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10 dicas que precisa de conhecer para cuidar da roupa (e evitar o desperdício)

A indústria têxtil é uma das mais poluentes do planeta e, para evitar o consumo desmesurado, nada como cuidar bem do que já temos. Fomos falar com quem sabe e descobrir a melhor forma de preservar a nossa roupa.

Comprar roupa deixou de ser uma necessidade e passou a ser um hobbie para muita gente. Segundo a Greenpeace, citada pelo “Diário de Notícias”, as pessoas compram, em média, mais 60% das peças do que compravam em 2000 e só as mantém durante metade do tempo. Tendo em conta que a industria têxtil é uma das mais poluentes, estes dados tornam-se preocupantes.

Para produzir uma simples peça de roupa são necessários milhares de litros de água, já para não falar da quantidade de emissões atmosféricas de gases que acompanham o processo de produção até ao momento em que as peças chegam à loja. Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, em 2017 foram recolhidas 200 756 toneladas de têxteis nos resíduos urbanos.

A verdade é que a maioria das pessoas não sabe como tratar da roupa da melhor forma, isto é, de maneira a preservá-la para fazer com que dure mais tempo evitando, assim, a compra excessiva e o desperdício. Certamente já todos tivemos aquela peça de que tanto gostamos e acabámos por ter de a colocar de lado por estar demasiado gasta ou por se ter estragado mais rapidamente do que prevíamos.

Tal como tudo na vida, também as peças de roupa precisam de cuidados específicos e de alguma atenção. A juntar a isso, há formas de tratar da roupa de modo sustentável e é também disso que vamos falar. Comecemos pela pergunta básica.

Será que andamos a lavar a roupa mais vezes do que o necessário?  

Este é, na maioria das vezes, o grande problema.

“Temos de ver efetivamente se a roupa precisa de ser lavada ou se pode apenas ser arejada, porque, muitas vezes, a roupa com o arejamento suficiente fica bem. Se tiver algum odor, podemos optar por pulverizar, mas na maioria das vezes nem sequer é preciso isso, basta arejar”, começa por explicar Catarina Barreiros, influenciadora e defensora de um estilo de vida sustentável, à dobem.

Fazer o mínimo de lavagens possível é um dos maiores segredos para preservar a roupa durante mais tempo, e também ajuda a poupar o meio ambiente. Mas e se a roupa tiver nódoas? Neste caso, Catarina aconselha que sejam tiradas à mão, pois se for algo simples, muito provavelmente não precisa de ir à máquina.

“Quando se coloca a roupa a lavar  devemos tentar sempre fazer máquinas cheias, à temperatura mais baixa possível dentro do que for higiénico para a lavagem da roupa. Por exemplo, as fraldas reutilizáveis deve-se pôr sempre a 40 graus, pelo menos. Roupa escura não precisa de ir a mais de 30 graus. É tentar que a temperatura seja sempre a mais baixa”, refere Catarina acrescentado que desta forma estamos a poupar não só energia como também a roupa.

A escolha dos ingredientes na lavagem é também essencial. Aqui, o truque é optar por produtos biodegradáveis que não contaminem as fontes de água. Sempre que possível, podemos ainda utilizar um saco para colocar  a roupa, evitando que os microplásticos existentes nas peças de poliéster se espalhem.

“Existem também uns filtros que se podem colocar já nas máquinas de lavar para apanhar esses microplásticos”, refere.

Como evitar passar a ferro?

Esta é, certamente, uma dica que irá deixar feliz a maioria das pessoas, já que a grande maioria não gosta de passar a ferro.

No caso de peças como camisas ou vestidos, colocá-los a secar na vertical pode ser suficiente. “O que eu faço é pendurar ao lado do meu chuveiro, num cabide, e o vapor de água ajuda a secar. Se forem peças como calças ou camisolas, devemos dobrá-las e colocá-las em cima umas das outras para poderem ficar logo mais direitas e, assim, evitar a necessidade de as passar”, sugere.

E se é daquelas pessoas que depois de lavar a roupa a coloca logo na máquina de secar, então vamos dar-lhe uma boa notícia. Portugal tem cerca de 300 dias de sol por ano, por isso, aproveite-os e dê descanso à máquina de secar. O ambiente agradece, e a sua fatura da eletricidade também.

Quais as roupas que requerem menos cuidados?

As peças de poliéster, apesar de compostas por microplásticos, têm algumas vantagens. Vincam menos, secam mais depressa e, por isso, são também de mais fácil manutenção. O mesmo quanto às calças de ganga, cujo tecido é altamente respirável e faz com que não precisem de ir a lavar tantas vezes, evitando o seu desgaste.

Contudo, há uma dica essencial para manter a roupa com qualidade o máximo de tempo possível. Catarina aconselha a virar sempre as peças ao contrário antes de as colocarmos na máquina. Assim, evitamos que o desgaste ocorra na parte de fora e que aconteça apenas na parte interior, ou seja, a que não se vê.

Outro grande problema, com o qual nos deparamos na maioria as vezes está ligado às peças de malha. Os borbotos são um dos nossos piores inimigos, mas há sempre forma de os tirarmos do nosso caminho. Recorrer a uma lâmina de barbear é o segredo. Catarina garante que em dois segundos a peça fica como nova.

Como guardar a roupa?

Se tivermos por hábitos deixar as peças de roupa muito tempo dentro do armário, é essencial verificar se não existe perigo de ganharem traça. A escolha dos cabides deve também ser tida em conta — isto porque, muitas vezes, são eles os responsáveis pelo desgaste. “Se pendurar a roupa com um cabide de arames é natural que fique gasta nesse sítio e pode até ficar rasgada”, diz Catarina Barreiros, referindo que é algo que se deve evitar.

Guardar a roupa em sacos é o mais indicado, principalmente quando estamos a falar de peças de estações diferentes. Resguardá-las da humidade é essencial pois muitas delas têm tendência a ganhar bolor quando estão muito tempo guardadas no mesmo sítio. “Em casas muito húmidas pode ser interessante, no inverno, ter um desumidificador no armário”, remata Catarina Barreiros.