Saúde

Afinal, adormecer com ruído branco faz mais mal do que bem

É a conclusão de um novo estudo que diz ainda não haver provas suficientes sobre os efeitos deste tipo de ruído e das suas consequências.

DOBEM.
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Esqueça tudo aquilo que tinha como certo. Afinal, parece que adormecer com o auxílio de ruído branco faz mais mal do que bem. É esta a conclusão de uma nova investigação científica, numa altura em que são cada vez mais as aplicações que apostam neste tipo de ruído para melhorar as noites de sono dos utilizadores que as descarregam.

O ruído branco é caracterizado pelo som que todas as frequências audíveis ao ser humano emitem a uma intensidade constante, mas de ritmo aleatório. Foi através deste conceito que várias aplicações fizeram uso deste tipo de frequências para criar sons relaxantes que facilitassem o adormecer.

E os números não enganam. A aplicação Bedtime Fan, exclusiva para iPhone e iPad, conta já com mais de três milhões de dowloads — enquanto a aplicação para telemóveis Android, Noise Generator, que funciona de forma semelhante, conta com um milhão de descargas. A explicação para o sucesso pode estar na ideia de que este tipo de frequências ajudam a abafar sons incómodos, como o ruído vindo da rua.

No entanto, um grupo de investigadores liderados por Mathias Basner, professor de psiquiatria da Universidade de Medicina de Filadélfia, nos EUA, olhou para as várias evidências científicas e um total de 38 estudos para tentar perceber se, de facto, este tipo de ruído ajudava ao adormecer.

O que encontraram não lhes permitiu estabelecer uma causa-efeito entre o uso destas aplicações e a garantia de uma noite de sono mais tranquila.

“Se estas aplicações ou equipamentos [de ruído branco] só tivessem efeitos positivos, não me importaria. Mas porque as consequências negativas são muitas, teria muito cuidado. Não as recomendaria, porque, de facto, não há provas de que estejam a funcionar”, explicou nas conclusões da sua investigação, publicada no jornal científico “Sleep Medicine Reviews“.

Uma das suas preocupações tem que ver com o facto de a utilização deste tipo de ruído durante a noite inteira não permitir desligar o sistema auditivo. No entanto, confessa, as conclusões acerca disto também são muito poucas.

“Sempre que estamos expostos a sons e a ruído, o ouvido interno está constantemente a decifrá-lo em sinais que depois são interpretados pelo cérebro. É um processo ativo e contínuo que pode causar danos ao ouvido porque é importante que haja um período em que o sistema auditivo desligue, regenere e se prepare para o próximo período em que estamos acordados”, defende.

Na mesma investigação, os responsáveis dizem ter maior facilidade em recomendar aplicações de mindfullness do que aquelas que façam uso deste tipo de frequências a ser ouvidas durante a noite — especialmente porque ainda não é possível comprovar-se os seus efeitos negativos e qual a gravidade.