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Do Còsagach ao Uitwaaien, passando pelo Hygge, qual é, afinal, o segredo para a felicidade?

O segredo para a felicidade está espalhado pelo mundo e com estas ferramentas pode encontrar o seu próprio caminho. Aqui, explicamos como.

A expressão “Hygge”, o conceito dinamarquês associado a felicidade, já nos é familiar. Seja pelos livros que foram para o top das livrarias, pelos novos cafés da cidade que estamparam no nome esta expressão, ou pelas casas de férias que se dizem “Hygge”. A palavra tornou-se popular em 2016 com o lançamento de “O livro do Hygge: O segredo Dinamarquês para ser feliz”, de Meik Wiking, que desvenda o modo como os dinamarqueses pensam e vivem a vida, tornando-os um dos povos mais felizes do mundo.

Entretanto, foram surgindo manchetes onde se lia “esqueça o Hygge”, já que tinha sido descoberto o Nunchi que, segundo os sul-coreanos, é a verdadeira fórmula da felicidade. Depois, afinal, já era o Nunchi que devíamos deixar para trás, para dar lugar ao Kalsarikännit, uma palavra finlandesa que retrata o estilo de vida que confere bem estar, principalmente em tempos de pandemia.

Um por um, a dobem. esclarece o significado das designações de felicidade de cada povo. Algumas estão, certamente, ainda por descobrir, seja por um povo que diz ser o mais feliz, ou por nós próprios que vamos encontrar o caminho para a felicidade em 2021.

Enquanto isso não chega, deixamos uma ajuda para alcançar a meta da felicidade.

Còsagach

Dois meses depois de o mundo ficar a conhecer o hygge, começava-se a falar em Còsagach. Leia novamente: Còsagach. É difícil de pronunciar a palavra escocesa — faça uma pesquisa no Google, é melhor —, mas pode ser importante aprendê-la para a levar consigo no dia a dia.

Segundo a organização de turismo da Escócia, Visit Scotland, explicou ao jornal britânico “The Guardian“, este modo de atingir a felicidade é alcançado através da sensação de conforto, aconchego e proteção. A antiga palavra gaélica foi criada com a intenção de incentivar as empresas a criarem ambientes que “impulsionem uma sensação de calor ou conforto”.

Em casa, este ambiente é mais fácil de alcançar no inverno, através de mantas, chás, papas e lareira. Noutras estações, o mesmo pode ser conseguido através de uma decoração acolhedora e, claro, de whisky escocês.

No fundo, para praticar o còsagach tem de se sentir “quentinho por dentro”, explicam, mas ligar-se à natureza também pode ajudar.

Friluftsliv

Falar em friluftsliv ou “vida ao ar livre” é dizer mais ou menos a mesma coisa. Este conceito norueguês traduz a necessidade do ser humano em estar em contacto com a natureza para alcançar a felicidade e bem-estar.

“Para mim, trata-se de me desligar do stresse diário, fazer parte do ‘nós’ cultural e existir naquilo que chamo de natureza – uma ‘sala de fuga’”, explicou o Lasse Heimdal, secretário-geral da Norsk Friluftsliv (organização que representa mais de cinco mil grupos de atividades ao ar livre da Noruega) ao “The Guardian“.

Para praticar o Friluftsliv basta fazer algo tão simples como caminhar pela natureza, ou, se não for possível, num parque, andar de bicicleta, fazer um piquenique, pescar, dormir em redes, colher amoras ou levar o cão à rua.

Hygge

Eis o célebre Hygge: veio da Dinamarca e foi, durante muito tempo, o auge da felicidade. Entretanto, ganhou alguns rivais, como o Còsagach. Contudo, não deixa de ser uma filosofia de vida que tem como objetivo promover o bem-estar e a felicidade.

Como? Ora, para praticar o hygge é preciso dedicar alguns minutos do seu dia a fazer algo de que gosta ou a passar tempo de qualidade com as pessoas mais importantes da sua vida.

Outra das práticas é receber pessoas em casa para um churrasco, um jantar de amigos ou fazer um piquenique no jardim. A isto pode juntar características do Còsagach, que implicam criar um ambiente confortável, acendendo uma lareira ou colocando umas flores sobre a mesa.

Quase nem é preciso dizer que as tecnologias, como o telemóvel ou a televisão, não são bem vindas no Hygge por trazerem stresse, ligação contínua ao trabalho e aos problemas pessoais e do mundo.

