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Fui fazer glamping pela primeira vez e vi o pôr do sol mais bonito da minha vida

Passei dois dias no meio da natureza, desligada do mundo, e ainda descobri o que era uma piscina biológica. Descubram onde fui e como foi esta experiência.

Rebeca Gasperini
leia este artigo em: 15 mins

Já tinha ouvido falar em glamping, mas só depois de me aventurar a acampar em Sagres pela primeira vez este ano, a meio de uma pandemia, é que comecei a conhecer mais este universo. Depois de muitas buscas pela internet, resolvi tirar dois dias e dar um descanso à minha rotina para conhecer um sítio que estava muito ansiosa por visitar, numa das minhas zonas de eleição em Portugal: o Alentejo. 

Para quem não sabe, vim estudar para Portugal em 2018. Sempre morei no Brasil, e apesar de já ter viajado muito e adorar o meu País, a realidade é que cada país tem o seu encanto, as suas zonas mais — e menos — bonitas. Em Portugal, na minha opinião, o Alentejo é sem dúvida uma delas. 

Ao contrário do que a maioria das pessoas costuma fazer, escolhi visitar esta zona em meados de novembro por estar mais frio. Assim, podia ter uma experiência diferente do habitual das viagens, que são quase sempre no verão. 

Não conheço muito bem o Alentejo, é verdade, e a experiência mais próxima que tinha tido nesta zona foi quando fui passar umas férias com a Isabel Silva a um ecoturismo rural, também nesta região: a Herdade do Touril. Depois de ter passado esses dias na zona da Costa Vicentina, ainda fiquei com mais vontade de explorar esta zona do País e conhecer mais alguns turismos rurais.

O que me levou tirar dois dias no meio da rotina bastante agitada do trabalho foi a necessidade de me desligar do mundo e de estar conectada apenas com a natureza, e posso dizer à partida que foi a melhor coisa que fiz nos últimos tempos. Consegui unir uma experiência completamente nova, com um lugar relaxante, de muita paz e com boas energias.

A Reserva Alecrim é mesmo muito perto de Lisboa, a cerca de uma hora de distância, e senti-me em casa desde o primeiro minuto. Assim que cheguei, fui recebida pela Bia, a gatinha da Reserva, e pela querida Ruth, que não poupou esforços para mostrar todas as instalações e fazer questão de mostrar a sua hospitalidade desde o primeiro momento. Confesso que fiquei bastante surpreendida, porque não fazia ideia da diversidade de atividades que aquele lugar oferecia, que eram bem mais do aquelas que vi pelo site.

Mas calma, vamos por partes, porque há uma questão que ainda preciso de esclarecer e que, por esta altura, pode estar a causar algumas dúvidas: mas afinal, o que é Glamping? Vou explicar.  

Glamping é camping, ou no português, campismo, mas com mais glamour. Ou seja, uma cabana, ou mesmo uma casa, no meio da natureza, normalmente com paisagens muitos bonitas, e que oferece toda a estrutura confortável de um hotel, com a experiência de um acampamento. Há a possibilidade de passar por experiências como ver a lua e as estrelas mais de perto, ouvir os animais, o barulho dos grilos ao anoitecer ou assistir a um pôr do sol de tirar o fôlego. Mas tudo com o maior conforto.

Não conhecia este conceito, e a Reserva Alecrim oferece várias opções para diferentes necessidades. Ficamos numa dome chamada Odemira, que era mesmo muito especial. Fica num lugar reservado, com espaço para deixar o carro, uma sala ampla muito bonita, casa de banho e uma zona de cozinha, que dá perfeitamente para preparar algumas refeições. Além disso, tem também uma varanda com uma vista incrível do Alentejo. Escolhi esta opção por ser a mais diferente e próxima ao que eu queria vivenciar ao fazer glamping e, como fui apenas com o meu namorado, tinha o tamanho ideal para os dois.

No total, existem cerca de 41 alojamentos e, além da Dome, há também as Eco Houses, Safari Tents e Country Houses. O que as diferencia é a estrutura e, principalmente, o tamanho da acomodação, que podem servir tanto para casais como para famílias, desde as mais pequenas às maiores.

Fiquei muito empolgada com esta experiência, ao ponto de querer contar tudo de uma vez, mas vou tentar separar tudo para ver se vos consigo convencer a terem uma experiência tão incrível como a que eu tive na Reserva Alecrim.

A localização privilegiada da Reserva Alecrim

Ficar hospedada no litoral Alentejano dispensa comentários, mas a Reserva Alecrim fica no alto de uma colina, muito próxima da reserva natural da lagoa de Santo André, a apenas 15 minutos das lindas praias da Costa Vicentina.

Conheci uma piscina biológica. Sabem o que é?

Não entendia bem o que isto era  até chegar e ver com os meus próprios olhos. A reserva é cercada por casinhas de Glamping de vários tamanhos, spots onde se pode ver a paisagem ou lagoas. Mas a melhor das experiências fica na zona mais acima da Reserva onde existe uma piscina natural e outra infinita, que tem vista para o pôr do sol, e onde encontram também um bar.

Mas o que é isso de uma piscina biológica? É nada mais do que um lago repleto de vitórias régias, sapos, algas, cobras d’água, salamandras, etc. Tudo o que a natureza tem para nos dar. 

