adotar um cão

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Vai adotar um cão ou um gato? Estas são as coisas em que deve pensar antes de tomar a decisão

Das despesas mensais às mudanças que vai ter de fazer em casa, há aspetos a ter em consideração. A veterinária Marta Pinto explica.

Adotar um cão ou gato não é a mesma coisa que comprar um sofá ou investir num computador novo. É óbvio, não é verdade? Estamos a falar de um ser vivo, não de um objeto. Infelizmente não é assim tão simples — ainda há quem adicione um novo membro à família por impulso, sem pensar em tudo aquilo que implica ter um cão ou um gato.

Não vamos cair no exagero: adotar um animal não é o fim do mundo, mas existem de facto aspetos que precisa de ter em consideração. Afinal, estamos a falar de um ser vivo que, se tudo correr bem, poderá fazer parte da família durante mais de uma década. E uma década é muito tempo.

Sabe quanto vai gastar com a ração, por exemplo? Ou quanto tempo deve dedicar por dia a passear um cão ou a brincar com um gato? Também é preciso pensar na vacinação, nos utensílios necessários para cada animal e no que fazer se existirem crianças em casa. A médica veterinária Marta Pinto dá-nos um guia completo com tudo o que deve saber antes de adotar um cão ou um gato.

1. Em que vai gastar dinheiro primeiro?

“Existem despesas fixas que temos de considerar quando pensamos em adotar um cão ou gato”, começa por dizer a médica veterinária. São eles:

— Registo (2€-5€) e licenciamento (5€-15€)
— Microship, sistema de identificação eletrónica obrigatória no cão (20€-35€)
— Vacinação (média de 50€ ao ano)
— Desparasitação interna e externa (custo médio anual de 20€ e 75€, respetivamente)
— Acessórios: cama, comedouro, bebedouros, produtos de higiene (média de 75€)

2. As despesas veterinárias que podem surgir ao adotar um cão ou gato

“Além destas despesas, deve-se ter em conta eventuais gastos que poderão surgir, como por exemplo as despesas veterinárias e de Pet-Shop”.

— Consulta de rotina (20€-30€)
— Esterilização (variável, depende da espécie, peso, idade e sexo do animal).
— Tosquia (valor médio de 22,50€)
— Banho (média de 14€)
— Corte de unhas (média de 5€)

3. E não esquecer a comida do animal

Existem muitos fatores que podem influenciar as despesas com os animais: a fase da vida em que se encontram, a altura do ano, o ambiente onde estão inseridos, se têm alguma doença. “De um forma muita generalista, podemos dizer que a principal despesa que temos com o nosso animal de estimação mensal é com a sua alimentação”, explica Marta Pinto.

Se optar por rações secas mais baratas, os preços começam nos 12€ para embalagens de dez quilos. Se optar por outras de melhor qualidade, um saco de 14 quilos (que pode dar para um mês ou mais) pode variar entre os 50€ e 80€.

4. Devo optar pela ração mais cara?

“A escolha da alimentação vai depender da saúde do nosso animal de estimação”, começa por dizer Marta Pinto. Nem sempre é fácil tomar uma decisão no meio de tanta oferta disponível, no entanto a médica veterinária aconselha alimentos “tipo premium ou super premium, que indicam a utilização de ingredientes de melhor qualidade”.

“É importante certificarmo-nos de que a comida tem todos os nutrientes adequados para as necessidades do animal naquele momento, e aqui penso ser fundamental pedir ajuda a um profissional de saúde veterinária.”

5. Não é boa ideia dar-lhe comida “humana”

“Idealmente os nossos animais de estimação devem comer a sua própria comida”,explica, uma vez que asseguram “a manutenção de um adequado equilíbrio nutricional. Dar alimentos feitos em casa, sem orientação veterinária, é um erro e pode ser extremamente prejudicial.”

Existem alguns alimentos que podem ser dados aos cães e gatos, no entanto essa escolha deve ser sempre feita com a ajuda de um veterinário. Regra geral, é isto que tem de reter: “Cozinhar alimentos em casa e dar aos nossos animais de estimação não é sinónimo de boa alimentação.” Em caso de dúvida, é melhor ficar-se pela ração.

6. Não se esqueça de pensar nas férias

“Quando optamos por ter um animal de estimação, é importante termos em conta que as férias virão e nem sempre vamos poder levá-los connosco”. O ideal é analisar se tem a possibilidade de o deixar com um familiar ou amigo, que assegure o cuidado do animal durante a sua ausência.

Se não for possível, pode sempre ponderar um hotel — em média, os preços variam entre 10€ e 20€ por dia.

7. As alterações a fazer em casa

Há cuidados que deve ter quando decide adotar um cão ou um gato. Vejamos desde já os básicos, isto é, aquilo que tem de comprar antes mesmo de o animal chegar a casa.