Por falar em mundo, quando precisar de um momento Hygge, evite falar em temas pesados como política ou doenças. Ou seja, nada de falar de COVID-19. Quando estiver a conversar com várias pessoas, foque-se num só tema.

A lista já vai longa, mas há ainda um aspeto importante sobre o Hygge: “Viver o momento, desfrutar o agora”, destaca Mikkel Larsen, do departamento de comunicação da embaixada da Dinamarca em Madrid, à “Verne“.

Kalsarikännit

Este termo finlandês, além de ser o que melhor se encaixa no contexto de confinamento e teletrabalho que vivemos nos dias de hoje, parece que é o mais eficaz.

É que a Finlândia foi pelo, terceiro ano consecutivo, nomeada o país mais feliz do mundo, segundo um relatório da ONU publicado a 20 de março de 2019.

O país conseguiu bater a Dinamarca, onde se vive de acordo com o Hygge e que ficou em segundo lugar na lista, e o Kalsarikännit pode ter ajudado neste ranking.

Consiste em algo tão simples como ficar em casa, a beber coisas como cerveja ou vinho e, talvez o mais inesperado, estar de roupa interior. A prática, ilustrada de seguida, foi até aconselhada pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Finlândia, Ville Cantell, na altura em que os países entram em confinamento.

Para praticar, basta fazer tal e qual como está na imagem.

Ikigai

Aos japoneses também não escapou a invenção de uma fórmula para a felicidade. Ikigai é a expressão que usam para retratar aquilo que é, sem surpresas, o modo de vida dos japoneses: ser ativo e dedicar a vida ao trabalho, mas no conceito do ikigai é importante que faça aquilo pelo qual é apaixonado.

A expressão está explicada no livro “Ikigai – Viver Bem Até Aos Cem“, mas caso não queira investir dinheiro para saber como viver bem até envelhecer, sem ter pagar nada, revelamos práticas, também elas gratuitas, para ser feliz, de acordo com os japoneses.

Primeiro, não parar de trabalhar ou, pelo menos, estar permanentemente ocupado (fazer voluntariado é uma das sugestões), fazer exercício físico com movimentos lentos, dedicar mais tempo às coisas que mais gosta de fazer e saber dizer “não” àquilo de que não gosta, beber chá, satisfazer o estômago em apenas 80%, contactar com a natureza e reforçar os laços com a família e amigos são apenas alguns dos exemplos das práticas sugeridas pelo Ikigai.

Lagom

Este conceito tem origem na Suécia e, tal como outros, também tem um livro que ensina a viver de acordo com a filosofia cujos ingredientes são a harmonia, o equilíbrio, a moderação, a satisfação e a sustentabilidade — com medidas q.b.

A síntese do “Lagom – O Segredo Sueco Para Viver Bem“, de Lola A. Åkerström, sugere “leia este livro e viverá melhor e mais feliz para sempre”, um convite apetecível, mas ao mesmo tempo questionável porque sempre pensámos que o “feliz para sempre” só acontecia nos filmes.

No entanto, na vida real e no dia a dia dos suecos, o Lagom dita que as horas de saída do trabalha são para cumprir, bem como as pausas para o café (ou fika). No mesmo sentido, o Lagom valoriza mais o bem-estar geral do que a conquista pessoal, razão pela qual não vale a pena fazer horas extra: não tem de provar nada a si mesmo, nem ninguém tem de competir com ninguém.

De forma simples, este conceito procura o equilíbrio e sensatez entre fazer as coisas da melhor forma possível, mas sem recursos desnecessários.

“Lagom é comprar um carro prático, ainda que não seja o carro mais apelativo visualmente. É pintar apenas uma parede da sua sala e deixar o resto em branco, porque pintar a divisão toda seria demasiado. É usar batom vermelho-vivo, mas deixar o resto da maquilhagem perfeitamente discreta”, escreve Lola A. Åkerström.

Lykke

Outro best seller de vendas de livros, depois do Hygge, foi o “O Livro do Lykke – O segredo das pessoas mais felizes do mundo“, do mesmo autor.

Às tantas, já achávamos que eram a mesma coisa, mas o Lykke distingue-se do primeiro conceito dinamarquês apresentado pelo facto de não se limitar aos prazeres simples da vida. Junta-lhes convívio, dinheiro, saúde, liberdade, confiança e bondade — um mix de ingredientes que completam a receita para a felicidade.

