Alimentação

Tarwi. O tremoço biológico para fazer frente ao “amigo ingrato da cerveja”

Catarina, Pedro e Alice uniram forças e uma boa dose de tremoços para acompanhar um brainstorming (e não uma cerveja). O resultado? A Tarwi.

Quando a fome aperta, o mais simples é pegar em algo prático, como uma barra de cereais, sem olhar a rótulos, ou numa bolacha caseira e saudável que levou uma boa dose de tâmaras e uma parte do orçamento do mês. O snack mais simples, prático e saudável em que quase nunca ninguém pensa são os tremoços. Ninguém, exceto Alice Trewinnard, Catarina Gorgulho e Pedro Godinho Ramos, que acabaram de lançar a Tarwi.

“Toda a gente sabe o que é um pequeno-almoço, almoço ou jantar saudável, mas ali o entre as refeições é o mais difícil. Quando surgiu a ideia de fazer algo no ramo alimentar e ligado ao estilo de vida saudável, podíamos ir para o fácil que já sabíamos que as pessoas gostam, que são barras energéticas, bolinhas ou cookies, mas ao mesmo tempo, queríamos trazer inovação”, conta Catarina Gorgulho, de 36 anos, à dobem.

Foi depois de um brainstorming em busca de algo fora da caixa, mas simples e que não suscitasse dúvidas sobre se é saudável ou não que surgiu a ideia do tremoço. “Nutricionalmente, é riquíssimo, tem tudo aquil que nós precisamos e é tão rico que não é preciso adicionar muito para ser um alimento interessante. É por isso que começámos com o tremoço da forma mais natural que o conhecemos”, explica a co-fundadora do projeto, formada em Economia e Gestão.

Apesar de Alice Trewinnard ser licenciada em Dietética e Nutrição, a vontade de apostar em algo saudável veio de todos os fundadores. “Seriamos incapazes de pôr no mercado um produto com o qual não nos identificássemos. Mas é curioso. O tremoço veio primeiro do que o fator nutricional”, conta a também influenciadora digital, de 30 anos.

Tudo parecia então alinhar-se, até mesmo o nome, Tarwi, que foi como “um sinal” de que seria a aposta certa para o projeto. “Tarwi é uma das formas de se dizer ‘tremoço’ em países da América do Sul, como o Perú e o Chile. E achámos piada porque parece uma junção entre o meu apelido, wi de Trewinnard e tar de Catarina. Achámos que era um sinal”, brinca Alice Trewinnard.

Alice Trewinnard, Pedro Godinho Ramos e Catarina Gorgulho

O que é que este tremoço tem de diferente?

Ao simples tremoço biológico, foi então adicionado um quê de sabor, dando origem a três produtos Tarwi: os tremoços com sal marinho, malagueta ou manjericão.

Contudo, “agregam puramente sabor e não necessariamente grande qualidade nutricional”, refere Alice Trewinnard, uma vez que essa está garantida pelo próprio alimento. Exemplo disso é o facto de Catarina Gorgulho, que reduziu o consumo de carne, muitas vezes usar os tremoços como complemento de refeição, por exemplo, numa salada ou com legumes. “O tremoço é a única leguminosa que equivale à soja, a nível proteico”, reforça.

Culturalmente, em Portugal, o tremoço é mais associado a uma esplanada no verão, sempre acompanhado de uma cerveja, mas no caso do tremoço biológico da Tarwi, dá para várias situações e o objetivo da marca é precisamente contrariar a ideia de que o tremoço é “o amigo ingrato da cerveja”.

“Acreditamos que por ser tão simples — não tem muito sal, os sabores são leves —, é algo que dá para qualquer hora do dia”, refere Catarina Gorgulho, salientando o fator prático da embalagem em saquetas.

“Team com casca e team sem casca”

Para cada sabor, um adepto diferente. Catarina Gorgulho é mais fã da malagueta, Pedro Godinho Ramos do manjericão, tal como Alice Trewinnard, que não era a maior fã de tremoços.

“Eu nunca comi muito e das vezes em que comi havia duas coisas de que não gostava: era extremamente salgado e tinha a casca muito fibrosa. A logística de morder e puxar não me agradava muito. Só que rapidamente descobrimos que tem tudo que ver com a forma como o tremoço é apresentado”, diz a influenciadora, referindo-se a dois aspetos importantes para um bom tremoço: ser biológico e português, como é o caso da Tarwi.

São estas características que fazem deste tremoço um produto apto para comer com casca. “É curioso, porque acho que a Alice mesmo hoje em dia continua a não gostar de tremoço. Gosta de tremoço Tarwi, mas não de tremoço”, brinca Pedro Godinho Ramos, de 34 anos, formado em Economia.

“Acho que muitas pessoas podem olhar para o produto e achar que no fundo é só um play de marketing, mas, na verdade, o que queríamos inovar, antes de tudo, era em sabor, depois em textura, depois em funcionalidade. Há várias coisas que são diferentes”, argumenta o co-fundador, que vive em Londres há oito anos.

A diferença, para melhor, é que o tremoço Tarwi pode (e deve) ser comido com casca, até porque, sendo um snack para levar para qualquer lado, o ideal é não ficar com lixo na mão. Contudo, Pedro Godinho Ramos reconhece que, tal como nos sabores, na forma de comer há quem seja “team com casca e team sem casca”.

Para hábitos portugueses, um produto 100% português

Uma das preocupações do projeto era oferecer um produto 100% português, não só porque existe a nível nacional, contribuindo assim para o mercado local, como por promover a sustentabilidade.

“Pensando em sustentabilidade, em termos de pegada de carbono, intensidade climática, era interessante para nós começar em Portugal. Também acreditávamos que havia muito mais qualidade aqui que não estava a ser explorada. A maior parte do tremoço vendido aqui é peruano”, explica Pedro Godinho Ramos. “Depois, de um ponto de vista de estar perto de comunidade e poder criar emprego aqui é muito interessante”, continua o co-fundador, que trabalha num fundo de investimento que aposta em negócios com contribuição social ou ambiental.

É um facto que os tremoços da Tarwi são servidos em embalagens de plástico em doses individuais, mas o co-fundador explica que esta foi a melhor opção encontrada. “Tanto as embalagens individuais, como de fora, são recicláveis. O cartão é reciclado. Agora, para ter as embalagens individuais, explorámos imenso plástico comportável, mas muitos são demasiado permeáveis e não garantia a qualidade do produto. Foi tão bom quanto possível e existente”, explica, mas refere que um dos objetivo futuros é eliminar o plástico da marca.

Por falar em futuro, a Tarwi não se vai ficar pelos tremoços. Já estão a ser pensados novos sabores e tipos de produto, bem como a expansão do produto para o Reino Unido, embora os responsáveis da marca não possam avançar mais pormenores para já.

A certeza é de que vai continuar “a premissa de ser conveniente, de elevada qualidade, sustentável, fazer bem à saúde das pessoas e do planeta”. “São estes os nossos pilares que vão guiando as decisões que tomamos”, concluem os fundadores.

A gama de tremoços Tarwi é vendida no site da marca. Um pack com seis saquetas (duas de cada sabor) custa 13€.