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Não encontrou a felicidade com hygge e o niksen? Experimente o nunchi

Uma jornalista coreano-americana acaba de lançar um livro que fala sobre o segredo dos sul-coreanos para serem felizes e terem sucesso.

Começámos a trocar mais uns minutos na cama de manhã por uns minutos no chão da sala a fazer ioga. Ou a preferir ir para casa mais cedo e fazer um jantar em família em vez de passar pelo ginásio. Também nos tornámos fãs da chávena de chá ao final do dia e das luzes mais baixas para dar um ambiente mais relaxante ao quarto. Estes são, para alguns povos, os segredos para a felicidade.

Mas há muitas formas de alcançar este sentimento — cuja definição diz que é a “tendência para acontecimentos positivos ou favoráveis” — mas cada um, ou cada cultura, tem a sua própria forma de ser feliz. É o caso dos sul-coreanos, que alcançam o estado de felicidade através do nunchi.

E o que significa esta palavra estranha? É “a arte de perceber o que as pessoas pensam e sentem”, de acordo com a jornalista Euny Hong, autora do livro “The Power Of Nunchi: The Korean Secret To Happiness And Success“, lançado a 5 de novembro, que fala precisamente sobre o poder do nunchi.

Neste caso, não há uma tradução tão simples como a palavra felicidade, mas nunchi pode ser definido como “medida dos olhos”, de acordo com o jornal britânico “The Guardian“. Esta definição não se refere precisamente à dimensão do olho humano, mas ao mundo que nos rodeia, quer seja ele no trabalho ou num casamento.

Por isso, este conceito de felicidade envolve a relação com os outros — seja os que falam, os que ouvem, ou que se desculpam por algo, ou mesmo apenas aqueles que observam. É a partir daqui, com a análise do contexto que tem à sua volta, que pode agir de acordo com o ambiente e as relações que estabelece de forma a que o resultado seja positivo.

Este poder é no fundo uma aptidão que se constrói desde criança. “Normalmente aprendes de forma negativa. Se toda a gente estiver no lado direito de uma escada rolante e uma criança for no lado esquerdo, os pais vão dizer: ‘Porque é que não tens nunchi?’. Em parte trata-se de não ser rude, mas é também uma forma de dizer: ‘Porque é que não estás conectado com o ambiente?”, exemplifica Hong ao mesmo jornal.

E não existe mau ou bom nunchi, tal como acontece com os adjetivos feliz ou infeliz. Para os sul-coreanos o nunchi é apenas uma habilidade, mais ou menos perspicaz, para processar a informação social envolvente.

“Num nível muito básico, as pessoas ficam mais felizes em estar perto de si se tiver um nunchi rápido”, refere Hong ao jornal britânico. Já quem não tem um nunchi tão rápido, pode adotar como estratégia permanecer mais calado, ouvir atentamente e reunir o máximo de informações antes de intervir, de forma a que quando isso aconteça, possa estabelecer boas relações.

Para Hong, o nunchi é um super poder, que permite que as pessoas combatam a ansiedade social ao ver as situações sociais através da lente de nunchi. Mas no seu livro refere também que, no caso da Coreia do Sul, este povo que era um dos mais pobres do mundo, passou a ser mais rico culturalmente em quatro gerações.

“No ocidente a autonomia e o individualismo são enfatizados e o nunchi parece falar do contrário”, refere Hong. A autora do novo livro defende que este conceito diz respeito à ideia de conforto na relação com os outros baseada nos dados que cada um de nós recolhe do ambiente que nos envolve.