I Am Isabel Silva

O EDP Grande Prémio de Natal, mesmo virtual, foi mágico e solidário

Correr uma prova é muito mais do que fazer o melhor tempo. E no EDP Grande Prémio de Natal importa espalhar o espírito natalício.

A paixão pela corrida estará sempre no meu coração. Por outro lado, não posso deixar de admitir as saudades que tenho das provas marcadas para uma só data e para uma só hora, porque isso significa que, naquele dia, vamos mesmo estar todos juntos. 

Vamos poder olhar uns para os outros, conviver, trocar sorrisos e gargalhadas e aguçar ainda mais o espírito de competição ou, pelo menos, somos sempre mais desafiados quando estamos rodeados de pessoas que querem o mesmo que nós: cortar a meta, sacar a medalha e exibi-la de peito orgulhoso. Não é?

Esse dia vai chegar. Não sei quando, mas acredito que em 2021 tudo isto que estamos agora a viver vai passar. Mas já que ainda aqui estamos, nesta fase de incerteza e de distanciamento social, vamos tentar viver a vida com serenidade e, também importante, mantermos vivas as paixões que sabemos que nos fazem bem ao corpo e à alma.

Não vamos deixar de correr. Porque correr faz bem e desperta a nossa melhor energia. 

O EDP Grande Prémio de Natal é aquela mítica prova que tem mais espírito de Natal. Basta recordarem a prova do ano passado e vão entender do que vos falo. Este ano, pela primeira vez, esta corrida tornou-se virtual e diria, até, omnipresente. 

Pela primeira vez, podemos correr o EDP Grande Prémio de Natal em qualquer lado. Estive quase para percorrer os 10 quilómetros em Santa Maria de Lamas, a terra onde nasci e cresci, mas o trabalho obrigou-me a ficar por Lisboa. E fiquei. Mas se é uma prova, ela tem de ser diferente dos meus treinos habituais. Este é um ponto meramente psicológico, mas acreditem que me dá logo outro entusiasmo.

Como manter o espírito de Natal e, ainda por cima, solidário, quando vou correr a prova sozinha? Fácil. 

Em primeiro lugar, imprimir o dorsal e levá-lo ao peito para sentir o compromisso e a união de todos.

Depois, levar a camisola do EDP Grande Prémio de Natal do ano passado. É a camisola de corrida mais natalícia que alguma vez vesti para correr. É bonita, é vermelha, tem renas e flocos de neve. E nós também somos aquilo que vestimos, certo? Portanto, tudo conta.

Mas há mais: é pensarmos que estamos numa prova solidária. Saber que estamos a participar numa prova que vai dar 18 meses de energia a instituições de solidariedade social. São elas:

— Associação de Protecção à Infância Bispo D. António Barroso

— Centro Social de S. Pedro do Afonsoeiro

— Fundação Madre Sacramento, Lar Jorbalan

Parabéns EDP! É isso mesmo. Dar energia a quem mais precisa.

Mas falta aqui qualquer coisa… pelo menos para mim. 

Neste dia não tinha nenhum objectivo de tempo, até porque, apesar de já não estar infetada com o vírus da COVID-19, a retoma aos treinos tem sido feita de forma gradual. O meu objetivo  era simplesmente desfrutar e encontrar uma forma de sentir o espirito de Natal, e encontrei. No café do meu bairro, o Pão aos Pedaços.

Adoro viver no meu bairro. Tenho um T1 bem jeitoso, mas aquilo que me faz querer continuar a viver na Quinta dos Barros é o ambiente que aqui se vive.

Podia falar de muitas coisas, mas hoje quero focar-me no Hélder e no Ricardo. Eles são a alma da padaria do meu prédio. É o típico café português mas, para mim, é o melhor do mundo pelas pessoas que lá trabalham. 

Não vou correr sem tomar ali o meu café. Sou sempre a primeira a chegar e é com eles que tenho a primeira conversa do dia. Dois homens bem jeitosos que partilham a mesma filosofia de vida que eu: viver simples e de forma positiva. 

À semelhança do ano passado, a árvore e as luzes de Natal já iluminam o espaço, e quem ali passa não fica indiferente, como podem ver no vídeo.

O que seria começar a minha corrida sem manter a minha rotina do café e dar dois dedos de conversa aos meus amigos. Fui ali buscar a magia do Natal. Porque ali tem o essencial: carinho, alegria e companheirismo. 

Estava vento, chovia e o dia estava cinzento. Mas eu tinha a alma cheia de cor e adrenalina. Meto na cabeça que aquilo é uma prova e resulta. Antes de ouvir o “beep” do relógio senti borboletas, e isso fez-me recordar aquilo que digo sempre, antes do tiro de partida: não ganho dinheiro com isto mas, neste momento, isto é a coisa mais importante da minha vida.

E se isto não é amor à corrida, então é o que?

É assim que eu descrevo a minha energia. A #energiaoficialdodesporto