— Cama
— Comedouro
— Bebedouro
— Alimento
— Coleira
— Transportadora
— Higiene (escova, cortador de unhas e champô no caso do cão)
— Trela (cão)
— Caixa de areia (gato)

Em casa, há ainda que ter atenção a potenciais perigos. “Não devemos deixar ao seu alcance nada que represente um risco, como por exemplo substâncias tóxicas, plantas ornamentais, medicamentos, tomadas, fios elétricos, sacos de plástico”, entre outros, explica a médica veterinária.

É importante ainda manter as janelas fechadas, sobretudo no caso dos gatos, e se a casa tiver jardim garantir que os animais não conseguem sair do recinto.

8. Os animais e as crianças

“Quando temos uma criança devemos ensiná-la a respeitar o novo elemento que vai entrar no seio familiar. Adquirimos um ser vivo, que vai depender de nós durante toda a sua vida e que nos vai dar muito, e como tal deve ser respeitado e amado.”

A ciência já provou que os miúdos que têm animais adoecem menos e são mais resistentes às alergias, tanto na infância como na idade adulta. “Verificou-se que uma criança que cresce com um animal de estimação falta menos três semanas à escola comparativamente com as crianças que não o têm”, continua a veterinária.

Há mais: conviver com um animal torna as crianças mais extrovertidas, confiantes e concentradas, além de aprenderem a assumir responsabilidades e a partilhar. Para as crianças com autismo a presença de um animal pode ser crucial, uma vez que estas interagem confortavelmente com eles.

9. Ter animais faz mesmo bem psicologicamente?

Está comprovado científicamente, explica Marta Pinto, que os animais são uma fonte de bem-estar — em particular para crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida. “Acariciar um animal diminui os nossos níveis de stresse, uma vez que aumenta os níveis de produção de oxitocina, conhecida como hormona do amor ou do prazer.”

10. A importância das vacinas

A vacinação é (mesmo) muito importante, sobretudo no primeiro ano de vida do animal de estimação. Porquê? Porque desencadeia uma “resposta imunitária de forma a proteger o animal de estimação contra infeções subsequentes”, explica Marta Pinto. “A vacinação só deve ser realizada em animais saudáveis., daí a importância de um exame clínico prévio.”

Cães

Esgana, parvovirose, hepatite infeciosa canina

— 2 meses (primeira dose)
— 3 meses
— 4 meses
— Posterior reforço anual

Leptospirose

— 4 meses
— 3 a 4 semanas depois (reforço)
— Posterior reforço a cada 6 e 12 meses

Vacinação antirrábica

— A partir dos três meses
— 1 a 3 anos (reforço)

Gatos

Calicivírus felino, o vírus da panleucopénia felina e o herpesvírus felino

— 2 meses
— 3 a 4 semanas (reforço)
— 3 a 4 semanas (reforço)

Se o gato tiver acesso ao exterior deverá realizar o rastreio de FIV/FeLV e se negativo deverá ser vacinado contra o vírus de FeLV , com reforço 3 a 4 semanas após.

A revacinação deve ser anual.

11. Os animais devem ser castrados/esterilizados?

“Se não existir qualquer interesse reprodutor no nosso animal de estimação, aconselho a castração/esterilização”, explica a médica veterinária. “As vantagens na saúde do nosso animal de estimação relativamente a este procedimento cirúrgico superam em larga escala as suas desvantagens”.

Vantagens

— Elimina o cio e todo o comportamento animal com ele relacionado.
— Controla a superpopulação.
— É determinante na prevenção e controle de muitas doenças degenerativas.
— Elimina a possibilidade de tumores ováricos ou testiculares.
— Elimina a possibilidade de infeções uterinas.
— Diminui a incidência de tumores mamários ou prostáticos.
— Diminui a marcação territorial.
— Aumenta a esperança de vida.

Desvantagens

— Obesidade, facilmente controlada com dieta e exercício apropriado.

12. Como perceber se tem tempo para um animal de estimação

A questão do tempo é tão importante como fazer contas ao dinheiro que vai gastar todos os meses — se nunca está em casa ou passa longos períodos fora, talvez não seja a melhor ideia adotar um cão. Ou um gato — sim, eles também precisam de atenção.

“É crucial quando estamos a escolher um animal de estimação pensarmos se temos muito ou pouco tempo para passearmos, brincarmos com ele”, explica a médica veterinária. O gato é uma boa opção para quem passa muito tempo em casa, uma vez que é mais independente. Um cão de pequeno porte também pode ser uma opção.

“Se tivermos a possibilidade de passear o nosso animal e gostarmos se andar a pé, correr, devemos escolher como animal de estimação um cão”. É preciso ter em atenção, porém, que os animais braquicéfalos não deverão fazer passeios longos devido à sua inerente dificuldade respiratória. É o caso do Pug ou do Buldogue Francês, por exemplo.

“Qualquer outra raça necessita e poderá fazer todos os passeios que pudermos, idealmente de 30 minutos cada.”