Há uma escada para descer e, caso ainda restem dúvidas, sim, pode mergulhar na piscina e ter a experiência de estar com os animais. Não existe qualquer processo químico e todo o tratamento da água é feito pelos seres vivos que lá habitam. Segundo a Ruth, que nos contou tudo sobre esta piscina biológica, muitas pessoas costumam mergulhar ali, e a experiência é um sucesso com as crianças. A piscina é cuidada pela Reserva e completamente segura para os hóspedes. Não tive coragem de ir, pois além do frio, ainda não cheguei a esse nível de aventureira, ainda estou muito no nível café com leite.

Além dessa piscina, que fica no cume da Reserva, há um lago lindo que está a terminar a construção mas que também já se pode visitar. 

Além dessas duas piscinas há, no mesmo lugar, uma piscina de borda infinita, onde o tratamento também não leva químicos, só sal. Para os dias mais frios, existe a opção da piscina interna, com aquecimento e vista para a paisagem alentejana. A entrada, devido à pandemia da COVID-19, está limitada, por questões de segurança.

O lado sustentável é uma das maiores preocupações deste glamping

Toda a Reserva Alecrim possui iniciativas sustentáveis, e isso foi uma das coisas que mais me chamou a atenção. A água que utilizam, por exemplo, é de reaproveitamento e, por isso, é estritamente proibido atirar papel na sanita. Além disso, todas as casas possuem painéis solares para o aquecimento da água. 

Para os períodos de muito calor, é inevitável a utilização do ar condicionado, principalmente nas Domes. Mas, nos dias frios, há lareiras nos quartos, o que dá um charme especial. Fiquei numa Dome, portanto a minha lareira era de paletes, mas nas eco suites existem lareiras de lenha. 

Para construir a reserva, apesar de precisarem de retirar algumas árvores para colocarem os domes, tentaram reaproveitar o máximo possível de espaço e construíram as domes respeitando a flora, com buracos na estrutura das madeiras para não impedir o crescimento das árvores que já lá estavam. Para as árvores que tiveram mesmo de arrancar, toda a madeira foi aproveitada, e o Senhor João foi o responsável por fazer belíssimos móveis e outros objetos de decoração para todas as casas, dando-lhes um toque rústico e especial.

A Reserva Alecrim já está a produzir toda a estrutura para reciclagem para todos os materiais que utilizam, e também para os próprios hospedes reciclarem o seu lixo durante a sua estadia.

O pequeno-almoço pode ser recebido no quarto 

É o ponto mais alto da estadia neste glamping. No momento do check in, é possível optar pelo pequeno-almoço entregue no quarto, o que torna a experiência ainda mais incrível. A partir das 09 horas da manhã de cada dia, um funcionário da Reserva bate a todas as portas e deixa um cesto com todos os alimentos para o pequeno-almoço. É possível escolher opções sem glúten, lactose, vegan ou vegetarianas.

Como não tinha restrições, escolhi o pequeno-almoço tradicional, e confesso que havia tanta diversidade que faltou estômago para comer tudo havia ali. Diversos tipos de pães, iogurte, frutas, granosa caseira, compota, sumo fresco, queijo, e muito mais. As embalagens vêm todas em potes de vidro, para diminuir o desperdício e promover o zero waste.Além disso, tudo o que nos chega é caseiro. Os bolinhos são feitos pela dona Maria, que trabalha na Reserva, as peças de fruta e as compotas são feitas com as frutas e legumes da época e produzidas pelos produtores locais, bem como a fruta, que é da região. 

Para além da escolha pelos produtores locais, a reserva possui uma horta próxima ao bar, de onde retiram os ingredientes das pizzas que podemos comer ao almoço ou jantar. As massas são caseiras, de fermentação lenta e até o molho é feito com o tomate retirado da horta. 

Se quiserem ter uma experiência ainda mais rústica, podem participar na colheita das uvas durante a hospedagem, se forem no outono. O senhor Luís, que é enólogo e produtor de vinhos biológicos, acompanha toda esta experiência.

Se forem à reserva, não deixem também de passar pelo Largar do Parral, uma fábrica familiar de azeites com muitos anos, que fica mesmo ao pé da saída da Reseva. Lá encontram um azeite ótimo, a um preço muito mais competitivo para a qualidade do produto. Além disso, podem também encontrar lá sabonetes artesanais e algumas peças em cerâmica.

A Reserva Alecrim é uma experiência de turismo rural e glamping para qualquer estação do ano. Seja no auge do calor, ou no frio, é possível desfrutar da bela paisagem e de todas as instalações que o espaço oferece. Quando viajo, é fundamental que, mais do que encontrar um lugar bonito, seja um sítio com boa energia e que me faça sentir em casa, e a Reserva Alecrim fez-me sentir tudo isso.

Os preços variam consoante a época, e começam nos 159€ por noite para uma das Eco Pods. A Dome onde fiquei custa 210€ por noite. 

Espero mesmo voltar a repetir esta experiência de glamping e conseguir ir à Reserva do Alecrim no verão, que tenho a certeza que será tão ou mais incrível do que no inverno. 

Podem saber mais sobre a Reserva Alecrim no site ou ligar para o +351 966 605 525.

Vejam mais imagens desta visita na fotogaleria.