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Frente a Frente. Calm e Headspace, qual delas é a melhor aplicação para meditar? Fizemos o teste

A equipa da dobem. desafiou-se a experimentar duas das aplicações de meditação mais conhecidas do mercado e contamos-lhe tudo o que sentimos nestes sete dias.

Até há bem pouco tempo, os conceitos mindfulness e meditação eram desconhecidos ou mesmo renegados pela grande maioria das pessoas. Havia sempre quem alegasse “coisas paradas não são para mim”, “gosto é da adrenalina de uma corrida”, “não sei meditar” ou “experimentei uma aplicação para meditar e não funciona”.

Contudo, ao longo do tempo o conceito não só tem vindo a ser compreendido como cada mais procurado. Queremos parar, sentimos necessidade de o fazer, às vezes mais do que uma vez por dia mas, muitas vezes, só não sabemos como o fazer. Por essa mesma razão começaram a surgir aplicações de meditação guiada, como é o caso da Calm e da Headspace.

“O Calm é o melhor aplicativo para meditar e dormir”, anuncia uma. “Stress menos. Durma profundamente. Fique feliz”, promete a outra.

No fundo, a proposta de cada aplicação para meditar é a mesma: ajudar a guiar quem é novo nesta prática. Mas o funcionamento de cada um destes sistemas é diferente, e foi isso mesmo que a dobem, foi testar.

Durante sete dias, experimentámos os testes gratuitos da Calm e da Headspace e revelamos o veredito final num frente a frente que, arriscamo-nos a dizer, será o mais pacífico de sempre.

Headspace — Rafaela Simões

Começou assim a minha jornada: a promessa de me tornar mais feliz e mais saudável a partir das 21h09 de 20 de outubro.

A proposta foi tentadora, principalmente numa altura em que os desafios do dia a dia são vários: a iminência de ficar infetada com COVID-19, o teletrabalho, o stresse de cumprir com prazos e de tentar dar o melhor a nível profissional. Quem mais anda nesta corda bamba?

Saber que todos os dias teria, no máximo, quatro minutos para parar, refletir e abrandar, sem que isso tirasse demasiado tempo de outros afazeres, era uma ideia é deliciosa.

As sessões do plano gratuito eram diárias e a primeira foi uma porta de boas-vindas para esta prática. Desde logo, a voz do guia, em brasileiro, é cativante e ajuda a concentrar — embora essa não seja tarefa fácil.

Contudo, essa dificuldade é ponto assente logo na primeira sessão: o guia tranquiliza-nos quanto ao facto de a mente divagar, uma vez que não estamos habituados. Para isso serviriam então as sessões seguintes, nas quais o foco foi trabalhado sem pressão.

Da segunda, para a terceira, quarta meditação, e por aí diante, as orientações não variam muito, mas cada dia tem uma nova lição associada a um vídeo que devemos assistir antes da prática.

Chegada ao fim do período experimental de sete dias, há três pontos a destacar: a mente continua a vagar — algo que é completamente normal dado o reduzido número de meditações feitas —, apesar de ser um acompanhamento virtual senti que as orientações são eficazes, e à medida do tempo relaxamos tanto que, já na quinta sessão, quase adormecia (de tão vagos que já iam os pensamentos).

Nota final: de zero a cinco, um recomendo de mão cheia.

Calm — Ana Gordo

Sempre fui muito cética em relação a tudo o que era meditação, e cada vez que me tentavam vender a ideia de que esta ou aquela aplicação para meditar era a melhor do mundo, revirava os olhos. Até ao dia em que vi um vídeo da Lucie Fink, produtora da Refiney29, onde durante cinco dias seguia várias práticas ligadas ao mindfulness, entre elas, a meditação.

O vídeo, assim como uma conversa que tive dias depois com a Sofia Mano, professora de ioga e autora do podcast “Magia & Respirar” convenceram-me a, pelo menos, tentar introduzir esta prática na minha vida. Tentei durante dois dias, antes de dormir, mas parecia que a mente não desligava, os pensamentos continuavam a encher-me a cabeça e o simples facto de sentir a gata a passar no quarto fazia-me desconcentrar completamente. Escusado será dizer que ao fim do segundo dia desisti completamente daquela ideia e nunca mais voltei a olhar para nenhuma aplicação para meditar.

Quando falámos neste desafio, expliquei que já tinha tentado meditar no passado, mas que não tinha sido muito bem sucedida. Aconselharam-me a experimentar fazê-lo com a ajuda da Calm, e a verdade é que já há algum tempo que me apareciam anúncios desta aplicação nas redes sociais. Talvez o mais convincente tenha sido o anúncio onde Cillian Murphy começa a ler parte de uma história, mas acabei por ficar desiludida ao saber que esse programa não estava incluído no plano de sete dias gratuitos da aplicação.

Com muito pouca fé e nada confiante, lá coloquei os auscultadores, arranjei um sítio calmo e sereno em casa, escolhi uma hora em que sabia que ninguém me iria incomodar — nem mesmo a gata — e comecei o primeiro dia de meditação. A Calm tem a vantagem de permitir personalizar a nossa meditação, mesmo no programa gratuito. Podemos escolher ouvir sons de fundo e optar entre a Tamara ou o John como narradores.

Este é o aspeto da aplicação quando a abrimos (à esquerda), e durante o plano de sete dias (à direita)

Não vou mentir: não foi fácil conseguir desligar durante os cerca de dez minutos que dura cada sessão destes sete dias. Por mais que o John ou a Tamara me dissessem para me focar nos movimentos do diafragma, houve dias, especialmente naqueles em que estava mais ansiosa, em que foi difícil entrar no estado de atenção plena que é a base da meditação. E também estaria a mentir se dissesse que me tinha tornado numa especialista nesta prática, mas a realidade é que ao fim de uma semana, sinto que se não fizer este ritual, não consigo descansar tão tranquilamente à noite, e sinto que, nesse aspeto, usar a Calm foi uma mais valia, até porque as meditações são bem conduzidas pelos guias.

Mas — e há sempre um mas — não sou particularmente fã do tom de voz destes narradores. A meu ver, soa demasiado a leitura de guião, e não tanto a uma conversa, algo que sei que acontece na Headspace e que, pessoalmente, prefiro. Isto quer dizer que vá deixar de usar a Calm? Nem por isso, até porque estou a ponderar subscrever aos sete dias de teste grátis para conseguir ouvir algumas das centenas de histórias que existem na aplicação. E entre elas qual está, adivinhem? A do Cillian Murphy.