica a hipnoterapeuta.

“É fundamental que a pessoa se sinta bem e completa com ela própria e a partir daí tudo funciona melhor, até a saúde. Se nós não estivermos bem com o nosso pensamento e com as nossas emoções vamos trazer problemas para o nosso corpo.”

Segundo a especialista, o que acontece é que o Ser Humano tem tendência para psicossomatizar tudo o que não consegue resolver com as emoções. Esta psicossomatização leva depois a problemas como dores de barriga e de estômago, cólicas, gastroenterites, dores de costas e até problemas de pele.

“As pessoas têm de saber que corpo e mente estão inteiramente relacionados e não há forma de dar volta a isto. Tudo o que se passa na nossa cabeça vai-se refletir no corpo e o que se passa no corpo vai-se refletir na nossa mente”, alerta Rosa Basto.

O que acontece muitas vezes é que a ansiedade acaba por dominar as pessoas levando a ataques de pânico, ou seja, “as crises de ansiedade mais complicadas”.

“É importante que as pessoas saibam que se deve prevenir a ansiedade, ou seja, tratar antes de chegarem a esse ponto. As pessoas só chegam aos ataques de pânico quando já deixaram que a ansiedade tivesse espaço para isso”, explica a especialista.

O que fazer e como ajudar uma pessoa que está a ter um ataque de pânico

Rosa Basto começa por alertar que, quando uma pessoa tem um ataque de pânico, não tem tempo para pensar em nada. O ataque aparece de repente e deixa a pessoa “muito aflita e com muita falta de ar, chegando a pensar que vai morrer”, esclarece. “Os sintomas são horríveis e demoram certa de 8 a 10 minutos a passar.”

“No momento da crise, as pessoas que se encontram ao lado não devem pedir a quem está a ter o ataque que respire fundo porque a pessoa está a hiperventilar e, por isso, não consegue respirar fundo“, começa por esclarecer.

Para além disso, apesar da tendência ser pedir à pessoa para ter calma, “o ideal é distrair a pessoa tentando dizer que está tudo bem, que já vai passar e falar com ela sobre outros assuntos”. A pessoa que se encontra ao lado deve ainda começar a respirar lentamente e mais profundamente para que quem está a ter a crise observe e, ao observar, acabe por imitar a respiração. “Devemos falar com calma, mas nunca dizer ‘ tem calma, tem calma’.”

Um copo de água com açúcar pode também ajudar, e encaminhar a pessoa para um espaço ao ar livre é uma sugestão possível, uma vez que associamos o ar livre a “mais ar”, mas que não terá implicações na resolução da crise visto que a respiração não irá melhorar por isso.

Rosa Basto explica ainda à dobem. uma técnica que costuma sugerir aos pacientes e que passa por aplicar pequenas “batidinhas” em pontos letárgicos da medicina chinesa, como os pulsos ou os braços, ajudando assim a que a pessoa se sinta mais calma. “O que acontece é que, quando as pessoas fazem essas batidinhas, começam a relaxar e distraem-se quebrando aquele estado de aflição em que estão”, diz a especialista.

Ainda assim, o mais importante “é que o paciente saiba como prevenir e tratar isto com ajuda de profissionais de saúde para não ter de passar por essa situação”, esclarece Rosa Basto. “O pior que fica de um ataque de pânico é o medo para o futuro. A experiência que fica gravada no cérebro das pessoas é de tal ordem má e traumática que a pessoa a partir daí tem um filme no cérebro que a chega a impedir de sair”, tornando-se assim essencial aprender a libertar o medo para o futuro.

Segundo a especialista, uma pessoa ansiosa deve aprender a estar bem com ela própria. “Nós não nascemos para ter ataques de pânico e por isso temos de aprender a estar verdadeiramente bem connosco, com a nossa saúde mental e física para não despoletarmos nada disto.”

O exercício físico, o ioga e a meditação também são aconselhados, uma vez que ajudam a combater o estado de ansiedade.

“O que precisamos de ensinar é a abrandar e saber apreciar um momento de cada vez, tirando partido da sua própria vida. Às vezes, para isso, é precisa psico educar as pessoas”, conclui Rosa Basto.