pasta de carvão

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Costuma usar pasta de carvão? Está a estragar (e muito) os seus dentes

São um fenómeno novo, as redes sociais que o digam. Mas cuidado, as consequências do uso destas pastas pretas são várias e graves.

Parece pasta, cheira a pasta e sabe a pasta de dentes. Mas estas novas são pretas, devido à presença de carvão ativo, e chegaram ao mercado com a promessa de tornar os dentes mais brancos — fazendo já parte dos produtos usados na rotina de higiene oral de muita gente. Mas será que a pasta de carvão é assim tão eficiente ou, mais importante ainda, segura?

Fomos saber junto da dentista Célia Leal, que diz não existir qualquer evidência científica que comprove que o carvão seja capaz de fazer desaparecer as manchas ou até mesmo prevenir o aparecimento de cáries nos dentes. Ainda assim, este tipo de pastas tornaram-se num fenómeno e uma breve pesquisa pelo YouTube comprova isso mesmo.

Mas não só não há provas cientificas que atestem a sua eficiência, como podem até ser prejudiciais para os dentes. É que embora o carvão ativo elimine alguma das manchas dos dentes, os chamados pigmentos exógenos, fá-lo à custa do desgaste do esmalte da estrutura dentária já que estas pastas não têm, por si só, propriedades para alterar a cor dos dentes, sustenta Célia Leal.

Segundo a dentista, “este tipo de pastas são muito abrasivas e um uso diário e regular pode levar a um maior desgaste da estrutura dentária que, por sua vez, conduz a episódios de sensibilidade”. E adverte também para a necessidade de se olhar para outro tipo de produtos e tratamentos se o objetivo for o de branquear ou alterar a cor do dente.

As lesões podem ser várias e a experiência irá variar de pessoa para pessoa devido não só à duração do tratamento, como à dentição de cada um.

“Alguém que escove os dentes com carvão ativo três vezes ao dia durante um mês poderá sofrer de uma abrasão no esmalte muito superior a alguém que só escovou os dentes três vezes por semana com o mesmo tipo de pasta. As lesões mais frequentes são os ferimentos gengivais, dor, lesão permanente no esmalte ou o surgimento de pigmentação em restaurações feitas em dente danificados”, revela.

Para a dentista, proteger e preservar o esmalte é de extrema importância já que, em caso de lesão, este não volta a nascer. É que cada dente é composto por raízes, nervos e um tecido de textura mole chamado dentina — revestido e protegido pelo esmalte. Numa situação de dano permanente, onde a capacidade de proteger a dentina de forma eficiente fique comprometida, é necessário proceder a uma restauração dentária.

Mas nem tudo é perigoso. É que embora Célia Leal acredite que os produtos que não estejam devidamente rotulados com todos os componentes explicitamente identificados devam ser evitados, já é possível encontrar no mercado pastas dentífricas com carvão e outros componentes que são perfeitamente seguras desde que a sua utilização seja pontual.

“Isto é possível precisamente porque além do carvão, estão também presentes outras substâncias que, de alguma forma, neutralizam e equilibram a sua ação abrasiva. Já se encontram, por exemplo, pastas com carvão ativo e flúor”, uma substância capaz de remineralizar o esmalte e reforçar a higiene oral de cada pessoa.

“Se for usada pontualmente e sob a orientação de um médico dentista, o uso deste tipo de pastas menos abrasivas pode ser perfeitamente seguro”, mas não tem dúvidas que a utilização contínua e regular tem implicações sérias e graves para a saúde bocal de cada um.

A dentista diz que não desaconselha totalmente o uso de pasta de carvão nos seus pacientes, mas recomenda moderação, cautela e muita pesquisa com o intuito de promover decisões pensadas e informadas. É que ainda não existem estudos científicos que consigam corresponder à rápida e forte adesão das pessoas a estes novos produtos.