adotar uma postura correta

Saúde

Saiba o que deve fazer para adotar uma postura correta no trabalho

A cadeira do local de trabalho não faz milagres, por isso fomos perceber junto de uma especialista qual a melhor postura quando está em frente ao computador.

Agosto está a chegar ao fim, assim como as espreguiçadeiras à borda da piscina, a toalha estendida na areia da praia e os SPA’s dos hóteis. Para não desperdiçar todo o descanso que o corpo teve durante as férias, o melhor é aplicar já estas dicas para adotar uma postura correta no regresso ao trabalho.

A dobem. falou com Joana Moinho, fisioterapeuta, osteopata, personal trainer, CEO da clínica Reprogramar, para perceber algo tão simples como, afinal, de que forma devemos sentar-nos à secretária para manter uma boa postura?

Antes disso, fomos perceber os erros mais comuns que (quase) todos cometemos sem ter noção do seu impacto. Ficarmos sentados por mais de 30 minutos ou cruzar as pernas, são dois dos exemplos.

“Se realmente estiver durante muito tempo sentado na mesma posição, o cruzar de pernas pode colocar pressão no nervo fibular (situado atrás do joelho), provocando a sensação de dormência nas pernas e pés.
Para além deste facto, pode levar a um aumento temporário da pressão arterial”, explica Joana Moinho.

O ato quase inconsciente de cruzar as penas pode ainda levar a um desalinhamento da região pélvica ou favorecer lesões musculares, acrescenta a fisioterapeuta.

Qual é então a melhor forma de ter as pernas quando está sentada? “Paralelas, os joelhos a 90 graus e os pés totalmente apoiados no chão”, refere. Mas quanto aos pormenores de cada parte do corpo já lá vamos.

Quer esteja sentada a trabalhar ou a almoçar, as pernas não devem estar cruzadas, e quando está em horário laboral — que se estende durante, pelo menos, 8 horas — deve investir numa cadeira ergonómica que responda a vários requisitos:

Joana Moinho

— Possuir um encosto cuja forma e curvatura se adaptem ao corpo, protegendo a região lombar;
— A altura do assento deve ser regulável;
— Ter um assento plano e sem formato, com a borda frontal arredondada.

Contudo, de nada vale uma boa cadeira se não tiver uma boa postura. “Não existem cadeiras ideais, mas antes noções adequadas a cada pessoa sobre qual a postura a adoptar e quais os mecanismos que deve regular para o seu corpo”, destaca a fisioterapeuta.

Das costas aos pés, é assim que deve trabalhar para adotar uma postura correta

Há quem trabalhe recostado ou com as costas completamente direitas. Qual a melhor opção? Ambas, segundo a Joana Moinho.

“O primeiro passo é considerar a fisiologia da coluna, ou seja, a sua posição natural. A coluna precisa estar alinhada, respeitando as três curvaturas anatómicas: cervical, torácica (meio das costas) e lombar”, refere a fisioterapeuta.

Deve então sentar-se com as costas “eretas, os ombros para trás e os glúteos encostados na parte posterior da cadeira, distribuindo o peso nos ossos ilíacos”, diz a especialista, acrescentando que com um pouco de prática e persistência as costas ficam no lugar.

Pode parecer irrelevante ou básico, mas os pés também contam quando se trabalha um dia inteiro sentado. Além de apoiados totalmente no chão, devem estar alinhados com os quadris. Quanto aos apoios que já vimos debaixo das mesas de vários colegas de trabalho, podem mesmo ser uma boa solução.

“O apoio de pés favorece a movimentação e bombeamento sanguíneo, evita a compressão da cavidade poplítea (região atrás dos joelhos) e também favorece a correção postural posicionando a coluna no apoio da cadeira”, esclarece Joana Moinho.

Uma vez com a postura correta, há algo que também não deve esquecer: levantar-se a cada 30 minutos. Isto porque, quando estamos sentados, a queima de calorias baixa para uma por minuto e as enzimas que ajudam a queimar gordura corporal descem cerca de 90% e quanto mais horas passam, mais o corpo ressente a falta de atividade.

Passadas duas horas o bom colesterol desce cerca de 20% e passadas 24 horas o efeito da insulina diminui 24% e o risco da diabetes aumenta.

“Em certa medida estar sentado tornou-se o fumar da nossa geração”, refere a fisioterapeuta, acrescentando que há mesmo cientistas que afirmam que quem passa mais de 6 horas diárias sentado, está em risco de desenvolver tantas doenças crónicas como quem fuma um maço de cigarros por dia.