viver até aos 100 anos

Lifestyle

Vive num espaço onde pode andar e não tem de usar o carro? É possível que viva até aos 100 anos

Uma investigação da Universidade de Washignton conclui que o ambiente que nos rodeia pode ter um impacto maior do que a genética.

Se vive num sítio onde é possível passear e não precisa de utilizar o carro para se deslocar diariamente, pode viver até aos 100 anos. Pelo menos, é essa a conclusão de um novo estudo conduzido pela Universidade de Washington State, nos Estados Unidos da América. Para isso, é importante que o seu bairro tenha espaços por onde possa passear, mas que também seja seguro. 

Mas esta não é a única conclusão. Ser mulher, viver numa zona com boas infra-estruturas ou não ser casado são outros dos fatores que ajudam a prolongar a que viva mais tempo. O estudo, que analisou o registo de óbito de 144 mil pessoas com idades superiores a 75, todas a morarem no estado de Washington, chegou a várias conclusões que explicam o porquê de algumas pessoas conseguirem ter uma maior esperança média de vida.

A ideia para esta investigação partiu de Rajan Bhardwaj, estudante do segundo ano de medicina dessa mesma universidade, que passou quatro anos a cuidar do avô. Apesar dos vários problemas de saúde que tinha, o avô de Bhardwaj viveu até aos 88 anos, o que lhe despertou alguma curiosidade.

“Depois de analisar os resultados, percebi que muitas das conclusões que deles retirei poderiam ajudar a explicar o porquê de o meu avô ter vivido tantos anos, acima da média dos americanos, mesmo tendo vários problemas de saúde”, explicou ao “Insider“. “Por exemplo, morar em bairros tranquilos permitiu que ele fizesse algum exercício, que tivesse acesso a assistência médica ou supermercados, e também permitiu que ele socializasse com outros moradores.”

Para o investigador, o ambiente que nos rodeia pode ter um impacto maior do que a genética quando falamos em envelhecimento e esperança média de vida. “Tradicionalmente, acreditamos que a genética desempenha um grande papel no envelhecimento. É uma componente importante, mas a ciência mostra-nos que os fatores ambientais podem ser mais significativos”, explica.

Outro fator que nos pode levar a viver até aos 100 anos é o estado civil. Bhardwaj concluiu que muitas das pessoas que nunca se casaram, que se divorciaram ou que se tornaram viúvos, viviam mais tempo do que os casados. “Para o casamento, era difícil chegar uma única teoria para as descobertas que observámos”, explicou. “Tradicionalmente o que se passa é que o estado civil é benéfico para a saúde, mas algumas pesquisas refutam que isso seja verdade”. 

Para os investigadores, as pessoas solteiras não sofrem com tanto stresse acumulado, ao contrário de quem vive num casamento ou numa relação que não é saudável e feliz. Ainda assim, admitem que são precisos mais estudos em relação a este tema em específico para se retirarem conclusões mais concretas.

De acordo com o mesmo estudo, a educação não será um fator preponderante em termos de longevidade mas o ser-se caucasiano e mulher pode influenciar os números. “Outra conclusão é que certas minorias, principalmente afro-americanos e nativos americanos, não vivem tanto quanto os caucasianos. Essas descobertas estão relacionadas com as grandes disparidades que existem em termos socioeconómicos, de acesso à educação ou até mesmo de incidência de doenças.”

Esta conclusão pode ser lida de duas formas. A primeira é que isto poderá acontecer devido aos efeitos persistentes da segregação habitacional, que leva muitas destas pessoas a viver em bairros menos tranquilos, onde não é seguro dar passeios. Apesar disto, os investigadores reconhecem que esta conclusão pode resultar de a maioria dos participantes do estudo (93%), serem caucasianos. 

Com esta investigação, Rajan Bhardwaj concluiu que existe efetivamente um problema de disparidades a nível de saúde entre as populações mais e menos desfavorecidas, que devem ser levadas a sério pelos governantes. “É evidente que a raça é factor significativo, que ser uma pessoa de cor pode ter influencia na esperança média de vida de um indivíduo”, explica o estudante de medicina, salientando que é necessário que se façam estudos mais aprofundados sobre este assunto, para que seja possível abordá-lo.