Vila Galé Sintra

Lifestyle

Desliguei durante 4 dias e (quase) adormeci durante uma massagem no Vila Galé Sintra

Fiz um programa Relax para recuperar energias antes de regressar ao trabalho, e durante algumas horas esqueci-me de que existia mundo lá fora.

Tenho algum receio de tudo o que envolva massagens, terapias alternativas e manipulação de músculos, tendões e outras coisas dentro do género. Não é preconceito, é mesmo um medo irracional que me passa pela cabeça de que me vão mexer na vértebra errada e vou ficar sem me conseguir mexer. 

Uma das últimas vezes que fui com a Isabel Silva ao Urbano, o massagista que a segue há vários anos, ele pediu para me deitar “só para ver como era fazer uma massagem desportiva”. Instalou-se o pânico, e durante cinco minutos temi mesmo pela vida. A verdade é que ele estalou-me as costas e sai de lá sem aquela dor que me andava a incomodar há uns tempos na lombar, que só voltou ao fim de umas semanas. Já o medo de massagistas voltou comigo para casa.

Parece ridículo, não precisam de dizer, mas tal como a Lise, uma das terapeutas do hotel Vila Galé Sintra me explicou, “é um medo absolutamente normal”. Foi também graças a ela que, durante 50 minutos, me esqueci de que estava deitada numa marquesa a fazer uma massagem. Vá, esta não era daquelas para estalar os ossos, mas prometia relaxar. Não adormeci, mas tivemos uma longa conversa sobre viagens que tão cedo não vou esquecer e que, por momentos, me fez esquecer que havia um mundo lá fora. 

Foi com esse mesmo propósito que passei quatro dias no Vila Galé de Sintra, aberto desde 25 de abril de 2018 na zona da Várzea de Sintra, com vista para a serra e para o Palácio da Pena. O hotel, que se caracteriza por ser pensado para quem segue — ou quer seguir — um estilo de vida mais saudável, tem programas de saúde e bem-estar direcionados para vários tipos de pessoas. Desde o Detox para quem quer fazer um reset ao organismo, ao Energie, para quem quer tornar-se mais ativo e melhorar a sua condição física. 

Um desses programas, o Relax, segundo o site do hotel, tem como principais objetivos “reduzir a ansiedade e stress através de terapias de relaxamento.” A verdade é que, depois de vários meses de trabalho e prestes a regressar à rotina após um estado de emergência e isolamento que mexeu com todos, uns dias para desligar do mundo era tudo o que podia pedir. E basta olhar para algumas imagens do hotel para perceber que é fácil desligar ali dentro, especialmente quando estamos a flutuar na água da piscina interior (fiz isto mais vezes do que aquelas que gostaria de admitir). 

Relaxar, mas sem esquecer de que existe uma pandemia

Numa altura em que o número de casos de infeção pelo vírus da COVID-19 continua a aumentar de dia para dia, ir para um hotel onde estão outros hóspedes e vários funcionários a trabalhar pode parecer intimidante, mas o Vila Galé Sintra é um dos hotéis que tem o selo Clean & Safe. Isso obriga a uma série de medidas de segurança que foram implementadas e devem ser seguidas tanto pelos funcionários e terapeutas como pelos hóspedes. 

Andar de máscara nos espaços comuns do hotel é uma delas, bem como o facto de o pequeno-almoço, em regime de buffet, agora ter de ser marcado de forma a garantir o distanciamento entre as mesas. Além disso, são os próprios funcionários que servem os pratos, ao contrário do que acontecia antes do início da pandemia. 

Foi também imposta a limitação do número de pessoas que pode usar ao mesmo tempo as piscinas exteriores e interiores. A vantagem é que o hotel tem três piscinas exteriores, duas para adultos e uma para crianças, e mais duas interiores, uma para adultos e uma outra para os miúdos, o que permite manter o distanciamento. Em quatro dias, nunca vi nenhuma das piscinas a exceder a lotação e houve até momentos em que estive completamente sozinha. 