No meio de tudo isto, há algumas dicas para seguir o Lykke à risca: traçar previamente planos de algo que gosta de fazer para ocupar tempos mortos, combinar uma corrida com um amigo para zelar pelo convívio e saúde ao mesmo tempo e passar menos horas ao telefone. Para isso, há apps que podem ajudar: Stay Focused ou a Lock Me Out.

Niksen

Já falámos das filosofias da Escócia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Japão e Suécia, e agora seguimos viagem para a Holanda. E entre todos estes conceitos, talvez o Niksen seja um dos mais apelativos. É que ao contrário de grande parte destes conceitos que nos podem que façamos algo, o Niksen pede algo bastante simples: não fazer nada.

Confuso? Não é de todo descabido, tendo em conta o ritmo frenético que levamos todos os dias. Por isso, a sugestão do Niksen é, simplesmente, tirar momentos para relaxar. Poder ser algo tão simples como sentar-se num cadeirão e ali ficar, durante o tempo que precisar. Se não for de ficar parado, também pode optar por dar um passeio para espairecer e praticar o Niksen.

E não é que mesmo parado pode ter os momentos mais produtivos? De acordo com o especialista em felicidade Ruut Veenhoven, sociólogo e professor na Erasmus University Rotterdam, na Holanda, mesmo quando estamos parados, o cérebro está a processar informações. Segundo o especialista, é nessas alturas que pode surgir uma ideia criativa de negócio ou uma solução para um problema.

Nunchi

Além de ser um nome engraçado, Nunchi é “a arte de perceber o que as pessoas pensam e sentem”, de acordo com a jornalista Euny Hong, autora do livro “The Power Of Nunchi: The Korean Secret To Happiness And Success“.

Esta filosofia de felicidade dos sul-coreanos vai além do bem-estar próprio, uma vez que foi concebido para valorizar a nossa relação com os outros. Para a colocar em prática, é preciso olhar em redor para processar a informação social envolvente e agir de acordo com esse contexto.

“Num nível muito básico, as pessoas ficam mais felizes em estar perto de si se tiver um nunchi rápido”, refere Hong ao jornal britânico. Já quem não tem um nunchi tão rápido, pode adotar como estratégia permanecer mais calado, ouvir atentamente e reunir o máximo de informações antes de intervir, de forma a que quando isso aconteça, possa estabelecer boas relações.

Sisu

Em Portugal, o conceito de Sisu ficou mais uma vez conhecido através de um livro que chegou em 2018. “Sisu: a Arte Finlandesa de Viver com Coragem“, de Joanna Nylund, é um guia de coragem e autodeterminação, ferramentas que vão permitir enfrentar destemidamente os desafios da vida.

“Em situações desafiadoras, muitas vezes negligenciamo-nos ou, no mínimo, colocamos em último lugar as nossas próprias necessidades. Reformule isso e obterá resultados positivos que se estendem amplamente. Durma o suficiente, apanhe ar fresco, faça uma alimentação equilibrada e tenha tempo para si — sentir-se-á melhor e terá um melhor desempenho”, são apenas alguns dos conselhos.

Em suma, o Sisu consiste em melhorar a confiança para sermos mais felizes e tem como base o modo como os finlandeses levam a vida, permitindo-lhes alcançar paz e tranquilidade.

Uitwaaien

Tal como “saudade”, em português, a palavra holandesa “uitwaaien” também não é possível traduzir, embora a possamos explicar.

Significa, no fundo, libertação. Seja de stresse ou desconforto, o objetivo do modo de vida uitwaaien é melhorar a saúde mental. Ao contrário do conceito anterior que exige uma alteração de pensamento, o uitwaaien é para colocar em prática.

Como? Basta sair à rua para dar um passeio, a pé ou de bicicleta, de modo a abstrair-se daquilo que o preocupa dentro de casa e desconetar-se (agora que estamos todos em teletrabalho) do Zoom, do WhatsApp ou do Slack, plataformas nas quais parecem concentrar-se todos os pontos de origem do nosse stresse diário.

Por isso, quando terminar as tarefas, já sabe: liberte-se de tudo e sinta apenas o mundo que rodeia: é assim que pratica o uitwaaien.