Na piscina interior para os adultos, que faz parte do spa do hotel, é mesmo preciso fazer uma marcação para a poder utilizar, e cada pessoa só pode estar na piscina durante 45 minutos de cada vez, para dar tempo aos funcionários de esterilizarem todas as espreguiçadeiras e o espaço antes do início do turno seguinte. 

A massagem que (quase) me pôs a dormir

Sem me querer tornar repetitiva, quando vi que o programa incluía duas massagens, uma delas terapêutica, por momentos fiquei reticente. Todos aqueles pensamentos de ter uma pessoa a mexer-me nas costas e a deixar-me completamente torta causavam-me alguma confusão, de tal forma que enquanto a Inês Pereira, terapeuta de Medicina Ayurveda do hotel, me fazia a massagem, teve de dizer várias vezes para relaxar. Desculpe, Inês, mas não estava fácil.

Apesar de o plano indicar que ia fazer uma Massagem Yôga Nidrá — que certamente terá mil e um benefícios que desconheço —, a realidade é que acabei por fazer uma Massagem Abyanga que, disse-me a Inês, tem tanto de terapêutica como de relaxante. A massagem toca em vários pontos do corpo com diferentes objetivos, sendo que alguns deles nos podem mesmo fazer adormecer. Contava-me a Inês que há pessoas que chegam tão cansadas e tensas que acabam por adormecer logo nos primeiros minutos da massagem, e revelou-me ainda um momento caricato em que um senhor, em sono profundo, a agarrou inconscientemente nos braços e não a soltava. Nesses casos, diz-me, é esperar e ter calma, porque acordar uma pessoa de repente não é, de todo, a melhor opção. A minha resposta imediata foi “então se lhe der um pontapé ou algo do género, peço já desculpa.”

A Inês explicou-me também, antes de começar o tratamento, que era natural que sentisse algum desconforto em certas zonas do corpo, porque me ia tocar em pontos específicos que podiam estar relacionados com emoções ou com o estado geral do organismo. Segundo me explicou, um dos que custa mais às mulheres é quando tocam na zona que está relacionada com a retenção de líquidos, um problema com o qual quase todas as mulheres sofrem. Não sei quando é que passou por lá, mas houve vários momentos que me causaram algum incómodo. 

Um deles aconteceu enquanto me massajava o ombro esquerdo e senti uma pressão que não tinha sentido no ombro direito. Quando perguntei à Inês o porquê, explicou-me que as nossas emoções se refletem no nosso corpo e que a tensão na zona direita do ombro poderia estar relacionada com alguma relação tensa com uma figura feminina na minha vida, o que não está longe da verdade. Confesso que fiquei pasmada ao saber que aquela mulher, sem nunca me ter conhecido, conseguia perceber aquilo só ao tocar no meu corpo. 

O mais estranho aconteceu depois quando, de repente, entrei num estado em que não estava a dormir, nem acordada. Foi como estar numa espécie de limbo que, ao início, me tinham avisado de que poderia acontecer. Quando percebi, tinha a mão da Inês a tocar-me no braço para me acordar, mas teria ficado ali durante mais alguns minutos (ou horas) de boa vontade. O que é estranho vindo de alguém com receio de massagistas. 

Além de ter ficado a saber que tinha algumas coisas para resolver a nível emocional, percebi também que tenho de começar a fazer alongamentos diários. No final da massagem a Inês disse-me o que já sabia, que a mobilidade é uma parte fundamental da nossa vida e que bastam apenas cinco minutos por dia para fazer a diferença. Recomendou-me alguns exercícios simples para fazer em casa e fez-me prometer que não ia falhar. Vou tentar Inês, vou tentar. 

Desligar, mas sem esquecer o essencial

Quando digo a alguém que sou coordenadora de conteúdos da dobem. e que trabalho com a Isabel Silva, as pessoas assumem automaticamente que sou saudável, tenho uma alimentação regrada e também faço desporto. Pelo contrário. Estou informada, sim, mas isso não significa que tenha os melhores hábitos do mundo. 

Gosto de comer, mas comer às vezes significa pedir algumas coisas daquelas cadeias de fast food onde mais de 90% dos ingredientes me vão fazer mal à saúde. Deixei de treinar há mais de dois meses, porque me envolvi num projeto que me rouba horas de sono, e a última coisa que quero fazer é dormir menos de seis horas e ir treinar logo de manhã. E nem sequer vamos falar na quantidade de séries que tenho em atraso em tudo o que é serviço de streaming, inclusive na recém chegada Disney+. E sim, na grande maioria das vezes uso as escadas rolantes do metro.

Mas também tento fazer escolhas mais acertadas. Enquanto escrevia este artigo comi uma tâmara e o almoço que me espera no frigorífico tem leguminosas, cereais e alguns legumes. O problema, como expliquei ao Alexandre Martins, personal trainer do Vila Galé Sintra e que me fez uma avaliação física, são as outras coisas que vou comendo e o facto de não beber água suficiente ao longo do dia. 

Uma hora de conversa com o Alexandre foi o suficiente para me comprometer a beber, pelo menos, dois litros de água por dia e a perder cinco quilos até ao final do ano. Prometi também que ia começar a treinar quando regressasse ao trabalho, mesmo que fosse em casa. Já passaram quatro dias e ainda não comecei, mas há de acontecer, eventualmente. Já a alimentação também tem de mudar, ou pelo menos continuar como está, retirando os tais extras que vou comendo pelo caminho.

As Viagens de Lise

Sim, fiz um trocadilho com “As Viagens de Guliver”, mas as histórias que a Lise me contou durante a massagem de relaxamento que me fez davam para escrever um livro. A Lise é terapeuta no Vila Galé Sintra, e o sotaque não engana: está em Portugal há algum tempo, mas não é esta a sua casa. Não confirmei onde nasceu, mas contou-me que esteve no Brasil, em Moçambique e na Índia onde fez formações e missões durante alguns anos.

O objetivo desta massagem era relaxar, e embora não tenha quase adormecido como aconteceu no dia anterior, a verdade é que aquela conversa me fez esquecer de que havia um mundo lá fora. Falámos sobre como a Índia é um país com tanto potencial, mas também com tanta pobreza, e de como deveria ser uma visita obrigatória para qualquer pessoa. 

Contou-me também que, em Moçambique, teve crianças ao colo do tamanho da sua mão e que não sabia como dizer ao pais que não iam sobreviver. Mas disse-me ainda que, apesar de ser um país de desigualdades e muita pobreza, as pessoas eram felizes e as crianças só queriam doces. Como é que a conversa começou? Não sei bem, mas passei ali uma hora que poderiam ter sido quatro ou cinco. 

Distraímo-nos de tal forma que, quando voltei ao quarto, a Lise telefonou a dizer que me tinha esquecido de beber o chá que tinha preparado para o final da massagem. Disse-me também para regressar ao spa no dia seguinte para ver as fotografias das suas viagens, mas acabei por me esquecer. Fica para uma próxima visita, está prometido.

O programa Relax do Vila Galé Sintra foi pensado para quatro dias e incluí três noites de alojamento num quarto standard, onde pode levar um acompanhante, que só terá direito à estadia e pequeno-almoço. Além da estadia, estão incluídos o almoço, jantar e snacks de meio da manhã e tarde que pode consumir no bar da piscina ou no lobby bar. 

Pode ainda marcar alguns serviços adicionais, que serão pagos à parte, é o caso de uma consulta de nutrição, uma sessão de acupuntura ou um exame de intolerâncias alimentares. O plano tem um custo de a partir de 500€ por pessoa e pode ser reservado através do site do hotel ou ligando para o +351 212 460 650.